António Bica

O PARTIDO "CHEGA" E OS CIGANOS (3)

Como combater o auto-segregacionismo dos grupos culturais que, num Estado, mantêm a sua cultura tribal (3)

A plena integração dos ciganos no espaço da União Europeia não é difícil, desde que se consiga fazer diluir os valores culturais autossegregacionistas que os perpetuam como comunidade separada a viver dentro de um Estado. Para isso haverá que levar gradualmente, por persuasão negociada preferencialmente com os líderes ciganos, não por imposição, os filhos dos ciganos a frequentar a escola sem interrupções, em estabelecimentos fixos, e, de preferência, em regime de internato, quando os ciganos são itinerantes, como frequentemente acontece. As escolas, incluindo os internatos, terão que ser de boa qualidade, para que haja bom aproveitamento escolar e consequentemente aquisição não imposta dos valores culturais básicos e das regras de convivência observados no país.

Se as famílias ciganas aceitarem que os seus filhos frequentem nestas condições a escola, é de prever que em poucas gerações os ciganos abandonem práticas de comportamento anti-sociais, integrando-se plenamente nas sociedades dos países em que vivem.

É de esperar que as famílias ciganas resistam a deixar os filhos frequentar a escola em estabelecimentos fixos, porque os fazem pedir esmola, atividade que é uma das suas significativas fontes de rendimento. Haverá por isso que sobrecompensar as famílias ciganas pela perda de rendimento que resultar de os seus filhos deixarem de pedir as esmolas que normalmente conseguem. Sobrecompensando as famílias ciganas por essa perda de rendimento, é de prever que, sabendo que os filhos são nas escolas bem tratados e ensinados e sentindo-se suficientemente compensadas pelos rendimentos que perdem por os filhos frequentarem a escola, os deixem estudar.

O que a União Europeia gastar com isso, se a acção for por ela financiada, é razoável ser por ela pago por o problema ser de toda a União Europeia, dado que os ciganos que forem cidadãos de um Estado integrado na União Europeia têm direito a livre circulação em todo o espaço europeu. O investimento correspondente não é significativo em relação ao benefício.

Da plena integração dos ciganos nos países em que habitam resultarão as vantagens da sua normal participação na economia, de que se mantêm, em regra, à margem, e do fim da tensão social resultante de a sua cultura marginalizante ser potenciadora de conflitos sociais que tendem a evoluir para políticos.

O investimento da União Europeia no ensino dos jovens ciganos é indespensável para a sua integração, porque os ciganos conseguem obter razoável rendimento pondo os filhos a pedir, com pequenos negócios e muitos com furtos a não ciganos e outras actividades delituosas.

Exemplifica-se com caso passado no fim da década de 1960: Duas famílias ciganas desentenderam-se em Oliveira de Frades e agrediram-se. Da refrega resultou um cigano ferido a tiro. A GNR interveio e o cigano agressor foi detido, acusado em processo penal e julgado. Da detenção até ao julgamento passaram-se largos meses. A família do agressor, cumprindo o dever de solidariedade imposto pelos valores tribais, não o abandonou. Acampou junto da vila onde o seu familiar estava preso a aguardar o desenrolar do processo. O advogado oficioso que o defendeu questionou o chefe da família cigana sobre a razão por que não se fixavam numa terra para aí trabalhar com emprego. Respondeu: Já o tentámos, mas o que se ganhava era pouco. O que recebemos pedindo e dos nossos pequenos negócios dá mais.

Por outro lado as políticas de realojamento com substituição das barracas em que muitos ciganos vivem têm que deixar de levar à criação de bairros para ciganos, como quase sempre é feito. Em vez disso as famílias ciganas desalojados das barracas a demolir por serem insalubres devem ser alojadas em habitações dispersas por toda a área urbana das correspondentes vilas ou cidades para priporcinar condições de convívio com oss demais habitantes.

Um caso evidente de má política de realojamento de ciganos foi o de Campo Maior, onde os ciganos viviam em muito más condições em parte de antiga fortificação da cidade. A Câmara Municipal construiu a cerca de 3 quilómetros dela, no meio de área agricola, bairro isolado, onde alojou os ciganos da cidade que viviam em péssímas condições na antiga fortificação. Assim os ciganos tendem a manter-se isolados da restante população e a não conviver com ela, tendendo a manter-se enconchados na sua cultura tribal.

Nota: O texto segue em próxima edição da Gazeta

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