Francisco Queirós
O Iceberg
O Iceberg…

Não é preciso ser Catedrático em História em História, mas é necessário saber de História (a Ciência que nos dá a conhecer o Passado, compreender o Presente e Preparar o Futuro), para tomar consciência que a humanidade está prestes a colidir de novo com um icebergue. A tombar num imenso precipício. Os sinais não enganam e só por ignorância ou insensatez (ou as duas coisas combinadas) se podem ignorar
As democracias mundiais, o projeto europeu e a paz mundial estão a implodir a uma velocidade de cruzeiro. A metáfora dilacerante, outrora criada por Eric Hobsbawm, alusiva à agonia da democracia alemã volta a aplicar-se: «Estávamos no Titanic, e todos sabiam que estava para bater no icebergue». Todos sabiam e ninguém evitou a tragédia: a Alemanha foi subjugada pelo nazismo; depois vieram a II Guerra Mundial, a Shoah, e as bombas atómicas despejadas sobre Hiroshima e Nagasaki.
Não é preciso ser historiador, mas é necessário saber História, para compreender que a humanidade está prestes a colidir de novo com um icebergue. Os sinais não enganam. O efeito Trump, o Brexit. O internacionalismo populista. O ódio aos refugiados. A emergência dos nacionalismos. O saudosismo dos fascismos. O colapso ecológico. A megalomania desmesurada dos “apparatchiks” de muitos partidos (ditos) democráticos, que perderam a consciência ética e social e já não identificam a política como um serviço cívico. A própria palavra cidadania foi usurpada pela novilíngua do capitalismo financeiro, banalizada e esvaziada do seu significado.
As massas populares vivem absortas nas redes sociais e bestializadas pela «civilização do espetáculo» numa versão moderna e extremamente perigosa do “Pão e Circo” dos Romanos. Estão alienadas, adormecidas e mergulhadas no reino do voyeurismo, do hedonismo e do niilismo. Habitam no universo das artes frívolas e efémeras, da literatura light, das rixas de «futebolês», dos desfiles dos estilistas e top-models, dos acepipes dos cheffs, da moral dos diretores executivos (CEO), das lições dos tudólogos, das alarvidades dos reality shows e da evasão dos blockbusters.
Urge transpor esta encruzilhada, antes que seja demasiado tarde. Antes que deixe de existir Pão no Circo. Antes que uma canalhada de hooliganspopulistas imponha ao mundo uma distopia totalitária. Ou antes que «os pobres não tenham mais nada para comer a não ser os ricos».
Importa humanizar a humanidade, insuflar ESPERANÇA na humanidade. Rumar contra a maré e reinventar a democracia. Reanimar os serviços públicos: saúde, educação, justiça, habitação. Educar sem falácias e burocracias. Dispensar os políticos, «pedagogos de gabinete» e comissários políticos que persistem em decretar o «eduquês» e trouxeram o caos às escolas. Revalorizar a História, a Geografia, a Filosofia. Voltar a estudar a história do pensamento político e filosófico. Em Auschwitz, pode ler-se a frase lapidar de George Santayana: «Aqueles que não recordam o passado estão condenados a repeti-lo». Revalorizar a Ciência, as Artes e as Letras.
Importa nunca contemporizar com líderes e partidos populistas e justicialistas. Tolher os nacionalismos, porque os «nacionalismos são a semente guerra». Repensar e reformar o projeto europeu.
Sabemos que tem graves defeitos, mas não devemos ignorar que a Europa continua a ser o local do mundo onde melhor se vive e nenhum país europeu consegue impor-se sozinho no mundo global.
Na realidade só os EUA produzem cerca 109.3%/ano mais que todos os 28 da EU (e o fosso está a aumentar!). As 4 principais economias Europeias (Alemanha, Reino Unido, França e Itália) representam apenas 57% do produto Americano (Alemanha anda nos 20% e o RU cerca de 14%). E não esqueçamos a China: as mesmas 4 grandes economias Europeias só chegam a 87% do PIB do Império do meio!
A Dimensão das nações Europeias não permite que por si só 1 Nação do velho continente possa competir num mundo globalizado. Mas o Euro (€) foi a maior benesse que os demais ofereceram à Alemanha; de resto o valor do seu PIB está inflacionado pelo valor do Euro em Relação ao Dólar. E o seu excedente comercial um verdadeiro escândalo que foi conseguido em boa parte pela destruição do sistema produtivo das demais nações (vide o abate da nossa Frota Pesqueira, Imposição de quotas proibitivas à nossa produção agrícola e industrial). Repare-se que o Gigante dos Gigantes EUA, exportam muito, mas que representa 7.6% do que produzem, a China cerca de 18%, o Japão fica-se pelos 14%… a Alemanha? 34% do que produz é por exportar à custa dos demais povos. Povos que se sujeitam à subjugação Alemã a troco de lentilhas!
BASTA: os Nazis forram derrotados, mas a Alemanha não e continua a tentar impor a sua vontade e interesses aos Povos Europeus.
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