António Gouveia
Enviesamentos racionais - por Deus não há-de ser nada!
O Professor do IST e diretor do INESC, Arlindo de Oliveira, num texto didático e eloquente, fala-nos de “enviesamentos racionais” com que nos confrontamos e resultam, principalmente, da nossa “incapacidade para analisar de forma fria e objetiva a informação que temos disponível”, mais, “enviesamentos de negatividade”, tendência para nos focarmos mais no que é negativo, talvez por que a comunicação social sempre desvaloriza as boas notícias e bons exemplos e valoriza as más, vendem mais. Assim tem acontecido com o que se passa na política, na justiça, no futebol, e agora na saúde, o covid-19, elas caem nas manchetes provocando temores arrasantes, potenciadores de medos e ameaças, impedindo-nos de reagir com oportunidades de as ultrapassar. Tivemos agora um aviso tardio, mas oportuno do PR, também ele culpado, quer ser bonzinho, prefere vestir a bata do médico anestesista que dulcifica a cirurgia no sono e não a do cirurgião que tem de abrir, ver e cortar mazelas físicas. Desta vez, um volte face, alertou-nos para “este início de legislatura com sabor a fim de ciclo”. Não sendo novidade, já tínhamos percebido, governar em minoria, com tratos de polé, as mezinhas do costume, ervinhas de cheiro e de chás, a desoras, sem conduto, como dizemos na aldeia, não resulta, nem alimenta, não engorda, não fortalece, António Costa deitou foguetes (ou mandou deitar), explodiram e lá foi o porta voz do filósofo, o Vitalino, ansioso para juíz do TC, apanhar as Canas caídas no Parlamento que não lhe fez a vontade. Catarina Mendes, ali líder do PS, um dos “pistoleiros” do PS, (Francisco Louçã dixit, bem) bradou estar a democracia em perigo, nem percebeu, na pressa, que o Parlamento é, objetivamente, a casa da democracia, não da ditadura. O mesmo com o Montijo, é preciso desafogar a Portela, um facto, ninguém o repudia. Mas, parar no Samouco, na Ota, em Alverca, Alcochete ou outro lugar mais descampado, faz toda a diferença, os problemas ambientais estão aí nas alterações climáticas bem visíveis, não podem ser mascarados conforme os interesses em jogo, o PM e estes seus “pistoleiros” não podem continuar nesta teimosia sem perceber que Portugal dispensa um governo minoritário assim; pior ainda, composto de famílias chegadinhas, precisa de um governo abrangente, sério e competente, menos ideológico – onde ela já vai, a ideologia! -, no qual todos os líderes possam assumir a responsabilidade de traçar um plano de emergência e contingência (não é só para o corovid-19), um programa de grandes reformas que tardam e deve ser cumprido, passo a passo, com rigor na execução. Se o PM e os partidos não assumirem este desiderato, se não derem o exemplo a esta administração pública que se arrasta penosamente sem uma linha de comando e controlo, pior que fim de ciclo de que nos falou o PR, será o nosso futuro a estar em causa. 2020 será 2008, a economia, agora reduzida pela provável pandemia corovid-19, outro tsunami ainda borbulhante, mas a aproximar-se perigosamente, poderá arrasar-nos outra vez, o que se passa nas bolsas mundiais é já um alerta. De facto, apesar do perigo e impacto que ela transporta no reboque, o seu arrefecimento poderá ser benéfico, temos andado (todos, o mundo em geral) meio loucos e sem freio nos dentes. O Governo vai perder Mário Centeno para o Banco de Portugal, AC não deve insistir nesta teimosia de poder e isolamento, é imperioso falar franco e direto, encontrar uma coligação de interesses para o país (só à esquerda, não vai dar), a política é mais serviço do que poder, este é-lhe inerente e natural, deve ser doseado e sensato. Sabemos, o PS de António Costa mesclou o aparelho de Estado com o do PS mais do que era habitual, um erro clamoroso, não são esses os verdadeiros interesses da nação, sim resolver os seus problemas, selecionar os melhores e mais capazes, já chega tudo o que de muito mau vai por aí Infelizmente e perigosamente, já nem a justiça escapa, o presidente do STJ assumiu-o com coragem. Não é habitual, foi bom ouvir.
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