António Gouveia

Eleições à porta, o voto é a arma da Europa e dos europeus

A Europa, tal como hoje a conhecemos (quase), é uma ideia de obra da república romana e depois, do império romano (27 a.C. a 476 d.C.). Foi unificada entre o ano 27 a.C. e 300 d.C., com várias incursões bélicas, a mais conhecida, talvez a Guerra das Gálias, o De Bello Gallico, de Caio Júlio César, narrativa do patrício e tribuno romano que liderou a conquista do território central europeu (França, Bélgica, Suíça, o povo gaulês e a Alemanha, o povo germano) que viria a ser assassinado no fórum de Roma nos idos (14 de março) de 44 a. C. , um século de muitas lutas e assassinatos. A resistência Lusitana foi a mais aguerrida e duradoura, prolongou-se por cerca de 200 anos e só terminou no ano 19 a.C. depois de assassinados Viriato e Sertório, este também um general romano foragido do exército de Mário que derrotado nas lutas fratricidas por Sula, refugiar-se-ia na Ibéria. Com a queda do império romano às mãos dos bárbaros (uma série de tribos que atacaram Roma, vândalos, hunos e godos), os vários territórios europeus dividiram-se e, ao longo dos séculos, guerrearam-se entre si, as guerras mundiais de 1914-18 e 1939-45 foram as últimas e horrendas, a Alemanha foi dividida entre os aliados e as tropas soviéticas e, em 1989, com a queda do muro de Berlim, de novo unificada até chegar ao que é hoje integrando a Europa no conjunto (ainda) de 28 nações que, aos poucos se foram juntando, onde se destacaram os seus fundadores, Robert Schuman, Churchill, De Gaulle, De Gasperi, Konrad Adenauer e tantos outros. De novo, sopram ventos de tempestade, a Inglaterra quer sair e os restantes países, com exceção da Alemanha, passam por grandes dificuldades, o incêndio da catedral de Notre-Dame é disso exemplo, a queda da torre e seu pináculo parece ser uma premonição dos maus tempos que se aproximam, lutas comerciais e agressões de todo o tipo num mundo fortemente globalizado e vítima das redes sociais e pirataria comunicacional.

Leio no livro recente de James Hawes “A Mais Breve História da Alemanha”, a frase com que termina a história empolgante de uma nação forte, narrada em poucas páginas, cuja leitura recomendo: “A Alemanha é a única esperança para a Europa. Tem agora de agir, e tem de ser tratada, como sempre deveria ter sido: uma terra poderosa no coração do Ocidente”. Concordo, as muitas asneiras que fez nas duas últimas guerras, sobretudo a última quando nasci, foi um horror, por certo nelas o povo alemão já muito meditou, derrotado por duas vezes, servir-lhe-á de emenda determinando atenção menor à ideologia e maior à liberdade dos cidadãos. A Europa precisa mais uma vez de novas e boas lideranças como já teve antes, cidadãos e nações soberanas confiáveis onde a política e a economia sejam valorizadas e a solidariedade europeia em favor dos mais pobres perseguida a todo o custo. Todos temos uma palavra a dizer nestas eleições, a Europa que herdámos da labuta da república e consolidação do império romano que nos trouxe até aqui, não pode deixar de se reafirmar – mas sem arrogância! -, como uma das maiores civilizações de todos os tempos, não pode naufragar neste mar encapelado do comércio internacional, mais global e perigoso que nunca. O euro, a moeda única, não pode ser parte de outro grande problema, o sistema monetário internacional em desnorte. O presidente do BCE, Mario Draghi, irá sair em outubro, tal como a chanceler alemã, Ângela Merkel, o que é pena.  Portugal e a Europa muito lhes devem, as suas decisões foram importantes e pendulares em momentos difíceis, o BCE atuou com firmeza e serenidade e a Alemanha colaborou arrecadando bons lucros, é um facto; não admira, tem um espírito forte de poupança, é austera e formiga, sabe produzir, é o resultado da reforma protestante, de quem sabe qual o caminho a seguir. Temos de aprender com a história, votar bem, escolher os melhores para que a Europa possa sobreviver, sair reforçada e não ser derrotada pelos grandes imperialismos: americano, russo e chinês, os grandes senhores deste mundo em que vivemos em sobressalto e em bolandas.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *