EDITORIAL 763
Espécies vegetais desaparecem a ritmo assustador
Espécies vegetais desaparecem a ritmo assustador
A destruição das florestas são principal causa
Foto de João Cosme (Fotógrafo da natureza)
Foi recentemente publicada um novo mapa da extinção massiva das plantas a partir de um estudo publicado na revista científica Nature. De acordo com os resultados deste estudo, 571 espécies de plantas se extinguiram devido à ação humana desde 1750. O ritmo da extinção massiva é agora 500 vezes mais elevado do que antes da revolução industrial. E os autores advertem que os números estão subestimados.
Os cientistas atribuem estas extinções sobretudo a atividades humanas, tais como a destruição das florestas. Concluíram que a localização é um factor mais importante do que o tipo de planta. Nas ilhas pequenas, nos trópicos ou em áreas com um clima mediterrânico, as plantas estão mais em risco.
Os autores deste estudo consideram que a extinção das plantas tem tido bastante menos atenção do que a extinção de animais. As pessoas em geral não terão em relação às plantas o mesmo nível de consciência que se têm para com os animais.
Cientistas alertam que recuperação da biodiversidade poderá demorar milhões de anos e que milhões de outras espécies dependem das plantas para a sua sobrevivência, incluindo os humanos.
Concluíram que, desde 1900, três espécies de plantas produtoras de sementes desapareceram por ano. E desde o ano de referência de 1753, no qual Lineu publicou o seu compêndio das espécies de plantas, extinguiram-se pelo menos 571 espécies.
A propósito deste estudo deveremos reflectir sobre o desaparecimento anual de vastas áreas florestais provocadas por fogos. O ano 2017 terá sido o pior ano em área ardida.
Em Portugal arderam mais de 500 mil hectares. O ano de 2017 terá sido mesmo o pior ano de sempre.
A região Centro foi a mais atingida, mais concretamente os distritos de Leiria, Coimbra, Viseu, Guarda e Aveiro.
A Serra do Caramulo ardeu praticamente tudo o que ainda não tinha ardido. Nos anos anteriores arderam vastas áreas do Maciço da Gralheira.
No ano passado mais áreas arderam, tendo-se atingido a maior gravidade o de Monchique, quer em área, quer em prejuízos.
Daí para cá o que se tem feito para evitar novas tragédias? Se há causas que são estruturais, tais como a saída das pessoas das aldeias, o declínio da pequena agricultura que mantinha um relação de complementaridade com a floresta e a ausência de planeamento e ordenamento, não deveria ser necessário pensar em respostas estruturais com efeitos a médio e longo prazo? Por agora fica a pergunta, às respostas voltaremos em próximas edições e convidamos os leitores da Gazeta da Beira a publicar aqui as suas opiniões.
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