João Matos do Vale

“A SUPER-MULHER”

Vou contar-vos a história da Super-Mulher. A Super-Mulher que eu conheço e que faz o favor de ser minha amiga. Poderia ter qualquer nome, mas por uma questão prática vou chamar-lhe Maria.

Maria sempre acreditou no amor, mesmo quando apenas teve como recompensa de tudo quanto deu às pessoas com quem se envolveu, a dor, a indiferença e o desprezo. Mas Maria sempre acreditou no amor e sempre entregou às relações que foi tendo por inteiro, pois dizia que só assim é que se pode amar.

Ainda muito jovem conheceu o jovem Tiago com quem namorou durante uns anos até se casar com apenas 21 anos. Foi mãe no ano seguinte e com 25 anos já era mãe de um casal. Pouco tempo depois o amor foi esfriando, quiçá por culpa dos dois e o casamento terminou.

Com dois filhos jovens nos braços, voltou a encontrar o amor nos braços de um outro homem. Bernardo fê-la de novo acreditar que o amor era possível e que os erros do passado servem para nos prepararem para o futuro. Em pouco mais de um ano estava de novo grávida. Dizia-me com algum humor que nascera para ser mãe e que engravidava com toda a facilidade.

Mas de novo o destino lhe foi cruel e com apenas 28 anos, estava de novo sozinha, triste e amargurada. As despesas aumentaram, pois quem é mãe ou pai, sabe bem a despesa que trás o nascimento de um filho. Ciente das dificuldades que tinha de enfrentar, abandonou o curso superior que frequentava, para se dedicar quase em exclusivo ao seu emprego. Redobrou esforços, fez horas extras e prescindiu vezes sem conta de pequenos prazeres que tinha na vida para que nada faltasse aos seus filhos e quando se fala em pequenos prazeres, estamos a referirmo-nos a um simples jantar com amigas ou a um café fora de casa.

Prometera a si mesma que iria ficar pelos três filhos que já tinha, pese embora ainda não tivesse fechado a porta à felicidade e ao amor. Sabia bem os sacrifícios que teve de fazer para que tudo o que os filhos precisassem pudessem ter.

Mas a vida por vezes prega-nos partidas e com Maria não foi diferente. Com 32 anos conheceu um empresário da sua idade e mesmo alertada por algumas amigas que o conheciam e que o referenciavam como um “bom-vivant”, Maria decidiu entregar-se a ele. Mário (chamemos-lhe assim) fez-lhe promessas de amor eterno e confidenciou-lhe o sonho de ser pai. Cega pelo amor que tinha por ele, acabou por lhe ajudar a concretizar o sonho. Pouco depois de ter completado os seus 33 anos, Maria dava à luz o seu quarto filho. Estava feliz, mas a sua visão do paraíso iria sofrer um rude golpe pouco depois. Com apenas 3 meses de vida num exame de rotina, a pediatra teve suspeitas de que o bebé poderia padecer de um problema cardíaco. O mundo de Maria desabou. As lágrimas de felicidade que tinha a cada sorriso do seu último filho, deram lugar a lágrimas de angústia, incerteza e de dor.

Viu-se obrigada a permanecer junto ao bebé no hospital, durante os pouco mais de trinta dias em que ele esteve internado. Durante esse período de tempo o progenitor (recuso-me a chamá-lo pai e verão porquê), decidiu abandonar o lar para ir viver com uma jovem de vinte anos que era sua secretária. Mas mais grave do que o abandono do lar e o abandono de Maria, foi o abandono e o desprezo ao filho.

Maria entrou numa espiral negativa, caindo numa profunda depressão, mas resiliente como é, vestiu de novo o seu fato de super-mulher, arregaçou as mangas e partiu para a luta.

Sabendo que as despesas aumentavam exponencialmente, decidiu arranjar um segundo emprego, chegando a trabalhar em conjunto mais de 12 horas por dia. Dizia-me á dias que tem os melhores filhos do mundo e que são eles a razão das forças que vai encontrando.

Esta é a história de Maria. Uma Maria como tantas que nós conhecemos que de um momento para outro são mães e são pais ao mesmo tempo, quantas vezes porque os progenitores apenas delas se lembraram nos ditos onze minutos imortalizados por Paulo Coelho em livro.

Dentro de dias irá comemorar-se “erradamente” o Dia da Mãe, pois para todas as mães (aqui também excluo as progenitoras), todos os dias são dias da mãe, independentemente da idade dos filhos. Para mulheres como a Maria, todos os dias são dias de ser uma Super-Mulher. E que ninguém me diga que a Super-Mulher é uma personagem de ficção.

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