E Agora?

Texto: Paulo Fernandes

E os alunos com necessidades especiais de acompanhamento, estimada leitora?

Pois é, já o F. Pessoa escrevia que contemplava o que não via. Na verdade, não vejo nada que proteja as minorias.

Sou professor do 1º Ciclo com muito orgulho! Vivo nas Montanhas Mágicas do concelho de S. Pedro do Sul, na aldeia do Candal. E como professor levanto o meu estandarte inspirado no Edgar Morin “A Educação é a força do Futuro”. Serão 40 saberes para a educação nos próximos tempos.

Agora, nestes tempos do resto das nossas vidas só me apercebo do real significado da palavra de origem grega σꭔoλή, escola em português. A escola atual só reproduz os programas do Ministério da Educação idealizados para termos currículos iguais para todos no país inteiro. Afirmo, que a relação existente entre a educação e a sociedade confinada ao vírus decorre de políticas educativas neoliberais, é caracterizada pelas ideias de uma escola discriminatória que somente avalia os resultados e nunca os processos, e também por costumes competitivos que subjugam a vida dos alunos às expectativas sociais dos grupos dominantes.

Com isto, estimado leitor, desaguamos no problema de na minha freguesia haver alunos sem acesso à internet e nem sequer televisão. E agora? O sistema arranjou forma de o presidente da junta vir à serra trazer as fotocópias para os alunos irem acompanhando minimamente. E depois, levar para os professores?? Tem falhado este modus operandi. Inclusive, uma mãe disse que a diretora de turma da filha não via forma nem maneira de a aluna passar de ano. Ameaçadora, a senhora!

Quer dizer, quem vive na serra sem cobertura de redes móveis das riquinhas operadoras fica discriminado? Que belos pequenos ditadores povoam o nosso país à beira mar instalado!

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