EDITORIAL 764
Pela valorização social dos Sapadores Florestais

A primeira equipa de Sapadores Florestais foi constituída pela Associação de Desenvolvimento Rural de Lafões (ADRL), em Vouzela. Logo se percebeu que uma equipa era insuficiente para o concelho e se constituiu uma segunda. Neste momento existem no concelho duas equipas de Sapadores Florestais, que durante o inverno e outros períodos em que o risco de incêndio não é elevado, prestam serviços aos produtores florestais (dando prioridade aos associados da ADRL) e às autarquias locais na realização de acções de silvicultura preventiva, vulgarmente conhecida por “limpeza das florestas”, manutenção de aceiros e bermas de rede viária. Durante o verão dedicam-se a fazer vigilância das florestas para detetar fogos florestais e cumprem 110 dias por ano de serviço público em trabalho determinado pelo Instituto da Conservação da Natureza (ICNF).
Cada equipa é constituída por cinco pessoas a quem é dada formação específica para o desempenho da profissão.
É profissão de risco, são os primeiros a chegar aos fogos quando estes deflagram, pois são quem melhor conhece o território e os caminhos para chegar a cada ponto. Frequentemente mantêm-se ao lado dos bombeiros a combater o fogo até o conseguirem extinguir. Nestas actividades a ADRL perdeu em Agosto de 2013 uma viatura e viu alguns dos seus sapadores ficarem feridos. Foi justamente no mesmo fogo que provocou queimaduras ao então Presidente da Junta de Freguesia de Queirã e Presidente da Assembleia Geral da ADRL que haviam de o levar à morte poucas semanas depois.
No trabalho diário, sobretudo em terrenos declivosos como são os da região de Lafões e de uma maneira geral os da região Centro e Norte, correm sérios riscos de acidentes.
Existem no país cerca de 400 equipas de Sapadores Florestais. Penso que este número é claramente insuficiente tendo em conta as necessidades do país.
Nas condições adversas desta região estima-se que cada equipa consiga “limpar” mato em 0,6 hectares por dia. No concelho de Vouzela existem 9388.2 hectares de floresta e 4707.5 hectares de incultos. A altitude varia entre 125 e 1040 m. Tem uma variação sensivelmente de 900 m, o que para um concelho de 193.7 Km2 é uma grande variação. O relevo é, portanto, acidentado o que facilita a propagação das chamas e dificulta o combate em caso de fogos. Dificulta também as actividades de silvicultura preventiva.
O risco de fogos florestais aumentou por causa do aumento das temperaturas que está a resultar das alterações climáticas e de fenómenos atípicos.
Segundo fonte da ADRL, esta associação tem um volume de trabalho em lista de espera que dá para 5 a 6 meses de trabalho.
Importa acrescentar que há dificuldade em recrutar novos trabalhadores para as equipas, o que pode significar desvalorização social e económica da profissão.
Com este exercício pretendo demonstrar que é necessário uma maior cobertura das áreas florestais por equipas de Sapadores Florestais. As que existem são claramente insuficientes. É também necessário valorizar social e economicamente a profissão, o que significa melhores salários, mais e melhor formação e aumentar os apoios às entidades gestoras das equipas.
É necessário calcular, com base na área florestal nacional e com base no trabalho médio realizado por cada equipa, o número mínimo de equipas por freguesia ou conjunto de freguesias de modo a permitir a melhor cobertura possível de todo o território florestal do país.
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