Francisco Queirós
“Chiu, não digam a ninguém”…
“Chiu, não digam a ninguém”…
Mas afinal foi o PS privatizou a Caixa!
O resultado do desastre financeiro da Caixa na era do acionista PS, de 2005 a 2011, acabou numa privatização parcial imposta pela União Europeia em 2015, aprovada com os votos das esquerdas.
Há que dizê-lo com frontalidade: PS um talento único de fazer o oposto do que diz, enganando pelo caminho a maioria dos portugueses. Todos nós estamos convencidos de que a Caixa Geral de Depósitos é um banco público e quem ousar defender a sua privatização é imediatamente acusado pelo PS, e pelos seus cúmplices de extrema esquerda, de sofrer do vírus do ‘neo-liberalismo’. Mas afinal, ao contrário do que dizem, os socialistas privatizaram o banco, mais precisamente entre 2005 e 2011. Se têm dúvidas da minha Teses então sff leiam os livros de Helena Garrido (Quem Meteu a Mão na Caixa) e de Diogo Cavaleiro (Caixa Negra) e não terão mais dúvidas de como se fez privatização da CGD.
O ‘engenheiro’ José Sócrates, que por caso também era PM e líder do PS, era o acionista do banco. Melhor dizendo “uma espécie CEO não executivo”. Zeloso como é da causa pública, nomeou pessoas de confiança para o Conselho de Administração do banco, alguns sem qualquer competência para o cargo, como o senhor Vara, por acaso militante do PS e amigo pessoal do PM. Obviamente, as decisões de crédito relevantes (os actos mais importantes de um banco) eram tomadas pelo pequeno grupo de acionistas e gestores. As decisões visavam, naturalmente, satisfazer os interesses privados desse pequeno grupo. Desde empréstimos a bancos amigos, como o BES, a empresas próximas do principal acionista, como o Grupo Lena, até projectos que servissem para propaganda política, como a fábrica Artlant em Sines.
Mas se a Caixa foi privatizada em relação ao processo de tomada de decisão e dos créditos, continuou a ser um banco público em termos de perdas e de dívidas. Sendo formalmente um banco público, os seus acionistas e gestores nunca se preocuparam com o tema central de um banco: o risco. Ao contrário dos bancos inteiramente privados, que tudo perdem se ignorarem o risco, os acionistas e gestores da Caixa sabiam que os impostos dos portugueses são um poço sem fundo. O mote da Caixa controlado pelo acionista PS era o seguinte: recursos para os amigos e camaradas e perdas para todos os portugueses. Um ‘empresário de sucesso’, de nome Joe Berardo, recebeu um empréstimo de 350 milhões de euros a uma taxa de juro de 0,7%. E mesmo assim este empresário de sucesso está falido e nunca poderá pagar o empréstimo. Serão os portugueses a pagar o dinheiro recebido por Berardo. Eis o capitalismo selvagem na sua versão socialista.
Os recursos ‘ilimitados’ da Caixa durante a fase do acionista Sócrates também desvirtuaram o funcionamento dos mercados em Portugal. Beneficiaram o Grupo Lena contra os seus concorrentes. Privilegiaram o BES contra outros bancos. E ajudaram alguns acionistas do BCP contra outros para provocar uma mudança radical no banco, de acordo com os interesses do acionista PS da Caixa. No mundo da geringonça, os portugueses nada deveriam saber sobre isto. Os portugueses têm o dever de pagar; não gozam do direito à informação. Por sorte, ainda há vozes independentes e capazes em Portugal.
As esquerdas da geringonça temem que o conhecimento sobre os anos do desastre financeiro da Caixa leve a uma conclusão: a privatização (mas a verdadeira) será a única forma de evitar que os portugueses paguem pelos negócios e pelos prejuízos de um grupo de amigos e camaradas. A oposição das esquerdas à privatização da Caixa nada tem a ver com o suposto interesse público. Isso são as tretas que António Costa diz no Parlamento e que Francisco Louçã repete na televisão. A privatização da Caixa significaria, para as esquerdas, abdicar de recursos e de poder. E isso nunca farão. As esquerdas sabem muito bem que a manutenção da Caixa na esfera pública será a única maneira de a tratar como um banco ‘privado.’
O resultado do desastre financeiro da Caixa na era do acionista PS, entre 2005 e 2011, acabou numa privatização parcial imposta pela União Europeia em 2015. A recapitalização obedeceu às regras do mercado, para evitar uma ajuda de estado ilegal, com a imposição de remédios e de empréstimos obrigacionistas feitos por investidores privados. E tudo isto foi aprovado com os votos das esquerdas.
Não defendo a privatização total da Caixa, mas considero que os perigos do seu uso para fins políticos e, como banco público que é provoca enorme desregulação no mercado dos Bancos Privados. Defendo uma privatização parcial e a constituição de uma comissão de fiscalização séria e independente (que inclua personalidades da Esquerda à Direita) que, sobre a tutela do BdePortugal, Tribunal e Conselho de Finanças Publicas assegure que os perigos atrás elencados não se voltem a repetir. E Caixa privada não porque não tardava nada era mais uma Dependência de Capitais Espanholas ou Chinesas!
E se EU ajudar a impedir novos episódios de privatizações políticas, que acabam sempre na ruína, podemos viver muito bem com a Caixa pública.
Comentários recentes