EDITORIAL 747

Os resultados das eleições no Brasil e outros perigos

No passado domingo assistimos a uma vitória expressiva de Bolsonaro, candidato da extrema-direita, com 46% na primeira volta das eleições presidenciais no Brasil contra 29% do moderado social-democrata Haddad. Resta-nos lutar e não perder a esperanço na segunda volta.

Durante toda a campanha eleitoral pensei que seria impossível um resultado destes. Seria impossível o povo brasileiro votar num candidato que de forma absolutamente clara e despudorada apelou à violência xenófoba, racista e misógina ao mesmo tempo que fez a apologia da tortura e da violência estatal. Pensei: isto é tão repugnante que um povo que sofreu décadas de ditadura militar, que se viu atirado para níveis de pobreza que justificaram as políticas sociais do governo PT que levaram à saída de 20 milhões de pobres da pobreza extrema e instituíram o acesso à alimentação básica pela Bolsa-Família, onde os desníveis sociais são ainda gritantes, não vai permitir a vitória de um candidato que representa um retrocesso civilizacional de décadas.

Na véspera, pensei: depois da vitória de Trump, tudo é possível, recuso-me a fazer prognósticos.

Na verdade estamos a atravessar na Europa e no resto do mundo um período de recuo da vida democrática com fortes avanços de regimes autoritários e populistas de extrema direita.

Recentemente surgiu na Espanha um novo partido de extrema direita e em Portugal está também em curso a formação de um partido de extrema direita pela mão de dissidentes do PSD.

Apesar de tudo, em Portugal, a actual solução de governo que permitiu a recuperação de direitos e de salários reduziu o descontentamento e com isso reduziu o espaço que eventualmente poderia ser ocupado por movimentos populistas de direita ou extrema direita.

Estamos em vésperas do debate do Orçamento de Estado na Assembleia da República, tudo indica que será aprovado. O que significa mais um ano de políticas de recuperação de rendimentos das famílias e de crescimento da economia nacional.

No próximo ano teremos eleições para o Parlamento Europeu e para a Assembleia da República. Há que aprender com as vitórias que a actual solução governativa permitiu alcançar, com os erros das esquerdas, que na Europa e no resto do mundo, favoreceram o crescimento dos populismos e radicalismos de direita e continuar a trabalhar para soluções governativas que permitam trilhar com êxito o caminho do progresso e da justiça social.

• Texto de Maria do Carmo Bica

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