Carlos Vieira e Castro

Lições a tirar desta Pandemia...antes que chegue a próxima (1)

Cada um de nós tirará as suas próprias lições desta experiência única (até agora!) nas nossas vidas, tendo em conta a diversidade de condições sociais, culturais, económicas e sanitárias. Eis as minhas:

O MAIOR BEM COMUM DA HUMANIDADE É A SAÚDE. Esta é uma pandemia anunciada há muito, na sequência de uma série de epidemias de outros vírus e de coronavírus como o SARS-CoV, também surgido na China, chegando aos EUA e Canadá, em 2003, presume-se que, tal como o actual SARS-CoV2, tendo o morcego como hospedeiro reservatório na natureza que o terá passado para o civeta, espécie de gato selvagem, donde terá dado o “salto de espécie” para um ser humano, provavelmente num dos mercados de animais exóticos para alimentação, que o governo chinês mandou fechar, como fez agora, mas que deixou reabrirem mais tarde.  O infectologista brasileiro, Stefan Cunha Ujvari, autor do livro “A História da Humanidade Contada pelos Vírus, bactérias, parasitas e outros microrganismos…”, de 2012, publicou em 2011, outra  obra, “Pandemias – A Humanidade em Risco”, onde dava como certo o surgimento de uma nova pandemia, em qualquer lugar do planeta, provocada por um vírus semelhante ao de 2003. Um ano depois, em 2012, surgiu na Jordânia e na Arábia Saudita, o MERS-CoV que teve o dromedário como suspeito de o passar para o ser humano, provocando 790 mortes. Antes, já tinha havido epidemias como a “doença das vacas loucas” (anos 80), causada pela reciclagem de carcaças de ovelhas infectadas para alimento de gado bovino; a “gripe suína” (nova gripe A), a primeira pandemia do século XX, em 2009; o Dengue, provocado por um mosquito que coloniza nas águas da chuva em latas, poços, pneus e lixo industrial nas favelas e bairros de lata criados pela urbanização selvagem; a SIDA, que mata 2 milhões por ano;  a Malária, que mata 1 milhão por ano. Em 2013/14, o Ébola matou 5.500 pessoas.

A OMS a partir de 2016 tem convocado cientistas para identificar riscos de uma nova pandemia, sabendo que desde 1940 surgiram no planeta mais de 400 doenças infecciosas, 50% causadas por bactérias, mas as mais epidémicas com origem nos 800 mil vírus que podem atingir humanos, sendo que se estima que existam 1,6 milhões de vírus desconhecidos. Mas as grandes potências (dos EUA à UE e à Russia) preferem investir na industria e na investigação armamentista do que na saúde e na investigação científica para fins pacíficos. E duvido que aprendam a lição. Está nas nossas mãos pressionar e exigir políticas que promovem a igualdade e o bem estar de todos os povos do mundo.

Os “saltos de espécies” dos vírus de animais para os humanos dão-se devido, principalmente, à destruição dos eco-sistemas, dos “habitat” dos animais, com a desflorestação, a urbanização caótica e, à semelhança de muitas outras doenças, como o cancro,  com a indústria alimentar insustentável que destrói o sistema imunitário dos animais com antibióticos, com o stress e maus tratos ao longo do processo de produção e transporte, para além de nos intoxicar directamente com agro-químicos cancerígenos como o glifosato. Há que ter mais respeito pelos animais, pela segurança alimentar,  pela Natureza e pelos Direitos Humanos.

(continua no próximo número)

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