Em Foco 761

Natalidade aumentou em 2018 – mas saldo natural manteve-se negativo – sendo mais de metade filhos de pais não casados formalmente

Em 2018, nasceram com vida 87 020 crianças de mães residentes em Portugal. Este valor, recentemente divulgado pelo INE – Instituto Nacional de Estatística, traduz um acréscimo de 1,0% (+866 crianças) relativamente ao ano anterior.

Trata-se do valor mais elevado desde 2012. A tendência decrescente de nascimentos começou a inverter-se em 2015, de forma ténue, tendo vindo a aumentar desde aí. Há quem relacione esta mudança com a melhoria das expetativas económicas das famílias no período pós troika e de alguma recuperação de rendimentos.

Entre 2010 e 2018, registaram-se decréscimos nas proporções de nados-vivos de mães com idades inferiores a 20 anos e de mães com idades dos 20 aos 34 anos. Em contrapartida, verificou-se um aumento de 11,0 pontos percentuais na proporção de nados-vivos de mães com 35 e mais anos de idade. Significa que a tendência é para que as mães tenham filhos cada vez mais tarde, já depois dos 35 anos.

Do total de nados-vivos, 55,9% nasceram “fora do casamento”, isto é, eram filhos de pais não casados formalmente entre si. Em 2018, a proporção de nados-vivos nascidos “fora do casamento” aumentou para 55,9% (54,9% em 2017 e 41,3% em 2010), representando, pelo quarto ano consecutivo, mais de metade do total de nascimentos. A ideia de “casar para ter filhos” desvanece-se e aumenta o número de casais com uma relação estável e com filhos sem se casarem.

O total de óbitos de pessoas residentes em território nacional foi 113 000, representando um aumento de 3,0% (+3 242 óbitos) comparativamente a 2017. Portugal teve, assim, pelo décimo ano consecutivo, um saldo natural negativo (-25 980) o que, cruzado com um saldo migratório também negativo, confirma a tendência para o decréscimo populacional no país.

A mortalidade, que na sua maioria ocorrem cada vez mais em idades muito avançadas, apresenta um padrão sazonal, com valores mais elevados nos meses de inverno e mais baixos na primavera e verão. O mês de janeiro foi aquele em que se verificou o maior número de óbitos. Por outro lado, entre 2010 e 2018, setembro foi sempre o mês com menor número de óbitos.

Celebraram-se, em 2018, 34 637 casamentos, mais 3,0% que no ano anterior (+1 003 casamentos). Em mais de metade dos casamentos (59,8%) os nubentes possuíam residência anterior comum, o que pode indicar que já tinham uma relação também comum antes do casamento. Registaram-se 607 casamentos entre pessoas do mesmo sexo. 67,1% dos casamentos entre pessoas do sexo oposto celebraram-se apenas civilmente e 32,5% pela forma católica, mantendo-se a tendência decrescente para o casamento religioso.

Em 2018, ocorreram 46 002 dissoluções de casamento por morte do cônjuge, de que resultaram 13 092 viúvos e 32 910 viúvas, que resulta de as mulheres terem maior esperança de vida. Há mais viúvas do que viúvos.

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