Manuel Silva

Lua de mel - Marcelo/Governo, acabou!

Após a intervenção televisiva do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, sobre os incêndios que nos dias 15 e 16 de Outubro ceifaram mais de 40 vidas e colocaram muitos milhares de pessoas na miséria e no desemprego, nada mais será como dantes no seu relacionamento com o governo de António Costa. A lua de mel P.R.- governo terminou.

Marcelo obrigou o primeiro-ministro a pedir desculpa, no parlamento, pelas vítimas destes incêndios e do de Pedrógão Grande. A sua resposta a uma pergunta colocada no mesmo sentido pelo líder parlamentar do PSD Hugo Soares foi “se quer que peça desculpa, eu peço”, dita no mesmo tom de frieza com que tinha falado à comunicação social alguns dias antes sobre uma das maiores tragédias que assolaram o país.

A então ministra da Administração Interna, que não se demitia nem era demitida pelo chefe do governo, acabou mesmo por ir de férias, seguindo o conselho de Marcelo Rebelo de Sousa nas entrelinhas do seu discurso.

Além de afirmar que mais de 100 mortos, em consequência de incêndios num mesmo ano, eram um peso na sua consciência, disse que o parlamento se deverá pronunciar se quer o actual governo a adoptar as reformas devidas e necessárias no combate aos incêndios. E se, com apoio parlamentar, o governo não mostrar essa capacidade, o P.R. demite-o e convoca novas eleições?

O governo do PS, com o apoio parlamentar do PCP, dos “Verdes” e do BE, foi capaz de repôr rendimentos, baixar o défice para 2% do PIB, diminuir o desemprego, aumentar pensões e o salário mínimo. A situação económica e social é bem melhor que a existente durante o governo Passos/Portas, o que esteve na origem da grande vitória dos socialistas nas últimas autárquicas e na hecatombe eleitoral do PSD, que levou Passos Coelho a não se recandidatar à sua liderança. No entanto, nas funções de soberania, especialmente no tocante a garantir a segurança de pessoas e bens, tem falhado clamorosamente, como se viu em Pedrógão Grande, em Tancos e agora. Neste aspecto António Costa não está à altura das funções que exerce.

Após os terríveis incêndios do Verão de 2016, nada de substancial mudou. Os organismos responsáveis pelo combate aos incêndios continuaram a falhar, sendo de destacar a Protecção Civil e o SIRESP. O relatório da Comissão Independente relativo ao incêndio de Pedrógão é muito claro quanto a essa matéria. Aliás, o responsável máximo pela Protecção Civil apresentou a sua demissão. É certo que Roma e Pavia não se fizeram num dia. O espaço entre aquele fogo e os incêndios actuais foi de apenas 4 meses, mas o que foi feito neste tempo e durante um dos verões mais quentes e secos de que há memória? Nada de especial.

O país precisa de outras reformas, além das necessárias no combate aos fogos. Só com maior crescimento se poderá aumentar o investimento público e praticar uma melhor distribuição da riqueza, mas, para ser sustentável, o crescimento deverá  assentar na oferta e na procura. O esboço do Orçamento para 2018 aposta apenas na procura e afasta a oferta. A baixa de IRS fará aumentar o consumo, mas o aumento da carga fiscal para as empresas afasta o investimento de Portugal. Esta política poderá conduzir a novos desequilíbrios. Se consumirmos mais do que produzimos, poderemos voltar a uma situação delicada política, social e financeiramente. Que o PCP e o BE assim não entendam, percebe-se. Que o PS vá a reboque das suas políticas poderá sair bem caro.

Ana Catarina Mendes, nº 2 do PS, já disse que não gosta de ouvir falar em reformas, mas Portugal precisa delas. Quem as poderá efectuar, por forma  a preparar o futuro do país, tornando-o sustentável, justo, solidário e mais rico para todos é o PSD.

Está nas mãos dos militantes do PSD escolher Pedro Santana Lopes, apoiado pelo passismo, o qual levou o partido a bater no fundo, que com a sua errática governação permitiu que José Sócrates obtivesse a maioria absoluta nas legislativas de 2005, a única do PS, com os resultados que se viram e continuam a ver, que posteriormente foi derrotado por António Costa em eleições para a C.M. de Lisboa, ou Rui Rio, que foi eleito por 3 vezes presidente da C.M. do Porto, com a oposição de Pinto da Costa, o chamado vice-rei do norte. Contrariamente ao que dizem os seus detractores, dentro e fora do PSD, não aplicou uma política economicista. Foi capaz de conciliar o rigor nas contas do município com políticas sociais e tornou o Porto uma cidade mais agradável. Defende o corte com políticas conservadoras e neo-liberais e o regresso à social-democracia, recusa o rótulo de direita para o partido, à semelhança de Sá Carneiro. Defende ainda as sempre adiadas reformas, temidas pelo PS, preparadoras de um Portugal melhor. Os apoios até agora recebidos pela sua candidatura provêm de pessoas de qualidade demonstrada e inequivocamente sociais-democratas.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *