Na freguesia de Sul, o Festival Fragas-Aveloso é já uma referência do “querido mês de Agosto”
(Texto de António Tavares)
Foto de Luís Ribeiro
Decorreu entre 16 e 19 de Agosto a 5ª edição do Festival Fragas-Aveloso, organizado pela Associação Fragas Aveloso, com inúmeras referências elogiosas à sua programação e concretização. Mais uma vez, a Associação procurou dinamizar todas as atividades em parceria com as associações de aldeias vizinhas, com destaque para Rompecilha, Oliveira de Sul e Covelinhas, e dar vida aos espaços públicos de encontro das aldeias.
Dia 19: 1º Aniversário da Associação ARCAS de Covelinhas (foto de Paula Chainho)
Pontos altos musicais foram atingidos com o concerto na Igreja de Sul e com as concertinas no Largo do Espírito Santo, em Oliveira de Sul. O primeiro preenchido com repertórios de ópera e música de intervenção, cantados pelo Grupo ARS NOVA, dirigido pelo Professor António Alexandrino e com a colaboração do gaiteiro Miguel Quitério Ribeiro, e pelos cantores líricos Sabine Urban e Alexandr Jerebtsov, este coralista no Teatro Nacional de S. Carlos, que foram acompanhados ao piano por Sérgio Gonçalves.
Dia 17: Concerto de ARS NOVA na Igreja de Sul (Foto de Paula Chainho)
Dia 17: Concerto de ARS NOVA| António Alexandrino e Miguel Quitério Ribeiro na Igreja de Sul (Foto de Paula Chainho)
Dia 17: Concerto de Sabine & Alexandr Jerebetsov | Sérgio Gonçalves na Igreja de Sul (Foto de Luís Ribeiro)
O segundo ponto alto, com uma exibição de concertinas interpretadas pelos Vouguinhas de S. Pedro do Sul e por tocadores de Pesos e de Rompecilha, contando ainda com a participação improvisada de cantadores ao desafio da freguesia de Sul. Neste evento, um porco assado no terreiro, servido em sandes acompanhadas de cerveja e bom vinho, deram o mote para o baile popular que ali se realizou, com muitos prémios distribuídos pela quermesse que obviamente não podia faltar.
Dia 18: Grupo de Concertinas de Pesos e Rompecilha no Jardim do Espírito Santo em Oliveira de Sul (Foto de Luís Ribeiro)
Outro evento a destacar foi a visita a algumas minas, nascentes, furos e depósitos de água que abastecem toda a freguesia de Sul, sensibilizando a população e as entidades públicas para a riqueza com que a natureza nos brindou por dentro das nossas montanhas, cuja maior magia é a de podermos dispor de águas de qualidade e em quantidade, sem dependermos das águas de superfície captadas em barragens. Com mais de sessenta minas e nascentes em toda a freguesia, vigiadas regularmente por técnicos credenciados, a freguesia de Sul dispõe de uma autonomia invejável no abastecimento de água às suas populações, a preço também invejável, que constitui um recurso resiliente aos períodos de seca infelizmente cada vez mais frequentes. Esta atividade foi a primeira edição de uma ação dinamizada no âmbito do Programa Ciência Viva no Verão, denominada Montanhas de Água, em parceria com a Junta de Freguesia de Sul e a Câmara Municipal de São Pedro do Sul, com continuidade já assegurada para o próximo ano, conduzida pelo Professor no IST Luís Ribeiro, autor dos textos de opinião Ética e Água deste jornal.
Como vem sendo hábito dos festivais anteriores, em colaboração com o programa Ciência Viva no Verão, fizeram-se também percursos para avaliação do estado de saúde da Ribeira da Vagem, em Aveloso, e da Ribeira de Alvandeira, em Rompecilha, ambas afluentes do Rio Sul, com visita aos moinhos de água e azenha, que contaram com a parceria da Associação Cultural e Desportiva da Rompecilha. As ações tiveram inúmeros participantes vindos dos distritos de Viseu, Aveiro e Porto, dado o interesse científico destas realizações divulgadas naquele programa de ciência. De salientar que das cinco ações programadas este ano pelo programa Ciência Viva no Verão no Distrito de Viseu, três foram da responsabilidade da Associação Fragas-Aveloso.
Dia 17: Ciência Viva – Há vida no rio | Ribeira de Alvandeira, Rompecilha (Foto de Paula Chainho)
Foto 10 – Dia 18: Ciência Viva – Há vida no rio | Ribeira da Vagem, Aveloso (Foto de Paula Chainho)
Dia 19: Ciência Viva – Montanhas de Água | Freguesia de Sul (Foto de Paula Chainho)
Também adquiriu um interesse particular a deslocação dos festivaleiros à povoação de Covelinhas para aí comemorar o primeiro aniversário da Associação Arcas de Covelinhas, com um almoço servido nas ruas pela população da aldeia, em balcões improvisados sobre carros de bois.
Novidade foi também a projeção do filme “Volta à Terra”, de João Pedro Plácido, na última noite do festival, no Largo do Espírito Santo em Oliveira de Sul, uma sessão de cinema ao ar livre com um público entusiasta, trazendo à memória os belos tempos em que o cinema era uma atração insubstituível. O cinema também teve lugar no primeiro dia do Festival, no belíssimo Cineteatro Jaime Gralheiro, sobre o tema ‘’Quem perde a memória perde a sua Identidade’’, tendo sido exibidos diversos documentários sobre a região de Lafões e S. Pedro do Sul, com destaque para vários filmes realizados na década de 90 pelo grande defensor dos patrimónios ambiental e arquitetónico da região, Paulo Quintela, e ainda dois filmes históricos de 1927 e 1930 que tiveram acompanhamento musical de Miguel Quitério Ribeiro.
Dia 19: Cine-aldeia – “Volta à Terra” de João Pedro Plácido no Jardim do Espírito Santo em Oliveira de Sul (Foto de Paula Chainho)
Dia 19: Cine-aldeia – “Volta à Terra” de João Pedro Plácido no Jardim do Espírito Santo em Oliveira de Sul (Foto de Luís Ribeiro)
Novidade foi ainda a tertúlia realizada no Espaço Fráguas, em Aveloso, sobre o “vinho americano”, com a degustação deste precioso líquido, uns afirmando quanto ele sempre foi bom para a sua saúde, outros apontando-lhe alguns riscos devido ao elevado teor de metanol que pode alcançar relacionado com o processo de vinificação.
Dia 17: Tertúlia sobre o vinho americano (Foto de Paula Chainho)
No Espaço Fráguas realizaram-se ainda duas “oficinas”, uma sobre Ponto de Cruz, acompanhada por uma exposição de trabalhos de Maria Augusta Tavares, natural de Aveloso, e outra sobre Tear de mantas de retalhos, esta última orientada por Dorinda Fonseca, uma das filhas da Tia Silva que habitou a casa que existiu antes da reconstrução da atual Sede da Associação Fragas, e ali completava os seus magros rendimentos tecendo aquelas mantas e passadeiras, uma das quais em exposição na Associação.
Dia 16: Oficina de Ponto de Cruz (Foto de Paula Chainho)
Dia 16: Oficina de Tear (Foto de Paula Chainho)
No primeiro piso da Associação Fragas permaneceram também em exposição pinturas de Paulo Quintela e miniaturas das casas do Loureiro, aldeia mineira desde há muito abandonada e recentemente queimada, trabalhos de paciência executados pelo Sr. Amadeu Ferreira, residente em Oliveira de Sul.
Na Assembleia Geral do dia 19 foram já afloradas ideias para o Festival de 2019, com a preocupação maior de que o nível de satisfação alcançado com o festival deste ano não possa deixar de ser ultrapassado.
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