José Mário Figueiredo

O artista sampedrense de mão cheia

José Mário Figueiredo – O artista sampedrense de mão cheia

• Paula Jorge

Já conhecemos José Mário Figueiredo, natural de S. Pedro do Sul, porque, através de um diferente passatempo, fazendo de estátua viva, dá a conhecer a história da nossa terra, gentes, lendas e costumes, a todas as pessoas que passam e o contemplam nas Termas de S. Pedro do Sul. O que nos faltava conhecer era vertente artística da pintura, que desde tenra idade começou a praticar.

Questionado sobre o surgir deste talento, José Mário Figueiredo recorda: «Desde jovem sempre tive interesse pelo desenho, quando andava a estudar sempre tive boa nota a Educação Visual. Lembro-me, tinha uns 12 anos, estive internado no hospital de Viseu e tinha de encontrar uma forma de passar tempo, então resolvi pedir um bloco de papel e um lápis e mãos à obra, desenhava a caricatura de todos os enfermeiros e médicos que faziam parte daquela enfermaria, mas deixava sempre o bloco de desenho  escondido debaixo do armário que ficava ao lado da cama, com receio que eles o vissem e até levassem a mal. Então um dia alguém resolve comentar que eu estava a fazer as caricaturas, deixam-me dormir e decidem espreitar o bloco de desenho e lá estavam eles a reconhecerem-se nas caricaturas por entre risadas. Sou autodidata, não tenho formação de Belas Artes, gosto de pegar numa tela, numa espátula e deixo a imaginação fazer o resto».

A propósito da altura em que começa a mostar ao público os seus trabalhos, José Mário Figueiredo responde: «Fiz uma ou duas mostras dos meus desenhos, isto em 1981, numa papelaria que existia na Rua Serpa Pinto (no Sr. Silva) e não passou disso. Mais tarde, já em idade de mancebo, também mostro aptidão para o desenho, no serviço militar BETP (Base Escola de Tropas Pára-quedistas), com vários trabalhos, alguns dos quais acabaram por ser executados em esculturas, e estas estão na então Base Aérea de S. Jacinto/Aveiro , BOTP 2 (Base Operacional de Tropas Pára-quedistas), no período de 1985 a 1989».

Quanto ao valor monetário que pode advir desta arte, José Mário Figueiredo reflete e partilha: «No decorrer da minha vida fiz alguns trabalhos para particulares, mas nunca nada que me desse algum sustento, fi-lo sempre pelo gosto».

José Mário Figueiredo conta-nos como tem mostrado mais recentemente a sua arte: «Num passado mais recente tenho mostrado mais este meu passatempo e o gosto pela pintura abstrata (Expressionismo). Tenho participado em alguns eventos regionais com a mostra e exposição de alguns trabalhos. Tenho participado noutros eventos como: Tradidanças, com mostra e pintura ao vivo e sempre em  parceria com a Casa d` Avó – Pisão, alojamento turístico local; Feira Medieval da Termalistur, pintura ao vivo, atelieres de pintura e pintura ao vivo na esplanada da Pastelaria Dom Afonso Henriques, nas Termas de São Pedro do Sul; Jardim de Infância da Misericórdia de São Pedro do Sul, exposição e pintura ao vivo; exposição na Suíça, centro português de Zofingen; Centro Cultural da Casa do Povo de Santa Cruz da Trapa, exposição; evento Ocupai, exposição pintura que esteve no Cine-teatro de São Pedro do Sul, entre outros. Tenho participado ainda em alguns eventos de solidariedade com a doação de vários trabalhos, como também muito recentemente em um projeto denominado Maça Rosa-Flor de autoria de João Marques e Margarete Silva, com alguns trabalhos de pintura sobre o tema “Feminilidades”, deixo aqui o agradecimento pela oportunidade de participação. Consegui seguir o rasto a alguns dos meus trabalhos, Suíça (16), Alemanha (1), Brasil (1), Inglaterra (2), França ((2). A maior parte do espólio por Portugal».

Relativamente às pinturas faciais, José Mário Figueiredo acrescenta: «Costumo participar e utilizar este meu gosto pela pintura fazendo pinturas faciais em várias atividades promovidas pelo município, como também em parceria com o Café Cantinho dos Artistas, onde mostro alguns dos meus trabalhos, sobretudo na época natalícia. Deixo aqui o meu agradecimento a eles (gerência)  pelo incentivo e motivação».

José Mário Figueiredo refere, a propósito de pessoas que o mundo artístico nos leva a conhecer, o seguinte: «Tenho vindo a conhecer gente muito interessante ligada à pintura, tanto na execução, como na promoção, sito alguns nomes: Daniela Alegria, Fátima Lobo, Filipe Tomé, Zé dos Anzóis, Niki White e Elisabete Chaves.

Para concluir, José Mário Figueiredo fala dos temas que mais gosta de pintar, assim como das suas motivações: «Os temas que gosto mais de pintar tem a ver com a minha terra, tenho retratado, de algum forma, as ruas de São Pedro do Sul e algumas paisagens. O que me motiva a pintar, talvez em primeiro de tudo pela tranquilidade que ao fazê-lo me é transmitida, o sossego do momento; em segundo, tenho encontrado nesta ação um refugio, um local para onde posso fugir aos meus momentos mais inquietos, também nos momentos mais alegres, mais relaxados, gosto de pegar numa tela e tinta, pelo prazer de mexer com as cores (tintas) acho que fico atraído, entro em transe, pela versatilidade das misturas das tintas; por último, pelo resultado final, por entre aquele caos de “espatuladas desordenadas” e sem princípios de regras, desponta no relevo da tinta algo que nos faz lembrar um  determinado local, um momento, um sentimento».

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