Confraria dos Gastrónomos da Região de Lafões em parceria com a Associação Vouzelar

Produtos de excelência da Região de Lafões

Foto Homem Cardoso

• Celeste Carvalho

Nome do produto: Pastel de Vouzela (por muitos apelidado de iguaria dos deuses). Produtores: Casa Castanheira; Fernando Cardoso e Vítor Correia Vouzelpastéis.

 

Descrição: um dos segredos mais bem guardados da Beira Alta são os pastéis de Vouzela. A história e receita destes pastéis de folhado ultrafino quase transparente, alongado em forma de travesseiro, apresenta-se com várias camadas de folhas finas e estaladiças a envolver o recheio de creme de gemas e açúcar, de aspeto dourado como um raio de sol e apenas incomodado por um ligeiro esvoaçar de neve doce (açúcar em pó).

 

Caraterísticas particulares: “beleza, perícia e equilíbrio do paladar” (Maria de Lourdes Modesto). Folhado estaladiço fino único em Portugal; de uma graciosidade surreal no aspeto como uma talha dourada, na textura, no som estaladiço do folhado quando trincado, na delicadeza do creme aveludado e macio na durabilidade do caráter estaladiço do folhado, “leve como uma pluma” o que os torna inimitáveis.  Inicialmente um doce confecionado por uma linhagem de mulheres; nos dias de hoje são confecionados por mãos masculinas.

 

Delimitação de área geográfica: vila de Vouzela – Lafões.

 

Ingredientes: para o recheio: gemas de ovo, açúcar, agua natural local; para o folhado: farinha e água; manteiga para colocar antes de ir para o forno.

 

Formas de comercialização: localmente nos cafés e restaurantes/pastelarias, e pastelarias de toda a região de Viseu; pertence ao Menu Nacional dos restaurantes/pousadas da rede Pestana; a produção e distribuição acontece ao longo de todo o ano. Intenso cartaz de doçaria local e regional, são suporte económico, âncora turística cultural e social de excelência.

 

Historial:  este produto era confecionado no século XVIII no Convento de Santa Clara do Porto pelas freiras Clarissas, posteriormente já no século XIX duas meninas de famílias tradicionais da vila de Vouzela, terão estado neste convento e herdado o saber fazer através dos tempos mantendo-o como segredo familiar.

Alguns defendem que esta receita é tão antiga como um convento cuja memória se perdeu no tempo. Atualmente, o saber fazer continua a passar de família para família, o que faz com que seja um segredo bem guardado.   No entanto, embora produzido com fins comerciais, as doceiras contemporâneas garantem utilizar o mesmo método artesanal que lhes foi ensinado pelas suas avós. Em roteiros desta região são usuais menções como «os pastéis cheiram a Convento (Maria de Lurdes Modesto) …  e que gostaríamos todos os anos de poder provar».

A receita continua secreta. São fabricados atualmente por três famílias da vila de Vouzela segundo um método completamente artesanal, a partir de uma fina massa folhada, tendida e seca numa tela especial, onde reside o segredo.

D. Ana Augusta (figura ligada à História do Pastel de Vouzela)

 

Disponibilidade do produto:  oferta contínua local, com distribuição nacional ao longo de todo o ano.

 

Elementos documentais:

Fontes: Carta Gastronómica da Região de Lafões 2016; Rota do Pastel de Vouzela em livro- 2017

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