Entrevista a João Lopes

Vereador na Câmara Municipal de Mangualde

A rubrica “Gente Que Ousa Fazer” será assente numa entrevista a alguém que tenha algo válido no seu percurso de vida.

Gente que sabe o que quer e, acima de tudo, que luta por aquilo que quer. As entrevistas serão sempre encaminhadas de forma a mostrar o lado melhor que há em cada um de nós e, dentro do possível, ousar surpreender o leitor.

Serão entrevistas com a marca das nossas gentes, da região Viseu Dão Lafões, de todos os quadrantes e faixas etárias. Vamos a isso!

 

Ficha Biográfica

Nome: João Lopes

Idade: 49

Profissão: Consultor

Livro preferido: Apesar de não ler tanto quanto deveria e gostaria, tenho alguns livros de que gosto, particularmente. O que li mais recentemente é “O homem de Constantinopla” de José Rodrigues dos Santos e que gostei.

Destino de sonho: Tenho um particular desejo de conhecer a cidade que nunca dorme, Nova Iorque e as cataratas de Niagara, relativamente próximas.

Personalidade que admira: Sem que isto signifique qualquer presunção da minha parte ou menosprezo por todas as personalidades eleitas todos os anos nas revistas da especialidade, elejo as minhas filhas como a minha fonte de inspiração e por quem procuro, todos os dias, ser melhor pessoa. Nutro alguma admiração pelo Papa Francisco que muito me surpreendeu com o seu pensamento e dinamismo.

 

Muito obrigada, Senhor Vereador João Lopes, por mostrar disponibilidade para esta entrevista da rubrica “Gente Que Ousa Fazer”. Comecemos pelo princípio.

Paula Jorge (PJ) – Pode descrever-nos o seu percurso académico?

João Lopes (JL) – Tem sido um percurso perfeitamente normal, como o de tantos outros estudantes, mas que considero ainda por finalizar, porque aprender e estudar é um processo que só deve terminar com o fim da vida. Embora a minha formação seja na área das Ciências Sociais e Políticas, destaco duas atualizações, apenas por se tratarem de aprendizagens que ocorreram em momentos importantes da minha vida: Curso de jornalismo na Rádio Renascença/TVI e Curso de Aplicações Financeiras em mercados Bolsistas.

PJ – Senhor Vereador João Lopes, fale-nos do seu percurso profissional.

JL – É um percurso profissional desde cedo, desde relativamente jovem. Fui estagiar para um jornal de nível nacional. Despois disso, acabei por não seguir a carreira jornalística embora tenha estado no embrião da TVI, na Rádio Renascença, numa primeira fase, a fazer a preparação para a abertura da TVI, mas, depois, como isso implicava ter que ficar em Lisboa, acabei por decidir vir para a minha terra e candidatei-me a uma vaga como chefe de secção no Grupo Sonae tendo sido um dos responsáveis pela abertura do hipermercado que hoje tem o nome de Continente. Portanto, foi daí que começou a minha carreira profissional. Depois disso estive na indústria farmacêutica alguns anos e já há 10 anos que estou como Vereador na Câmara Municipal de Mangualde.

PJ – Que balanço faz destes anos em que integra o executivo da Câmara Municipal de Mangualde como Vereador da Cultura e Património Histórico, Modernização Administrativa, Biblioteca e Arquivo, Gestão de Transportes, Energia, Diáspora, Ambiente e Salubridade e Toponímia?

JL – Olhe, muito enriquecedor e desafiante! Desafiante, porque quando chegámos ao Município, quando chegámos à Câmara em 2009, tendo consciência que as coisas estavam difíceis e também tendo assumido este compromisso numa altura em que o país estava a atravessar (o país e o resto da Europa e até o mundo todo) uma crise financeira grande, nós tínhamos alguma consciência que as contas do Município não estavam famosas, mas veio a revelar-se que afinal ainda estavam pior do que aquilo que nós imaginávamos. Portanto, isso obrigou-nos a ter um conjunto de desafios enormes que felizmente foram bem acolhidos pelas populações. Lembro-me que no início tivemos que cortar a energia elétrica no período da noite e as pessoas, na sua generalidade, compreenderam o porquê de termos de fazer isso, como uma medida de poupar dinheiro. Essa era uma das minhas tarefas, a parte da energia, portanto, foi uma decisão difícil, mas que tivemos que tomar e fizemo-la como uma medida drástica, digamos assim, mas absolutamente necessária na época. Mas, têm sido anos muito enriquecedores, o lidar de perto com as populações, estar envolvido nas áreas como estou, nomeadamente na parte cultural e perceber que há um caminho todo percorrido nestes últimos 10 anos. Quando há 10 anos, num primeiro espetáculo que fizemos, estavam 20 ou 30 pessoas a assistir (e era gratuito) e hoje fazemos teatro e música, a cobrar bilhete, e estão cheios e até esgotam com alguma antecedência – isso deixa-nos orgulhosos do caminho feito e também com alguma tranquilidade para o caminho que falta fazer e deixa-nos também com a perspetiva de que está aqui uma boa base de trabalho para poder fazer novas coisas no concelho.

PJ – Neste momento, relativamente ao município de Mangualde, quais são as suas prioridades?

JL – A nossa grande prioridade atualmente passa por recuperar o nosso velho cineteatro. O cineteatro não era da Câmara, era de um privado. Em 2013, no final do primeiro mandato, fomos conhecedores que o edifício estava hipotecado numa entidade de crédito e essa entidade de crédito queria vendê-lo para o retirar do seu balanço, na parte negativa que tinha no balanço, e então negociámos com essa entidade, conseguimos um bom negócio, porque a entidade permitiu-nos que fossemos pagando de forma suave. O edifício está pago já e temos um projeto para ele de recuperação e que, tudo a correr como está previsto, até ao final deste primeiro semestre será lançado o concurso para a recuperação do velho cineteatro que há-de renascer das cinzas, porque ele está mesmo todo degradado, está em ruínas, no centro da cidade. Acaba por ser também uma recuperação de uma peça emblemática da arquitetura urbana e vamos fazê-lo com grande satisfação, devolver-lhe a sua génese, a finalidade para que foi construído, para voltar a ter teatro, para voltar a ter música, para voltar a ter espetáculos, para voltar a ter cinema e, portanto, isso deixa-nos com alguma curiosidade de saber como é que vão ser os tempos que aí vêm depois de termos o nosso cineteatro recuperado. Esse é o nosso grande desafio! Temos muitos mais, na área do ambiente, estamos a construir 10 novas ETARs (Estações de Tratamento de Águas Residuais), algumas delas já estão em funcionamento, já estão completas/concluídas e tem sido o grande desafio. A par disso estamos também a fazer a regeneração urbana do casco velho da cidade. Esses são os grandes projetos, mas o cineteatro é aquele que é transversal, porque vai desde o norte ao sul do concelho, de este a oeste, atravessa todas as gerações, pelo menos nas memórias, porque já há 30 ou mais anos que ele está fechado, mas as suas memórias permaneceram e as gerações de hoje ainda se perguntam o que é que lá acontecia e nós temos feito um trabalho já há uns 7 ou 8 anos, em que vamos anunciando, todas as quinzenas, coisas que aconteciam no cineteatro para fazer voltar essas memórias boas que as pessoas viveram.

PJ – Fale-nos um pouco de alguns entraves que possam apresentar-se como fatores impeditivos daquilo que pretende fazer pelo município de Mangualde.

JL – À cabeça voltamos sempre com a parte financeira, é o dinheiro que sempre nos limita, quer seja nas nossas opções pessoais, quer seja também nas nossas opções estratégicas quando estamos a tratar do coletivo, do Município e esse tem sido, de facto, um fator limitativo, apesar de se tornar também muito desafiante, porque obriga-nos a pensar em várias alternativas, quando os meios são escassos obriga-nos a que, efetivamente, saibamos aproveitá-los da melhor forma e sermos criativos e é isso que temos feito e estou convencido de que vamos continuar a fazer nos próximos tempos, porque, apesar de hoje estarmos com uma folga financeira que não tínhamos há 10 anos quando chegámos à Câmara, porque já pagámos uma boa parte da dívida. Mais de metade da dívida que tínhamos está paga, mas temos um conjunto de projetos, que eu já citei, que nos obrigam a ter a garantia da nossa parte de termos financiamento próprio para levar estes projetos por diante. Porque, apesar de serem financiados, há pelo menos 15% destes projetos que a garantia tem de ser apresentada pelo Município, tem de ser uma garantia real, tem de ter tesouraria para poder avançar com essas obras, com esses projetos e, portanto, isso acaba sempre por nos limitar noutras possíveis escolhas que pudéssemos fazer, mas como a escassez nos impõe essas escolhas, nós também temos sabido fazê-las, penso eu, e as pessoas têm compreendido.

PJ – Qual o sentimento que o domina quando está no terreno ao serviço da população que elegeu o executivo do qual faz parte?

JL – É um sentimento de grandes emoções, de um turbilhão de emoções, de orgulho, sobretudo, por aquilo que temos feito e por sentir que os mangualdenses depositaram em nós a confiança para poder gerir os destinos do concelho nestes 12 anos, nos quais 10 já estão cumpridos. Esse, naturalmente, é um sentimento que nos deixa com uma grande responsabilidade, mas também com um grande orgulho, no sentido em que fizemos parte da história desta terra. Sabemos, para o futuro, que qualquer outra equipa que venha vai ganhar um legado, como nós. Nós recebemos um legado, e os outros que estiveram antes de nós receberam um legado e, portanto, isto acaba por ser uma transmissão de heranças de geração em geração e deixa-me, de alguma forma, satisfeito que as minhas filhas possam, um dia mais tarde, recordar o pai como tendo feito parte de uma geração que também assumiu a si as responsabilidades da gestão e dos destinos deste concelho. Naturalmente, isso, com toda a carga emocional que possa ter, deixa-nos satisfeitos. Mas não é só a mim, com certeza que a todos aqueles que têm passado por estas responsabilidades, é um sentimento que fica, de ter procurado fazer o melhor que sabia e podia, com os meios que se tinham à disposição, mas também de saber que, de alguma forma, ficará marcado na história do percurso do concelho.

PJ – O que é que ser Vereador do Executivo da Câmara Municipal de Mangualde mudou em si enquanto pessoa?

JL – Olhe, eu tenho para mim que não são os cargos que fazem as pessoas. São as pessoas que fazem os cargos, porque quando é o contrário, vamos ao encontro daquilo que diz o povo “se queres conhecer o interior de uma pessoa dá-lhe poder e vais ver se ela é boa ou má pessoa em função daquilo que ela fizer do poder que tem”. Portanto, eu prefiro pensar que somos nós que fazemos o cargo que nos foi confiado. Eu penso que sempre fui tolerante, mas isso também me obrigou a ser ainda mais, porque temos de conviver todos os dias com opiniões bem diferentes e distintas da nossa, quer seja nas opções que nós tomamos, quer seja mesmo nas ideias que temos para o futuro do concelho e isso, de alguma forma, obriga-nos, muitas das vezes, a ter a elasticidade suficiente para saber rejeitar opções que seriam mais de acordo com aquilo que nós pensamos e com a nossa forma de ser, porque nós não estamos a trabalhar para nós, estamos a trabalhar para terceiros, estamos a trabalhar para os outros, estamos a trabalhar para quem nos elegeu e, portanto, isso, muitas das vezes, também nos obriga a ter esta elasticidade. Tem-me deixado muito satisfeito o contacto com as pessoas, com as populações, isso é das coisas mais gratificantes que levarei, com toda a certeza, daqui, no dia em que sair do Município, das funções que desempenho. A riqueza que foi o contacto com as pessoas tornou-me melhor pessoa, porque nós não temos só coisas para dar aos outros, nós temos muito para receber dos outros e quando recebemos dos outros e sabemos cozinhar bem (deixe-me usar a expressão) aquilo que recebemos e aproveitar bem aquilo que é de aproveitar e rejeitar aquilo que não é de aproveitar, então aí eu acho que nós podemos enriquecer-nos enquanto pessoas e eu procurei fazer isso. Vamos ver se ao final de todo este tempo vou conseguir, mas penso que sim.

PJ – Muitas histórias terá guardadas, quer partilhar connosco aquela que mais o marcou no seu percurso ao serviço do município de Mangualde?

JL – A que mais me marcou e que eu guardarei na memória em termos negativos, porque as nossas memórias são feitas de emoções, sejam elas negativas ou positivas, os psicólogos dizem exatamente isso, que é mais fácil guardar memórias quando há uma emoção que as vincula, que está associada a elas, e nós vivemos um momento dramático em 2017, com os incêndios que assolaram esta região, e essa é uma memória, porque eu vivi de perto, junto das pessoas, junto das populações, o drama que estava a ser vivido – as pessoas a perderem os seus bens, algumas a ficarem sem casa e a arriscarem a sua própria vida para tentar salvar aquilo que tinham e essa memória eu estou convencido que dificilmente se apagará da minha memória, porque ela ficou muito forte. Viver esse drama das pessoas, com as pessoas, e no dia seguinte acordar e ver tudo queimado, aquilo que era uma mancha verde, estava uma mancha negra, cheia de fumo e de cinzas. Isso, eu penso que vai marcar. Tudo de bom que nós fizemos ficará marcado, naturalmente, mas há sempre esta parte trágica que, de uma forma ou de outra, acabará sempre por nos recordar que em 2017 aconteceu alguma coisa que nós não esperávamos nunca que tivesse acontecido, que foi mais de 40% ou 50% do concelho ter ardido. Não foi a totalidade como noutros concelhos aqui ao lado, vizinhos, que viveram momentos ainda mais dramáticos, mas isto é uma coisa que deixa marcas e essa marca vai ficar. Mas temos sabido ultrapassar em memória e temos seguido em frente, fazendo o que é preciso para devolver às gerações futuras um concelho verde como o que tínhamos.

PJ – Pedia-lhe, Senhor Vereador João Lopes, para estabelecer uma ponte entre as potencialidades da região do Dão e da região de Lafões.

JL – São duas regiões que têm muito a ver uma com a outra, muito próximas em termos culturais, a começar pelas pessoas que nela habitam, que são pessoas que não desistem, que são determinadas, que são lutadoras, são persistentes, que não atiram facilmente a toalha ao chão. Isso nota-se muito bem na diáspora, por exemplo, das gentes desta região, que são pessoas que pelas dificuldades que tiveram na vida, nunca desistiram e foram à procura de vidas melhores por outros lados. Mas, também se nota na história que herdámos e na história que recebemos, lembrando-nos algumas lutas dos povos que cá habitaram para manter a integridade do território, de um território que hoje mantem uma marca e características muito próprias, mas também muito homogénea entre si, quer seja no património arquitetónico, quer seja no património paisagístico, quer seja no património cultural que herdou dos seus antepassados. É uma região que está aqui, mais ou menos, entrincheirada entre algumas das principais montanhas do país e, portanto, isso dá-nos algumas características que são desafiadoras para o futuro. É uma região também que, neste momento, vive um problema muito semelhante, que é transversal ao interior do país, que é o problema do despovoamento obrigando-nos, a todos, a sermos mais cooperantes uns com os outros e a olharmos para o território, para a região, como um só e não como a “quintinha” de cada um. Não olharmos cada concelho per si, mas vermos cada concelho como a parte integrante de uma família, de um território que se quer preservar e que quer permanecer na história do país. Eu costumo dizer que nós acordámos um dia, quando fomos postos neste mundo, acordámos com esta realidade, uma realidade que nos remete para o despovoamento, como disse há pouco, porque isto é cíclico. Já tivemos ciclos em que as pessoas viviam e abundavam neste território e agora temos um ciclo em que as pessoas, por razões variadíssimas, quer seja por razões demográficas e de natalidade, porque hoje por opção, por razões sociológicas, as pessoas têm menos filhos e isso faz com que as famílias sejam menos numerosas. Portanto, todos esses fatores em conjunto e o facto de termos sofrido uma grande sangria no tempo em que as pessoas viviam aqui com muitas dificuldades e tiveram que procurar oportunidades fora do país ou na capital, nas grandes cidades, isso fez com que o território fosse de facto sofrendo com isso. Mas, estou convencido que hão de vir tempos em que voltaremos a ter escolas com muitas crianças, voltaremos a ter um território com muitas pessoas. Quem cá está agora tem que fazer o trabalho com aquilo que tem, respeitar aquilo que herdou e projetar para o futuro sempre com a esperança e com a confiança de que amanhã será melhor. É isso que eu acredito para esta região, porque tem muito a dar ao turismo. Portugal está na moda! Mas, Portugal não é só o Algarve, ou só Lisboa, ou só as praias. Hoje há um turismo muito específico e o Douro tem sido a prova disso. Há um turismo que atrai pessoas às regiões mais remotas e mais profundas. Ora, nós somos um país pequeno, não podemos dizer que temos verdadeiramente regiões remotas ou profundas, porque um país que se atravessa de um lado ao outro, da fronteira até ao mar, em cerca de 2 horas de automóvel, não é um país com uma grande interioridade, digamos assim. Que dirão os espanhóis, sobretudo aqueles que para verem o mar têm que andar 700 Km ou mais. Que dirão os americanos, aqueles que vivem mesmo no meio da América, que têm que fazer 6, 7 ou 8 horas de voo para ver o mar, por exemplo. Portanto, nós temos que também relativizar um bocadinho esse discurso e eu acho que esta região está a preparar-se bem para isso.

 

PJ – Porque os jovens são o futuro, acha que os jovens, atualmente, acompanham e dão valor à política?

JL – Eu acho que, como disse há pouco, a história é feita de ciclos. O Mark Twain dizia que a história não se repete, mas rima. Ora, as rimas dizem-nos que há uma sonoridade igual ou semelhante para que na poesia haja rimas. Portanto, a história não se repetindo e rimando, quer dizer que há coisas que se repetem, que há alguma coisa que é comum e nós já tivemos esse tempo que a juventude pouco ligava, ou pouco se interessava pela política, tivemos um tempo em que a juventude se interessava, se calhar estamos a ter um tempo em que a juventude está outra vez, de novo, a despertar para estas causas. Não podemos esquecer é que a política vem da polis e a polis são as pessoas, todas aquelas que se interessam pela sua terra, pela sua região e essas, queiramos ou não, estão a fazer política, muitas das vezes nos movimentos associativos, muitas das vezes nos movimentos desportivos, muitas das vezes onde quer que seja que haja alguém que tem uma opinião, que tem uma voz e que procura com essa opinião e essa voz fazer um bocadinho diferente daquilo que está feito. Tudo isso é política! Nesse sentido, não podemos também ficar desacreditados desta geração ou achar que esta geração é um fracasso. Eu ouvi isso da minha geração também, ouvi os da geração anterior dizer que a minha geração não tinha futuro e cá estamos, hoje! Com mais ou menos dificuldades, com um percurso mais dinâmico ou menos dinâmico, a verdade é que estamos cá! E, portanto, estes jovens têm uma preparação diferente da nossa, como nós tivemos uma preparação diferente dos nossos pais, mas eu mantenho uma grande confiança na juventude e acho que para eles está reservado um grande desafio, que é o desafio das alterações climáticas e em virtude disso também penso que estão mais atentos a esta realidade e estão mais inclusivos, sentem-se mais sociedade e sentindo-se mais sociedade também se sentem na obrigação de participar e essa participação é política. Penso que, verdadeiramente, os jovens não estão arredados da política, embora exista o desafio de incluir mais a juventude nas nossas opções políticas.

PJ – Além da política, que outras paixões nutre, que o completam enquanto pessoa?

JL – Para mim, a minha família, sobretudo as minhas filhas, continuam a ser uma grande paixão e eu tenho naturalmente outras coisas que gosto de fazer na vida, para além da política. A política é uma paixão, como disse e bem, mas há outras coisas que são interessantes e que são boas de fazer e o pouco tempo que vou passando com as minhas filhas, quando vamos ao cinema ou quando vamos jantar é um tempo que me deixa cheio, de alma cheia.

PJ – Apenas numa palavra, pode descrever-se?

JL – É muito difícil eu próprio falar de mim. Sendo eu a pessoa que melhor me conhece, é muito difícil falar de mim. Como alguém diria, nós somos uma trilogia: o eu público, o eu privado e o eu íntimo, que só eu mesmo conheço. Portanto, eu estar aqui a definir-me, não posso nem falar mal de mim, mas também não posso falar muito bem de mim, senão estou a ser juiz em causa própria. Sou uma pessoa normal, uma pessoa como as outras. Tenho naturalmente coisas diferentes e que me distinguem e são essas distinções que, no meu caso, me fazem diferente de outros, como outras pessoas são distintas de mim e esta distinção unida acaba por criar laços e completar e complementar.

PJ – Para fechar esta entrevista, o que me diz o seu coração?

JL – É outra dificuldade que eu tenho. Apesar de não parecer, também sou um pouco sentimental, mas estou cada vez mais racional. Cada vez mais a razão supera a minha emoção, apesar de que há coisas que é impossível deixarem-me indiferente a elas. Ainda hoje me emociono com coisas que vejo, ou por boas razões ou por más razões, e embora possa emocionar-me com alguma facilidade continuo com a minha razão muito apurada. Sou muito racionalista naquilo que faço e, portanto, dificilmente me deixo conduzir pelo coração, difícil…

PJ – Quero, em meu nome pessoal e em nome da Gazeta da Beira, dizer-lhe que foi uma enorme honra, Senhor Vereador João Lopes! Desejo-lhe a continuação de um excelente trabalho e MUITO OBRIGADA!

Peço-lhe que deixe uma mensagem breve a todos os nossos leitores.

JL – Bom, o que eu posso desejar é aquilo que também desejo para mim próprio, é que tenham um resto de um ano em que os desafios sejam totalmente superados, que façam cada vez mais uns pelos outros, porque nós não vivemos sozinhos no mundo. Temos sempre que considerar que estamos cá de passagem e por isso, sendo únicos, não somos os únicos e, portanto, isso deixa-nos uma responsabilidade tremenda, no sentido de pensarmos sempre que há alguém que ao nosso lado pode estar a precisar da nossa ajuda, do nosso apoio e que a sociedade faz-se de um conjunto alargado de pessoas e de pensares. É essa a mensagem que eu gostava de deixar, não estamos sozinhos no mundo e isso faz de nós pontes para estabelecer elos entre uns e outros e que nos obriga a estarmos atentos ao nosso vizinho do lado, por exemplo.

 

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *