António Gouveia

Regionalização, assunto importante, questão inadiável- Parte II

Não devo iludir o leitor com o título: pensando bem, resolver o problema deste país com a regionalização, tantos os opositores, tantos os trabalhos, é como o menino de Sto. Agostinho, tirar a água do mar e despejá-la no buraco da areia. Mas continuo, afinal, penso que a regionalização seria (condicional, uma incógnita) a solução para o país que somos, agora, já não o império que fomos e esquecemos, desde 1975. Já falei antes dos 700 mil funcionários públicos (FP) num emagrecimento (do monstro) efémero, engorda de novo, os ‘precários’ dispararam o número, uma decisão justa, não a discuto. Também disse que maioria destes servidores (o termo é erróneo, nem todos servem, muitos se servem) do estado se acastela na grande Lisboa, a esfomeada e devoradora região onde também está outra grande parte de outros servidores, os funcionários políticos, largos milhares: governantes de todo o tipo e suas cortes grandiosas: a presidência da República (aqui, corte, é o nome apropriado), Portugal nunca deixou de ser monárquico, todos alimentamos a ambição da monarquia, não na forma e regime, mas na ambição das mordomias, dos criados de libré, dos fraques, das comendas, das prebendas e das condecorações, faz parte da vida humana, continuamos com os mesmos vícios do império como se continuassem a chegar riquezas do Brasil e do Oriente, ouro e prata, café e cacau, cravo e canela, pimenta e gengibre, outras especiarias. Ainda não percebemos que elas duraram até D. João V, e o esfiapo começou a acabou na reconstrução da baixa pombalina destruída pelo terramoto. Ficou bonita, sem dúvida, o cidadão de Pombal, a quem D. Maria proibiu pisar terra de Lisboa, teve rasgo, ambição que baste e visão deste futuro que nos trouxe até aqui!

Mas não só a PR, escrevia eu e aqui faço pausa, o Ti Celito andou imparável por terras angolanas, gostei de ver, foi bonito, povo carinhoso, conheço as suas qualidades, andei por lá dois anos, quiçá saudoso dos tempos de colonialismo, não da falta de liberdade, óbvio, afinal não fomos assim tão mauzinhos como alguns disseram porque lá não estiveram e, como assim, todos pensamos que mais valia termos ficado juntos num vaivém de turismo, Inês é morta, nada feito. Esta viagem, em tempo de viragem, lá como cá, valeu pela amizade profunda que nos une, afinal foram 500 anos. Também o Parlamento (AR), mai-la leva de deputados (150 na I República, 230 hoje), nem sei bem para quê, uma parafernália de diplomas, leis e decretos tão mal feitos. Nisso Salazar era exigente e poupado, nada prolixo. Mais o outro Parlamento, o europeu, de todos nós e da Europa, ou seja, de ninguém, mandam ali os derrotados da II guerra, a Alemanha, a França e a Itália. A Inglaterra, vencedora, quer partir, eu acho que faz mal, tenho esperança que reflita e recue. Mais o PM António Costa, seus ministros e secretários. Todos juntos, como referi, acastelados no Terreiro do Paço e do Poder. Mas não só, mais milhares de ajudantes, assessores e chefes de gabinetes, todos a ganhar mais que um competente técnico superior. Um desconsolo. Para estes, claro. E mais os governantes de outras entidades do estado e das várias corporações (ordens, sindicatos, fundações) e por aí fora, nunca mais acaba.

E, claro, os autarcas de 308 municípios e 3092 freguesias, o mesmo em presidentes, mais 5000 vereadores e 12 mil vogais, 10 mil e 30 mil das AM e AF (estes últimos não consegui contar bem, a grandeza das autarquias varia). Ou seja, é muita gente entre FP e Fp, não é o mesmo, os segundos renovam-se à medida das eleições e governos na “guerra dos tronos” que os “invejosos” chamam “guerra dos tachos”. Mas não vêm ajudar. E também não é preciso tanta gente, todos os governos usam a fórmula para baixar estatísticas de emprego e nos tempos que correm não precisam de o fazer, trabalho não falta, faltam é trabalhador, chegam estrangeiros. Continuamos às voltas com a política orçamental, sem saber o caminho, um delírio. Voltarei, para falar de agregações (fusões) de autarquias E também deste garrote orçamental.

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