COISAS e GENTE da MINHA TERRA por Nazaré Oliveira
À maneira de balanço
À MANEIRA DE BALANÇO
A minha crónica anterior foi a número 50, embora tal não corresponda à numeração do jornal. Isso resulta do facto de as primeiras não terem sido numeradas.
Ao cabo de meia centena de crónicas, entendo que é tempo de fazer um balanço e algumas considerações.
Paralelamente à actividade docente, dedique-me à investigação histórica e à escrita. O meu campo de investigação foi a Região de Lafões, que estudei, por contacto directo e documental, em pesquisas em bibliotecas e arquivos, desde os locais à Torre do Tombo. Da informação colhida resultou a minha tese de licenciatura LAFÕES, SUBSÍDIOS PARA A SUA HISTÓRIA. Posteriormente, a elaboração de vários trabalhos que fui publicando, na imprensa regional, na Revista Beira Alta, no Millenium (Instituto Politécnico de Viseu), na Revista Portuguesa de História do Livro, neste caso a convite do Director, Prof. Doutor Cadafaz de Matos, que muito me honrou, pela categoria da revista e pela qualidade dos colaboradores, na maioria professores de Universidades europeias (Paris IV, Sorbonne, Barcelona, Collège de France). Ali deixei um trabalho com um tema de Lafões, SOBRE A NATURALIDADE DE DUARTE DE ALMEIDA), O DECEPADO DE TORO.
Após a aposentação, intensifiquei a minha actividade investigativa e publiquei alguns livros: A RAINHA D. AMÉLIA EM SÃO PEDRO DO SUL (1996), editado pela Câmara Municipal da presidência do Dr. Bandeira Pinho, por sugestão do Prof. Doutor Carvalho Homem, que o prefaciou e apresentou, em sessão comemorativa da presença da Rainha; TERMAS DE SÃO PEDRO DO SUL (ANTIGAS CALDAS DE LAFÕES), (2002-Palimage Editora), com o patrocínio da Câmara Municipal da presidência do Dr. António Carlos Figueiredo; A LENDA DE S. MACÁRIO, cujos direitos de autor cedi à Fábrica da Igreja de S. Martinho das Moitas que o vende no dia da festa; PARA A HISTÓRIA DA ASSISTÊNCIA NO DISTRITO DE VISEU ANTES DAS MISERICÓRDIAS (1998), em que Lafões ocupa lugar de destaque, desde a Albergaria de Reigoso à Gafaria do Banho e Hospital Real das Caídas de Lafões; DA ESCOLA DE DESENHO INDUSTRIAL À ESCOLA SECUNDÁRIA DE EMÍDIO NAVARRO (I898-I998).
Na revista Beira Alta, publiquei monografias sobre as freguesias de Baiões, Bordonhos e Vila Maior. Pena que não tenha tido tempo para as restantes freguesias, embora sobre elas e algumas dos concelhos de Vouzela e Oliveira de Frades tenha deixado vários artigos na imprensa regional, durante três décadas na Tribuna de Lafões e, depois, na Gazeta da Beira e outros jornais da Região. Por estas actividades, foi-me atribuído, em 2004, o PRÉMIO ANIM’ARTE INVEST INVESTIGAÇÃO.
A idade (90 anos) e problemas de saúde obrigaram-me a deixar a investigação. Já não disponho de mobilidade para me deslocar a bibliotecas e arquivos. Mas eu não queria deixar de escrever. Então, voltei-me para os arquivos da memória. Hoje escrevo exclusivamente para a Gazeta da Beira as minhas crónicas sobre Coisas e Gente da Minha Terra.
De tudo o que escrevo não tenho quaisquer registos ou apontamentos. Está tudo na memória. São vivências da minha infância, da minha adolescência e juventude. Algumas destas crónicas são “escritas” na noite, quando o sono tarda em chegar. As vezes, é necessário fechar os olhos para ver melhor. Depois, no dia seguinte, as ideias escorrem da pena para o papel.
As minhas crónicas pretendem ajudar as gerações mais velhas a recordar, e dar a conhecer às gerações mais novas um pouco de São Pedro do Sul de finais dos anos 30, anos 40 e primeira metade dos anos 50 do século passado. E reporto-me a estes limites temporais, porque em 1956 deixei de residir na minha terra, embora a ela ficasse sempre ligado por laços familiares, amizades e através da investigação e da escrita. Nas minhas crónicas, recordo acontecimentos mais ou menos importantes, episódios picarescos, perfis de figuras típicas, ambientes, hábitos, costumes e tudo o que caracterizou um espaço social e uma época de que eu próprio fui testemunha e participante. Procuro fazê-lo num estilo e linguagem acessíveis a todos os leitores do jornal da sua terra. Chegam-me ecos de que, de modo geral, gostam, até porque lhes falo de acontecimentos e coisas em que eles próprios e os familiares, pais, avós, participaram.
Quando preciso de avivar ou confirmar algumas lembranças, recorro à memória de meu irmão Licínio ou do meu amigo José Carlos Chã cuja inteligência e espírito estão sempre interessados no conhecimento de tudo o que diga respeito ao passado da nossa terra e me tem disponibilizado informação documental e fotográfica. Algumas vezes, uma fotografia tem sido o ponto de partida para uma crónica.
Aproveito para fazer um apelo às pessoas que tenham fotografias daquela época e as julguem de interesse o favor de mas emprestarem e que eu devolverei depois de digitalizadas (enviar para A. Nazaré Oliveira, Av. Alm. Afonso Cerqueira. Bloco 2 C – 3 9 E. 3510-022 Viseu). Algumas pessoas me têm cedido fotografias, entre outros, a Foto-Arte e o meu amigo e antigo aluno Dr. Alcides Pereira que, recentemente, me cedeu um conjunto valioso para ilustrar uma série de textos.
O responsável pela Palimage Editora, que tem lido as minhas crónicas, telefonou-me propondo-se publicá-las em livro, se a Câmara Municipal, à semelhança do que aconteceu com o meu livro sobre as Termas, em 2002, estivesse disposta a patrocinar, adquirindo parte da edição. Já estou velho e gasto para me meter nesses trabalhos. Já fico satisfeito por saber que uma Editora entende que as minhas crónicas mereceriam ser publicadas em livro. Por isso, enquanto a memória me não atraiçoar e a Gazeta da Beira me der guarida, vou continuar a escrever as minhas crónicas sobre Coisas e Gente da Minha Terra.
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