Carlos Vieira e Castro

Uma novela com 16 anos...

Uma novela com 16 anos

Obras nas Urgências do Hospital de Viseu e Instalação da Radioterapia e do Centro Oncológico

No passado dia 25 de Janeiro, perto de três centenas de pessoas concentraram-se no Rossio de Viseu, numa manifestação convocada pela Liga de Amigos e Voluntariado do Centro Hospitalar Tondela Viseu, para protestar contra a demora na contratação das obras de ampliação do Serviço de Urgência do Hospital de Viseu, bem como pela instalação da unidade de radioterapia e do Centro Oncológico.

A convocatória manteve-se mesmo depois da ministra da Saúde ter anunciado um novo concurso para as obras. O anterior foi anulado por atraso na respectiva contrapartida nacional por parte do Governo, que seria de pouco mais de um milhão de euros, sendo o restante garantidos pela CIM Viseu Dão Lafões, recorrendo a fundos comunitários, porque, entretanto, a empresa que ganhou o concurso alegou terem aumentado os preços orçamentados.

Entre as várias moções  aprovadas por unanimidade na Assembleia Municipal de Viseu,  conta-se a que eu próprio apresentei, enquanto eleito do BE,em Fevereiro de 2016, para “manifestar ao senhor Ministro da Saúde a necessidade da instalação urgente e sem mais protelamentos da Unidade de Radioterapia no Centro Hospitalar Tondela/Viseu, o estabelecimento do Serviço Nacional de Saúde com maior capacidade técnico-científica e melhor centralidade geográfica para acolher esta unidade, de acordo com o Estudo da Entidade Reguladora da Saúde, publicado em 2012”. Nessa moção fazia o historial desta “novela”:

Em 3.09.2004 (há quase dezasseis anos), o Conselho de Administração do Hospital de S. Teotónio solicitou ao Ministro da Saúde a instalação de uma unidade de Medicina Nuclear e de Radioterapia, nos terrenos cedidos para o efeito; em 17.12.2004, o Ministro da Saúde autorizou, por despacho, a criação de uma unidade de Medicina Nuclear no Hospital de S. Teotónio, em regime de ambulatório, e outra no Centro Hospitalar da Cova da Beira; em 2010 (há 10 anos), a Administração Regional de Saúde do Centro apresentou ao Ministério da Saúde um projecto para a criação do Centro Oncológico em Viseu, com unidade de Radioterapia e Medicina Nuclear; em 2013, o Ministro Paulo Macedo (PSD) considerou que a Unidade de Radioterapia teria de ceder o passo a outros investimentos mais prioritários.

No entanto, dois meses depois de esta moção ter sido aprovada por unanimidade, o presidente da Câmara de Viseu chegou a anunciar, na Assembleia Municipal, com enorme júbilo, ter garantias por parte do governo de que a unidade de radioterapia viria para Viseu… para o Hospital da CUF (!!!). Almeida Henriques, “o grande facilitador”!

Em Julho de 2017, o Secretário de Estado da Saúde, prometeu que as obras iniciariam ainda naquele ano e que a valência entraria em funcionamento em 2019. E o governo de Costa, apesar de ter contemplado no Orçamento de Estado um reforço de 800 milhões para a Saúde, conforme exigido pelo BE, ainda está longe de suprir o subfinanciamento crónico do Serviço Nacional de Saúde que tem levado à degradação das condições de trabalho dos seus profissionais e do atendimento aos utentes. O SNS não tem cativações directas porque a lei do Orçamento não o permite, mas as instituições  de saúde perderam autonomia face ao controlo apertado do Ministério das Finanças. Poupar na Saúde sai sempre mais caro, como se vê no hospital de Viseu, e acabará por provocar uma doença crónica, ou mesmo incurável, do SNS.

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