Carlos Vieira e Castro
Israel e os EUA insultaram Portugal e os Jornalistas Portugueses

O que mais me indignou nas últimas semanas foi a abstenção de Joacine no voto do PCP de condenação de Israel por mais bombardeamentos sobre a população da Faixa de Gaza, (já em 2018 massacres semelhantes foram condenados pela Alemanha, a França, a União Europeia e a ONU) e reafirmando o carácter ilegal dos colonatos israelitas ( que Trump reconheceu recentemente, apesar da ONU os considerar ilegais), aprovado com os votos a favor do PCP, BE, PEV, PAN e PS (excepto o deputado Ascenso Simões que se absteve ao lado do Livre) e os votos contra da direita e da extrema-direita. A desculpa de Joacine de que votara contra a sua própria consciência, por não saber qual a posição oficial do Livre (cuja direcção respondeu afirmando ter uma posição inequívoca no seu programa a favor do Estado da Palestina) e invocando dificuldades de comunicação com a direcção do partido e até acusando esta de tentativa de sabotar a sua eleição (que só se deveu a si própria, segundo ela) não augura um futuro político muito promissor para a deputada. Numa questão de Direitos Humanos como é a da ocupação da Palestina desde há 70 anos, e a humilhação e agressão diária de palestinianos por um Estado e um governo anti-democrático e autoritário, como é que se pode sobrepor a ocupação da consciência por uma dúvida programática, à exigência humanitária de uma Palestina Livre!?…
O primeiro ministro israelita, Netanyahu, acusado de vários crimes de corrupção (milhares de israelitas manifestaram-se no passado Sábado em Telavive, exigindo a sua demissão) prometeu nas últimas eleições que no seu mandato não haveria um Estado palestiniano e aliou-se a duas forças da extrema-direita, esses sim, radicais: o partido religioso nacionalista Casa Judaica e o Poder Judaico, movimento racista que chegou a ser proibido com base em leis antiterroristas, que reivindica as ideias do rabi Meir Kahane de um Estado judaico sem árabes (que são 1/5 da população de Israel) e a transferência do palestinianos para países árabes vizinhos.
Recordo ainda que, em 2014, quarenta judeus sobreviventes do Holocausto e seus descendentes, condenaram o massacre a palestinianos em Gaza (2.100 mortos, dos quais 1.700 civis, e 100 mil feridos), e a Rede Internacional de Judeus Anti-Sionistas apelou ao BDS (boicote, desinvestimento e sanções) contra Israel. Em 2017 o governo israelita legislou para proibir a entrada no país e a expulsão de quem apoie o movimento BDS e o primeiro a ser expulso foi o director-executivo da associação defensora de Direitos Humanos, Human Rights Watch, o que mereceu a condenação da União Europeia e do Secretário-Geral da ONU, António Guterres.
Como disse, no Parlamento, o líder do grupo parlamentar do BE: “Benjamin Netanyahu não é só o primeiro-ministro israelita. Corrupto, criminoso de guerra, colonialista, todos os dias atenta contra resoluções das Nações Unidas e vem cá a Portugal à procura de aliados para a criação de um novo apartheid naquela região para garantir que consegue a anexação final do Vale do Jordão“.” Se o Reino Unido negou ser o cicerone da reunião de Benjamin Netanyahu com o secretário de estado norte-americano a pergunta é por que razão Portugal se disponibilizou para esse papel e lhe dá um carimbo de visita de Estado?”
António Costa parece ter gostado de imitar Durão Barroso no papel de mordomo do Imperialismo e dos seus lacaios. E nem um protesto se ouviu pelo insulto a Portugal e ao seu governo ao autorizarem apenas jornalistas estrangeiros credenciados pelos EUA e por Israel na Conferência de Imprensa de Pompeo e Netanyahu, vedando o acesso aos jornalistas portugueses. Vergonha!
Comentários recentes