António Gouveia
Netflix, rede de filmes e de tragédias
O canal Netflix (Rede filmes) está na moda; com fama e proveito, acrescento, primeiro com O Irlandês, de Martin Scorsese, com Robert De Niro, Frank, o irlandês, ou Sheeran, motorista de camião; Al Pacino, o líder sindical Jimmy Hoffa; e Joe Pesci, o mafioso Russel Bufalino, nos maiores papeis, história baseada na máfia dos EUA, nos anos 50. Depois, Os Dois Papas, filme do brasileiro Fernando Meirelles, enredo meio real e ficção no encontro do papa emérito Bento XVI com o atual, Francisco, Anthony Hopkins, excelente e Jonathan Price como protagonistas, dois papas e personalidades diferentes. Também com três boas séries: The Crown (A Coroa), sobre a vida de Isabel II, rainha de Inglaterra e da coroa inglesa; Império Romano, sobre a vida dos seus (alguns) imperadores, Césares, naquele que foi o maior império de sempre, conquistador de um território igual à Europa de hoje mais o norte África e médio oriente, imensidão de prodígio e deslumbramento; por último, Os Últimos czares da monarquia russa, a família Romanov, assassinada pelo novo regime, a sua vida desde final séc. XIX e início séc. XX até à revolução de outubro 1917. São filmes e séries invulgares, excelentes lições de história para perceber melhor a política e a força do poder, meandros, motivações, ambições e, claro, também as angústias do poder e de quem decide. Ainda na moda, não em filme, mas na comunicação social, outra história, muito recente e nos toca de perto, sobre o mesmo tema: poder, política, riqueza e corrupção da poderosa família angolana dos Santos, com destaque para Isabel, a filha do patriarca José Eduardo. Narrativas que chocam quando comparamos o que vemos num vídeo recente na visita de um americano aos hospitais angolanos, a miséria de um povo que ganhou a liberdade em 1975, mas ainda não a percebeu nem conquistou, uma nação imponente de riqueza onde milhares de crianças morrem por desnutrição, falta de assistência médica e medicamentosa.
A corrupção, ativa e passiva, é pecha revoltante e muito antiga, também por isso sempre escondida e protegida, estas guerras cibernéticas e comunicacionais tipo Luandaleaks e outras, cada vez mais a fazem saltar, num ápice, para a ribalta dos noticiários sem medos. Visionando estes filmes e séries percebe que sempre assim foi, desde tempos imemoriais, há mais de 2 500 anos, no império romano, senadores, imperadores, governadores, centuriões, pretorianos e outros patrícios corrompiam e deixavam-se corromper; tal como hoje, outros nomes mas o mesmo “modus agendi”, enriquecer à custa do povo, deputados, presidentes, ministros, generais, cidadãos com muito poder, mas sem alma, e sem vergonha. As guerras de causas são hoje menos territoriais e cada vez mais comerciais, todas as guerras, direta ou indiretamente, iniciam-se por razões comerciais onde se fundem e confundem trocas, estipêndios, comissões, e espólios sonegados aos povos e nações. Na antiga Roma, os melhores imperadores, assassinados ou não, o povo, sempre lúcido, sentenciava-os; como “divinos”, quando governavam com sensatez e boa gestão; condenando-os, na célebre “damnatio memoriae”.
Por último ,por hoje. Rui Rio foi eleito e bem precisamos que, à sua maneira, se torne “divino” para o país e seu povo, ajudando a combater a corrupção, o ser humano não é perfeito, decorre da sua genética, “nascemos feitos”, como costumava filosofar minha saudosa mãe, assumimo-nos no nosso ADN, uma combinação de genes, bons e maus, que, aos poucos, a biologia e a genética vão descobrindo. Os melhores políticos e cidadãos devem fazer um esforço, o país precisa muito e o PS de António Costa começam com solavancos, problemas sindicais com perseguições na UGT e corrente socialista, não é bom nem augura bom futuro, assistimos a muito fogo de vista, muitas promessas e publicidade, mas não se sentem melhorias. Este problema de Isabel dos Santos (mais um) deixará mossa, Sonangol, EuroBic (ex-BPN), Nos, Efacec, irão entrar em desalinho, os ratos começaram a abandonar o navio, “ninguém irá sair bem deste problema”, disse a senhora e tem razão. Mas como ser de outro modo, varrer para debaixo do tapete o lixo e as malfeitorias de muitos anos como se tem feito? António Costa, se quiser ser sério e, também ele, ser “divino”, deve limpar a casa, expulsar os vendilhões e chamar a si os melhores cidadãos, mais dignos, mais sérios e competentes, é urgente fazê-lo.
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