S. Pedro do Sul no centro dos Desafios da Participação Politica XXI
Maria Antónia Palla palestrou em iniciativa do DFMS

O primeiro dia de outono de 2018, a 23 de Setembro, apresentava-se com uma bela manhã de sol, o que augurava um bom presságio para que o evento Desafios da Participação Política XXI fosse um sucesso. Inicialmente poder-se-ia pensar que num dia de calor anunciado, sendo um domingo e o local afastado do centro da cidade, a participação poderia não ser a ajustada a um evento desta grandiosidade, mas tal não veio a acontecer e até superou todas as expectativas.
Assim, o Auditório da Escola Profissional de Carvalhais ficará para a história dos grandes eventos e desafios que Portugal tem pela frente, tendo sido palco de um debate de ideias organizado pelo Departamento Federativo das Mulheres Socialistas, e em que contou com um painel de ilustres palestrantes que imprimiram uma qualidade ao debate com um nível digno dos temas abordados, cujas Notas Biográficas não deixam qualquer dúvida sobre os seus conhecimentos.

O anfiteatro da Escola encheu-se por completo para assistir aos dois temas propostos. No Painel 1, o tema foi: A Mulher na Politica / Liderança no Feminino. Para este painel as convidadas foram: Anália Torres, Ana Sofia Fernandes e Maria Antónia Palla (mãe do 1º Ministro António Costa). A moderação ficou a cargo de Manuela Tavares, fundadora da UMAR.
Neste 1º painel foram abordadas as principais dificuldades de igualdade de género em termos salariais, do acesso a cargos de chefia e divulgadas percentagens da participação feminina em cargos políticos. Estas questões foram debatidas e reflectidas, como foi o exemplo da desigualdade em termos numéricos de, por exemplo, o número reduzido de mulheres a liderar as autarquias. Não foi esquecido também o tema das divisões de tarefas domésticas.
Já a intervenção de Maria Antónia Palla, foi surpreendente pela forma genial como trouxe à discussão um texto pleno de actualidade e que encaixou na perfeição no tema do painel. Maior foi a surpresa quando muito calmamente indicou a fonte desse texto: Christine Pizan, nada mais nada menos que uma personagem inspiradora e motivadora que viveu entre 1363 e 1430.
Terminadas as intervenções iniciais, o debate estendeu-se à plateia que colocou algumas considerações sobre a abstenção e outras questões, nomeadamente um assunto ligado ao tratamento judicial em que a desigualdade de género foi também abordada e em nome da enorme presença masculina na sala, houve os merecidos parabéns ao painel pelas palestras, pela iniciativa e pelo empenho. Tendo-se acrescentado que as mulheres não estão sozinhas na luta pela igualdade.
O tema do Painel 2 foi dedicado aos Desafios da Participação Politica XXI em que o orador António Borges enalteceu o trabalho do partido no sentido das medidas que vem adoptando que permitem uma paridade do papel da mulher na vida politica. E citou o exemplo de quando concorreu com uma lista com 2 homens e 2 mulheres muito antes da Lei da Paridade, salientando que “todos somos importantes”.
A intervenção de Elza Pais foi profunda em optimismo. Lembrou que nunca se fez tanto em tão pouco tempo e no avanço significativo nos últimos 12 anos, tendo sido travados retrocessos. Mas relembrou que não há conquistas permanentes e na necessidade de avançar para um país mais justo e coeso em que o empoderamento tem um papel determinante. Estabeleceu algumas considerações como o igual poder e novas lideranças e a necessidade de diminuir a abstenção.
A 3ª palestra, conduzida por Marta Costa, entre outros assuntos abordou a necessidade de mudar a política levando as pessoas a participar mais na sociedade, dado o descrédito que as pessoas vêm na classe politica, por forma a que haja uma mudança positiva. Falou ainda sobre a conciliação entre homens e mulheres e das apetências de cada um.
O orador final foi Miguel Figueiredo, que enalteceu o papel que a mulher tem desempenhado na vida politica com vários exemplos, um desses exemplos foi a Lei do Aborto. Inseriu a debate um tema pertinente: a dificuldade dos jovens ingressar na vida política. Pela resistência que lhes é oferecida não permitindo singrar nesse meio e também pela dificuldade dos jovens se fixarem nas suas regiões de origem. Defendeu assim a intergeracionalidade como medida de aproximar gerações. Tal como Elza Pais, referiu a relação do tempo dedicado à política e o contacto com a família, que se perde devido às constantes deslocações.
A moderadora do 2º Painel, Teresa Sobrinho, Vice-Presidente do DFMS, passou a palavra à audiência para as considerações finais e deu por encerrado o Encontro Distrital.
Terminou assim um debate de enorme qualidade, que contou com a presença de mais de 200 pessoas, dos quais além de militantes e simpatizantes do Partido Socialista, encontravam-se também pessoas interessadas nos temas abordados, dada a sua importância.
O evento não terminaria sem o almoço convívio no belo Parque do Pisão, cujas sombras foram propícias a que as cerca de 150 pessoas, que participaram nesse momento aprazível, se sentissem à vontade para falar sobre o tremendo sucesso e pudessem ainda interagir com os oradores.
Foi assim possível escutar as palavras de Maria Antónia Palla, que se mostrou surpreendida pela quantidade de pessoas que assistiram à palestra, pela qualidade com que os trabalhos decorreram e pela presença masculina que se mostrou atenta.
Para finalizar, as palavras de Elza Pais, que atingem o ponto fulcral do evento: “A Igualdade só traz ganhos para mulheres, para homens, empresas e sociedade. Para a participação política. Cumpri-la é uma exigência da Constituição para todos e todas nós e um dever de cidadania!”
• Texto e fotos de Aníbal Seraphim
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