Francisco Queirós
O pós-Eleições
O pós-Eleições: breve reflexão sobre os cenários governativos para os próximos 4 anos
Está tudo em aberto mas PS deve começar por negociar com PCP e BE
O Partido Socialista vai ter como estratégia inicial “ensaiar compromissos” com PCP e BE, mas ainda está tudo em aberto devido ao reforço do PAN e novos partidos no parlamento, segundo politólogos de diversos quadrantes.
António Costa Pinto, investigador coordenador no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-UL) considera que “o que será seguramente a estratégia de António Costa será encetar negociação formais ou informais com os partidos que até agora apoiaram o seu Governo, como o BE e PCP”, disse à agência Lusa), acrescentando que isso “será do interesse do PS”.
Com o resultado destas eleições, sustentou António Costa Pinto, o PS sai como partido maioritário o que “aumenta a margem de manobra para decidir a formação de Governo” e, simultaneamente, “ensaiar negociações para acordos parlamentares com os partidos à sua esquerda”. Os acordos a obter podem não passar por compromissos escritos sequer, ao contrário de há 4 anos. António Costa Pinto sublinhou também que existe expectativa sobre o que o Presidente da República vai dizer, considerando que a preocupação de Marcelo Rebelo de Sousa “será de encontrar soluções que deem garantias de estabilidade política para os próximos anos”.
A opinião geral, que comungo, é que nestas eleições legislativas não existiu o “voto útil”, tanto à direita, como à esquerda. À direita houve uma recuperação eleitoral do PSD por parte de Rui Rio, retirando do chamado abstencionismo intermitente uma parte do eleitorado do PSD que se preparava para se abster, perante a vitória anunciada do PS. Tivesse Rio começado a fazer oposição mais cedo e da forma assertiva dos últimos dias de campanha e “outro galo cantaria”. Além disso era de elementar bom senso que uma Coligação com o CDS garantiria mais 3 a 5 deputados a tal solução (método Hondt a funcionar). Rio, em diversas entrevistas e debates, considerou que esse era um facto indesmentível, mas “não era por aí” … 3 a 5 Deputados fazer uma grande diferença Dr. Rui Rio! Talvez agora se arrependa, mas já não vai a tempo!
À esquerda, existiu a tendência que confirmou a ideia de que o eleitorado de esquerda “gostou da ‘geringonça’” e dos compromissos feitos nos últimos quatro anos e fez com que o PS não obtivesse voto útil à esquerda do seu próprio eleitorado. Isso foi claro na sobrevivência do PCP, apesar de ter diminuído um pouco, e foi claro também no BE, que manteve no fundamental os resultados eleitorais de 2015.
A investigadora do ICS-UL Marina Costa Lobo destacou o reforço do PAN (Pessoas-Animais-Natureza) e a entrada no parlamento do Livre, Iniciativa Liberal e Chega. Alguma fragmentação adicional deixa tudo em aberto para António Costa poder negociar um Governo de coligação ou de incidência parlamentar.
É natural que António Costa vai começar por falar com os maiores partidos de esquerda, a CDU e o Bloco de Esquerda, que foram os seus parceiros nos últimos quatro anos, mas ainda é demasiado cedo para que se encontre a fórmula definitiva do apoio Parlamentar que o Novo Executivo vai precisar.
Falhar a maioria absoluta é um sinal que a campanha não correu particularmente bem ao PS, há um reforço, mas não há um enorme aumento e também não há um enorme aumento do BE e a CDU perde bastante. Nesse sentido os membros da ‘geringonça’ vão ter que pensar bastante como é que pode garantir a estabilidade daqui para frente, uma vez que não há soluções evidentes e há coisas novas na Assembleia da República.
O reforço do PAN (liderado por um Impreparado André Silva, um “Susto” como o apelidou Marques Mendes) e a entrada do Iniciativa Liberal, Chega e Livre mostra um claro descontentamento com os partidos tradicionais. Os eleitores portugueses sempre foram bastante conservadores relativamente com as suas escolhas partidárias, aqui vemos que os eleitores portugueses estão a aventurar-se um pouco com os novos partidos. Esta foi a eleição com mais partidos de sempre e vemos que as pessoas estão a responder positivamente à nova oferta partidária. Se isso levar a que mais pessoas se interessem pela Política muito bom seria.
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