CLDS de São Pedro do Sul aposta no empoderamento da comunidade

Fomos visitar a equipa técnica que está a desenvolver um projeto CLDS (Contratos Locais de Desenvolvimento Social) no Município de São Pedro do Sul.

O que nos moveu foi o uso que esta equipa está a dar a jornais antigos, inúmeros maços de jornais constituídos por sobras que se foram acumulando ao longo de décadas. Era necessário dar um fim que fosse consistente com a linha editorial do jornal, ou seja que pudessem de alguma forma beneficiar a comunidade e serem reutilizados.

Durante uma visita à Gazeta da Beira, a Direção da Associação da BioRegião de São Pedro do Sul (ABRE) ficou motivada para ajudar a encontrar uma solução para os jornais. Tinha que ser uma utilização que dignificasse o nome deste quinzenário com sede em São Pedro do Sul e que contribuísse para dar visibilidade ao jornal e ao mesmo tempo permitisse uma ação pedagógica no âmbito da economia circular e da sustentabilidade ambiental.

Ângelo Rocha e Clara Vasconcelos, ambos dirigentes da ABRE, rapidamente fizeram a ponte com o CLDS de São Pedro do Sul através da sua coordenadora Marisa Araújo.

Na conversa com Marisa Araújo ficámos a conhecer a linhas orientadoras do projeto e a motivação de uma equipa técnica constituída por cinco pessoas.

O Plano de Ação do CLDS foi aprovado há cerca de um mês, estando por isso a dar os seus primeiros passos.

Para Marisa Araújo, “este [Plano de Ação] é um instrumento de valorização de territórios elaborado a partir da identificação das necessidades das populações e das potencialidades existentes”. O Plano de Ação inicia com 31 atividades, mas foi desenhado para ser suficientemente flexível de forma a integrar novas atividades identificadas como relevantes durante a fase de execução, como por exemplo a construção dos Ecopontos com as crianças das escolas.

“À medida que vamos avançando com o trabalho vamos identificando novas necessidades e novas oportunidades”, nesse sentido este é um verdadeiro trabalho de investigação-ação.

“A ideia de construir os Ecopontos a partir dos jornais foi desenvolvida a partir de uma proposta da ABRE”, informa a Coordenadora do CLDS. Todas as salas de aula do Centro Escolar de São Pedro do Sul, na base desta parceria com a ABRE e com a Gazeta da Beira vão ficar equipadas com Ecopontos inteiramente construídos com materiais reutilizados.

“Como são publicações locais é como se estivéssemos a perpetuar as notícias que fazem parte desta comunidade, é dar nova vida ao jornal”, afirma Marisa Araújo. Reaproveitar e reutilizar é o lema em tudo o que fazem. Mesmo o mobiliário que usaram para trabalhar e decorar a sede do CLDS foi construído nesta base, a partir de mobiliários antigos, alguns trazidos de casa. Ali foram restaurados e ganharam nova vida.

“Temos uma nova ideia para os jornais, mas ainda não foi apresentada ao director do Centro Escolar, por isso não as iremos divulgar já, mas é muito interessante, já foi testada por uma técnica da nossa equipa e já vimos que resulta muito bem”. A seu tempo voltaremos a este assunto que promete!

O CLDS elegeu o ambiente como tema central e transversal em todas as suas atividades. “O ambiente está na ordem do dia, mas queremos que passe do discurso a atitudes, a comportamentos”, diz a coordenadora. Para assinalar essa intencionalidade a primeira ação do projeto foi a distribuição de sacos de algodão a todos os comerciantes da cidade. Pretendem trabalhar com toda a comunidade para o seu empoderamento. Desde os mais jovens ao mais idosos todos/as serão convidados/as a participar no projeto.

“O nosso caminho é o da valorização do território, indo buscar a sua essência, mas este reconhecimento queremos que seja luminoso, não no registo lamurioso e queixoso que se ouve muitas vezes sobre o interior”, informa a Coordenadora com brilho no olhar de quem acredita no trabalho que está a fazer. “Trabalhar com a comunidade no sentido do seu empoderamento. Para isso temos previstas várias ações culturais, uma das quais será a pintura de um mural com a colaboração de Margarida Fleming, uma pintora com enorme prestígio e notoriedade que vive em Lisboa, mas é de São Pedro do Sul. “Trabalhar a relação das pessoas com o espaço habitado é um objetivo do projeto. Vamos embelezar as ruas e as praças com arte urbana”.

O Festival Literário previsto para o Fujaco será também um ponto alto do Plano de Actividades do CLDS de São Pedro do Sul.

Para já vão iniciar na sede do CLDS uma série de oficinas intergeracionais com avós e adolescentes.

Gazeta da Beira irá procurar estar atenta e continuar a divulgar as atividades do CLDS, para isso lançou o desafio à equipa técnica de usarem o espaço do jornal para o que entenderem útil na concretização dos seus objetivos.

 

CLDS de São Pedro do Sul – entre laços

Duração: o projeto terá a duração de 3 anos

Sede: na Rua Direita em São Pedro do Sul, com o propósito tácito de revitalizar aquela artéria, através (também) de uma série de iniciativas que estão já pensadas e outras que surgirão naturalmente, fruto da colaboração e do convívio diário com os comerciantes e com os moradores.

Âmbito do projeto: como São Pedro do Sul foi um concelho contemplado com os quatro eixos do programa, pretende-se abranger todo o concelho e todas as faixas etárias.

Entidade coordenadora: ADRIMAG (entidade coordenadora de mais 5 CLDS, para além do de São Pedro do Sul)

Eixos de Intervenção:

Eixo 1 | Emprego, Formação e Qualificação

Eixo 2 | Intervenção familiar e parental, preventiva da pobreza infantil

Eixo 3 | Promoção do envelhecimento e apoio à população idosa

Eixo 4 | Auxílio e intervenção emergencial às populações inseridas em territórios afectados por calamidades e/ou capacitação e desenvolvimento comunitários

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