Agostinho da Silva

SERRAZES – a tragédia dos incêndios na noite de domingo 15out

Ao que julgamos ninguém teria ficado incólume ao fustigar da ferocidade dos incêndios que se abateram na nossa Região. Na freguesia, os mais velhos, dizem nunca terem visto em toda a sua vida um rasto de destruição de tão elevadas proporções, tendo retirado a vida a dezenas de pessoas, embora nesta freguesia dentro da destruição, não haja mortes a lamentar. Porque os meios oficiais, foram muito escassos dadas as frentes abertas no nosso concelho e limítrofes, tendo nestas circunstâncias valido a ajuda dos vizinhos, sendo o espírito de solidariedade ainda uma palavra de entreajuda nestes lugares. Por isso tornou impeditiva uma maior tragédia. Claro que houve Casas de 1.ª Habitação queimadas, Barracões de alfaias agrícolas, Oficinas, Animais domésticos, muitas dezenas de colmeias e como é óbvio os terrenos de cultura com árvores e pomares de fruta e vinha, que faziam parte da ajuda ao sustento de muita gente tudo dizimado pelo fogo.

No que concerne ao espaço não cultivado – matas e pinhas – a área ardida é efetivamente de grandes dimensões em toda a freguesia de Serrazes, já que o fogo entrou a Poente vindo da Zona confinante de Oliveira de Frades e Vouzela que depois de atravessar o Rio Vouga, com um caudal exímio entrou no espaço florestal – espaço este que desde os inícios da década de 50 do século passado passou a estar sob a alçada da Direção dos Recursos Florestais, onde houve medidas muito valorativas, pertinentes e de muito rigor técnico por gente de saber. A título de exemplo citamos aqui o saudoso Eng.º Silvicultor A. Quintela, da Circunscrição do nosso Concelho, Homem de grandes dotes e de saber e que acima de tudo ponha na sua função uma entrega total. Em todo o concelho nesse tempo foram erguidas Casas com postos de vigia que se destinavam a habitação e vigia da Polícia Florestal ou Guardas Florestais como queram chamar. Ao tempo e durante algumas décadas estes homens foram exímios e valorativos defensores do Património Nacional que agora, como em Serrazes Casa Florestal com dezenas de hectares foram reduzidas a cinzas e o espaço da Freguesia de Serrazes e consequentemente o nosso País ficou mais pobre.

Vieram mudanças! Necessárias? É natural! Como foram feitas? Por gente de conhecimento e de saber, ou por cor política? Sabemos que ao tempo com meios muito, mas muito reduzidos, todo o espaço circunscrito a S. Pedro Sul desde o S. Macário, Belgão, Manhouce, espaço da Penoita no concelho de Vouzela, ou seja os espaços designados de “Matas Nacionais” viam os seus espaços limpos. Ranchos de mulheres e Homens de “podão ou roçadoura “ nas mãos, do nascer ao por do sol, faziam a limpeza necessária e limpando ainda uma faixa de dimensões consideráveis aos limites florestais.

Na dinâmica da mudança, a criação de novas Instituições, novos gabinetes, novas chefias e comandos, que, especialmente depois da entrada de Portugal na Comunidade Europeia, foi adquirida e feita uma entrega de meios de combate a incêndios de valor muito considerável a par também dos meios de comunicação para laborar no “teatro das operações dos incêndios” com os intervenientes!, a par da contratação de vários serviços a empresas de aviação e outras especializadas. Sabemos que algumas vezes mais não fora para tapar algumas interrogações se ousa dizer “0s meios/recursos são escassos”! Mas com o devido respeito, por quem comanda, chefia e tem poder de decisão torna-se sempre necessário rentabilizar da melhor forma os meios à disposição e estabelecer com sabedoria e justiça as prioridades inerentes sem choques ou crispações entre comandos ou chefias. Nas situações de catástrofe é necessário saber estar com as pessoas que entram em desespero e algumas vezes em dor, como na situação vigente por verem os seus ente-queridos a morrer e não os poderem salvar. Neste ponto muito podemos receber como excelente ensinamento e exemplo, demonstrado pelo Exm.º Senhor Presidente da República que não tem tréguas para dar uma palavra de conforto e esperança às famílias enlutadas e aos que tudo perderam.

Agora, e neste contexto, que várias medidas foram aprovadas pelo Governo do País, para colocar em execução, que elas sejam eficazes, pertinentes e justas nos seus parâmetros de forma a impedir novas tragédias, cifrando-se estas em quatro meses em mais de 100 mortes, que em consciência devemos lamentar e chorar.

Aprenda-se com os erros cometidos para não se cair nos mesmos e aproveite-se o que de bom havia sido feito.

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