Manuel Silva
Curiosidades da política portuguesa
Recentemente, descobriu-se que dezenas de familiares entre si, ligados ao Partido Socialista, preenchiam lugares desde o governo a altos cargos na administração pública.
No governo de António Costa, sentam-se no Conselho de Ministros marido e esposa, pai e filha, consortes de governantes assessoram outros governantes. A isto, chama-se nepotismo. António Costa, em cada remodelação que faz, só traz para o governo grupos familiares ou os seus amigos pessoais. Não consegue nomear ministros socialistas que não façam parte do seu círculo e muito menos quadros da sociedade civil.
Alguma imprensa e a oposição logo aproveitaram para zurzir o governo e o PS. Quanto à oposição, melhor seria ter ficado calada. O nepotismo sempre se praticou na nossa democracia, o que não justifica, de forma alguma, o que se passa actualmente nessa matéria, que tem contribuído para a descida dos socialistas nas sondagens.
Cavaco Silva aproveitou para mostrar que ainda existe politicamente, só que, o tiro saiu-lhe pela culatra. Disse que no seu governo nada disto se passou. No entanto, o jornal “i” publicou uma reportagem do extinto “Independente” que revelava, em 1992, haver nomeações de 15 familiares idênticas às do governo de Costa no governo de Cavaco. Mais: na Presidência da República, nomeou uma cunhada sua para trabalhar com a Drª Maria Cavaco Silva, sua irmã.
Marques Mendes, na sua crónica semanal na SIC, criticou o nepotismo do PS, mas logo foi divulgado que quando era ministro de Cavaco Silva, a sua esposa era assessora de Álvaro Amaro, secretário de Estado da Agricultura, cuja esposa assessorava, por sua vez, Marques Mendes e que tal não foi caso único. Parece estarmos perante um swing político…
O CDS, que se lembre também do caso “Portucale”, quando já após a vitória de José Sócrates, por maioria absoluta, o governo de saída, através dos seus ministros Luis Nobre Guedes e Telmo Correia (CDS), bem como Costa Neves (PSD), autorizou o corte ilegal de 2 000 sobreiros numa propriedade ligada ao BES e a Ricardo Espírito Santo, sendo a autorização, pasme-se, feita em computador do BES, como provou a Polícia Judiciária.
O P.R. também aproveitou para fazer demagogia populista, à semelhança de quando era comentador político na TVI e na RTP, o que o ajudou e muito a ser eleito Chefe de Estado, propondo a António Costa legislação proibitiva de ser contratado pessoal político pelos governantes até ao 6º grau de parentesco. Como vivemos num país onde, como se diz, “todos somos primos”, quem era o pessoal disponível para tal contrato? Os “jotinhas”, que da política conhecem as sedes partidárias onde passam parte importante das suas vidas e desconhecem o país real? Uma coisa é certa: o nível da classe política baixaria ainda mais, provocando a sua incompetência um populismo ainda maior.
Marcelo, professor de Direito Constitucional e um dos deputados que aprovaram a Constituição em 1976, já quer fazer legislação, o que é da competência do governo e da Assembleia da República, tendo, sim, poder para vetá-la, enviá-la para o Tribunal Constitucional ou promulgá-la. Onde chega a ânsia de manter a popularidade a qualquer preço!
Dentro de um mês, haverá eleições para o Parlamento Europeu. Como o leitor deve ter reparado, PS, PSD e CDS falam de tudo menos do que está em causa nestas eleições e das reformas que há que fazer para uma União Europeia mais solidária. O que têm feito consiste no ataque entre governo e oposições, sobre quem é o mais experiente, quem fez mais ou menos obra, se o PS deve ser castigado nas urnas pela sua governação ou se o PSD tem possibilidade de chegar ao governo. Estas eleições mais parecem as primárias das legislativas de Outubro.
Se aqueles partidos fazem este tipo de campanha é porque nada os separa em matéria de política europeia. Todos eles defendem a soberania limitada de que falava o antigo dirigente soviético, Brejnev, a sujeição dos parlamentos nacionais ao Parlamento Europeu e, pior, a submissão da legislação nacional ao aval das instituições europeias que ninguém elegeu.
As previsões governamentais para o crescimento económico em 2019 esfriaram. Mário Centeno disse que não cresceremos acima de 1,9%. Assim sendo, como se poderá baixar o défice, se possível, até 0%? Com mais um aumento de impostos? Porque não levantam as oposições esta questão?
Assim se faz Portugal, uns vão bem e outros mal”, como cantava Fausto no tema “Folha seca cai ao chão”, inserido no álbum “Madrugada dos Trapeiros”, publicado em 1977.
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