Francisco Queirós
Berardo: “autópsia de um Bode Expiatório”

Por incrível que pareça Berardo tem responsabilidades, mas não é o principal e mais importante responsável. Não lhe cabia defender o dinheiro dos depositantes. E em boa verdade “ajudou os bancos” a maquilhar contas em 2008 permitindo que nos fizessem crer que estavam de boa saúde, quando até o seus “fígados estavam infetados por tuberculose”!
Em 2006, dia 27 de Abril, a CGD aprovava o primeiro empréstimo a Joe Berardo, sem garantias. Dia 3 de Abril tinha sido assinado o acordo entre o Estado português, representado pelo primeiro-ministro José Sócrates e a ministra da Cultura Isabel Pires de Lima, com Joe Berardo, para que a sua Coleção pudesse ir para o CCB. O Museu Berardo abrirá as suas portas em Junho de 2006. Hoje sabe-se que foi nesse ano que Joe Berardo iniciou as suas compras de Ações do BCP que fizeram dele, em 2007 e com dinheiro da CGD, do BES e do próprio BCP, o terceiro maior acionista do banco fundado por Jorge Jardim Gonçalves. Hoje os referidos Bancos reclamam mais 1000 Milhões de € ao “Sr. Comendador”…
Quem decidiu esses créditos e porquê?
É espantoso que os Bancos emprestassem quantias espantosas de dinheiro sem uma real Avaliação da Coleção Berardo. Aceitaram como penhor “Títulos da Colecção Berardo” sem ideia de quanto esta valia e, por consequência quanto valiam os títulos dados como garantia!
Agora que a cronologia dos factos (pelo menos de forma aproximada) já é possível parece que Berardo vai ser um belo “Bode Expiatório” das perdas dos Bancos (em especial da GCD) porque é preciso proteger quem aceitou praticar actos de Gestão tão ruinosos e quem tinha interesse em controlar o BCP que ameaçava a hegemonia do BES…
A administração liderada por Carlos Santos Ferreira (de que faziam parte Armando Vara e Francisco Bandeira) concedeu crédito de 400 Milhões de € para financiar compra de Ações do BCP. O que foi dado como penhor? Nada mais e tão só e apenas as Ações e empresas Cotadas em especial as do próprio BCP!!??
A crise abate-se em 2008 e as Ações do BCP caem mais de 60%! De 10.000 Milhões os Títulos do Banco passam a valer menos de 4.000 Milhões de €!! Como alertou a Deloitte à época: os Títulos dados como garantia já não cobrem o valor do Empréstimo! 2008 marca a 1.ª reestruturação dívida de Berardo por parte da CGD. A mesma consultora recomenda avaliação urgente e rigorosa do Valor da Coleção Berardo (esquecida até hoje…). A Administração da CGD afiança que estão reforçadas as garantias do valor emprestado a Berardo. Mas em 2010 já o “Sr. Comendador” tinha 2 incumprimentos de juros perante a CGD… o Banco Público aceita em 2011 uma reavaliação da Coleção Berardo promovida pelo próprio e que a estimava em 500 Milhões de €… foi uma forma trapaceira de a Administração da CGD assegurar que não havia perspetivas de perdas (imparidades)! Até para mentir se exige um bocadinho mais de seriedade!
Porquê aceitar semelhante “tonteira”? Porque se viessem a concluir que a Coleção não valia o que Berardo devia lá teriam de se registar mais perdas e procurar mais Capital… Capital que não havia para a CGD, quanto mais para BCP e BES!
Neste “Jogo de Sombras” temos os Bancos reféns de algo que nem se sabem bem de quem é visto que o Estado tem direitos sobre a Associação dona da Coleção pelo contrato de 2006, renovado em 2016 e prorrogado até 2022. E quando a CGD começa a executar Berardo vemos o Estado do Governo da Geringonça e renovar o acordo em 2016 “tirando o tapete “ao Banco Público. Ora a Ministra da Cultura, Graça Fonseca, vem agora afirmar que, mesmo trabalhando em articulação com a Justiça e Finanças, irá proceder para a “não alienação” e “fruição pública” da Coleção Berardo… Basicamente: os Bancos nunca vão ver a cor do dinheiro! O argumentário da Ministra é o mesmo que impediu a Venda da Coleção Miró que poderia ter ao menos minorado o Buraco do BPN.
Os Culpados…
Sócrates, Salgado, Vara e toda a comandita de asquerosas Criaturas que nos sugaram até ver mais de 17.000 Milhões de € que o Estado (todos nós) injetou nos diversos Bancos!
E Berardo até, de facto, ajudou os Bancos em 2008! Se tivesse saído de cena e desse permissão para que estes executassem as garantias que mais não eram que a delapidadas Ações do BCP; logo saberíamos do autêntico Barril de Pólvora que o nosso Sector financeiro constituía e da Desgraça que a sua implosão provocaria à Nação, como veio a acontecer.
Fica mal, é mesmo muito feio, parece coisa de miúdos queixinhas, usar agora Berardo para tapar as responsabilidades de outros! Tão grave como tê-lo usado como protagonista principal da guerra pelo controlo do BCP.
Comentários recentes