Manuel Silva

NATAL DE 2018: Tempo de Paz e de confrontos

Natal é tempo de paz, comemora-se o nascimento de Cristo, que veio trazer ao mundo a paz com justiça, o contrário do que hoje se chama “a paz podre” ou “paz dos cemitérios” e resgatar a humanidade do pecado.

No entanto, cada vez mais o Natal se assemelha a uma festa igual a tantas outras. Vemos iluminações, árvores e, sobretudo, o “Pai Natal”, que vem trazer presentes às crianças. Na minha infância, dizia-se que o Menino Jesus trazia prendas aos meninos e às meninas. Tanto nesse tempo como na actualidade, quem oferecia e oferece as prendas são os pais e outros familiares e amigos dos pequenitos, no entanto, de Jesus para o Pai Natal vai uma grande diferença.

Há cerca de 20 anos, no Centro Comercial das Amoreiras, em Lisboa, que tem nas suas instalações uma capela católica, aparecia a imagem da Virgem Maria com uma couve ao colo no lugar do Seu Filho.

O Pai Natal já existe há mais de um século, no entanto, foi apropriado para a publicidade pela coca-cola, a água suja americana que patrocinou golpes de estado fascistas na América Latina.

Os que mandam no mundo, controlam e corrompem boa parte da medíocre classe política de todos os países, não gostam da mensagem de Cristo quando diz: “é mais fácil um camelo passar no buraco de uma agulha que um rico entrar no reino dos Céus”, “o trabalho foi feito para o Homem e não o Homem para o trabalho”, “os bens do mundo são de todos”, “felizes os pobres, que deles é o reino do Céu”. Aí reside a manobra de diversão do alto capitalismo relativamente à corrente época natalícia.

A presente época não tem sido nada pacífica, contrariamente ao seu significado. O terrorismo islâmico continua a matar, como se viu há poucos dias em Estrasburgo, em África e no Médio Oriente as armas não se calam, em França surgiu o movimento dos coletes amarelos, que obrigou Macron a meter na gaveta todas as medidas impopulares que se propunha levar a efeito. Um movimento inorgânico alheio a partidos e sindicatos derrota o Presidente da República e o governo do seu país. Movimentos do género surgiram na Bélgica, na Itália, em Espanha e até em Israel. No nosso país tem havido e vai continuar a haver greves de diversos sectores profissionais. Nem Passos Coelho enfrentou uma onda grevista desta amplitude, o que mostra que o discurso optimista do governo não encontra eco em grande parte dos portugueses.

Estes movimentos mostram a vontade do islamismo radical em querer mandar no mundo inteiro e o ódio que têm os seus aderentes à liberdade, mas também, por outro lado, a insatisfação de muitos milhões de seres humanos devido às cada vez maiores desigualdades resultantes da globalização e do neo-liberalismo. 1% da população mundial detém 99% da riqueza do planeta, enquanto os outros 99% apenas possuem 1% dessa riqueza.

Se esses movimentos são inorgânicos, tal deve-se ao descrédito dos partidos, especialmente os de centro-esquerda e centro-direita, e também de muitos sindicatos junto das populações, o que tem levado ao avanço das forças reaccionárias de extrema-direita, podendo, a prazo não muito longo, conduzir ao regresso a ditaduras, o que seria impensável desde há muitas décadas.

Na União Europeia, a imposição de um pensamento único político-económico aos países pequenos pelos países grandes e pela burocracia bruxelense, que não foi eleita pelos povos, a submissão dos parlamentos nacionais ao parlamento europeu, que ofendem e põem em causa a soberania de cada país, provocam ondas de nacionalismo parecidas às dos anos 20 e 30 do século passado. Lá dizia Karl Marx: “a História repete-se, não como tragédia, mas como farsa”.

A todos os membros da direcção, da redacção e da administração de “Gazeta da Beira”, bem como aos seus colaboradores, anunciantes, assinantes e leitores, desejo um Bom Natal e um feliz ano de 2019.

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