Manuel Silva

E o milagre aconteceu

Antes da última eleição do líder do PSD, Pacheco Pereira escrevia na revista “Sábado” que a vitória de Rui Rio seria um milagre, dado o boicote interno que Luis Montenegro e seus apoiantes lhe tinham feito, essencialmente em períodos eleitorais, ser a ala direita do PSD muito parecida com a alt-rigt (direita dura) protagonizada, entre outros, por Trump, Salvini ou Steve Bannon, o ideólogo da extrema-direita moderna, e ter contra si a generalidade da imprensa, com destaque para o jornal mais reaccionário de Portugal, o “Observador”, onde pontificam  João Carlos Espada, o ministro da Educação de Passos Coelho, Nuno Crato, e José Manuel Fernandes. Todos têm em comum haverem começado no PCP(m-l), que pouco antes do 25 de Abril se cindiu em dois, a facção Vilar e a facção Mendes, passando a pertencer a esta última, que viria a participar na fundação do PCP(R), o qual tinha como “frente de massas” a UDP, que editava o jornal “Voz do Povo”, do qual Espada era o director, Crato e Fernandes jornalistas.

A imprensa de hoje já não é o quarto poder. Passou a ser porta-voz do poder político e económico e até de outros poderes, de sociedades secretas,.

Contra ventos e marés, Rui Rio foi reeleito Presidente do PSD. Embora Luis Montenegro obtivesse 47% dos votos expressos, a maioria dos militantes  disseram, nas urnas e por voto secreto, que querem um partido social-democrata, inter-classista, defensor da concertação entre capital e trabalho, do Estado Providência e da ascenção social acompanhada da igualdade de oportunidades para todos, ou seja, um partido central e reformista e não um federador da direita, como dizem muitas vozes dentro do PSD. Essa, sim, seria a melhor escolha para António Costa e o PS, pois controlariam a esquerda democrática e a totalidade do centro, estando em boas condições para provocarem uma crise antes que as nuvens negras que vão aparecendo na economia internacional cheguem até nós, que conduzisse a eleições antecipadas que venceriam facilmente. Então é que o PSD ficaria a caminho da irrelevância.

Passadas estas eleições internas, há que criar uma nova unidade que aplique os princípios e ideias atrás elencados, capte pessoas novas e ligadas aos sectores mais dinâmicos da sociedade: empresários, professores universitários, homens e mulheres ligados à cultura e à ciência, sindicalistas. Estes sectores já se identificaram com o PSD e se dele se afastaram, tal deve-se à imagem que tem dado.

Todos os militantes e simpatizantes que estiveram com as candidaturas de Luis Montenegro e Miguel Pinto Luz são necessários para a criação dessa unidade, com base no projecto social-democrata para Portugal, com o objectivo de fazer oposição ao PS e criar uma alternativa para um Portugal melhor, mais rico, menos desigual e solidário.

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