Cronicas do Olheirão de Mário Pereira

Coisas de espantar


Há dias fiquei espantado com um titulo no Notícias de Vouzela que dizia : “Lafões prepara época de incêndios” e a notícia era sobre a organização dos Bombeiros e da Proteção Civil.
Nada contra que se prepare a época de incêndios, mas não deixa de ser pena que desde o Verão passado não tenha acontecido nada que merecesse um título do tipo: Lãfões previne incêndios.
A EDP espantou-me com o detalhe da fatura da eletricidade feita de modo a que fique bem claro quais são as taxas e impostos incluídos na fatura.
Esta atitude em si mesma não me faz grande confusão, mas é pena que não tenham continuado a discriminar o valor que eles dizem ser eletricidade. Eu gostaria de ver mais algumas parcelas do tipo:
– Salários dos gestores
– Lucros dos acionistas
Já agora poderiam dizer também quanto é que pouparam com a redução dos serviços de atendimento ao público. Eu sou do tempo em que havia uma loja em Oliveira de Frades e outra em S. Pedro do Sul.
O processo do eng Sócrates é também uma coisa estranha.
O homem só podia ter sido preso durante dez meses porque existiam fortes indícios de que tinha cometido um crime grave. Por isso espanta-me que não o acusem de alguma coisa.
Acresce que nada impede o Ministério Público de o acusar de um crime e continuar a investigar abrindo novos processos contra ele e contra outras pessoas.
No Ministério Público parece haver alguns procuradores que querem investigar todos os crimes do universo ligando-os ao processo contra Sócrates.
Eu ficaria muito surpreendido se o eng Sócrates estivesse envolvido em todos os crimes do BES e da PT, desde logo porque não acredito que os outros potenciais envolvidos estivessem interessados nisso.
Ele poderá ter sido muito poderoso, mas parece-me que há gente a atribuir-lhe poderes mágicos de super herói do crime.
Motivo de espanto é o facto do juiz Carlos Alexandre recusar ser promovido para o Tribunal da Relação de modo a poder continuar no Tribunal onde chegam os processos mediáticos.
Por estes dias, a Dra Assunção Cristas espantou-nos ao contar como foi tratado o processo de falência do BES pelo governo em que ela participou.
Por alguma razão estranha ao bom senso o primeiro ministro, desse tempo, Passos Coelho entendeu, por bem, não discutir no Conselho de Ministros a situação da banca em geral e a falência do BES em particular.
A desculpa é que isso era uma competência do Banco de Portugal.
É espantoso que estes poderes possam ser confiados a um homem nomeado pelo governo, mas não exercidos pelo governo. A ser assim devemos pensar se vale a pena ter um governo.
Uma outra coisa que espanta são as comissões de inquérito à CGD.
Deputados e jornalistas andam muito preocupados em saber se o Dr. Centeno disse alguma mentira, mas estão completamente tranquilos com as declarações dos antigos ministros das finanças e dos antigos presidentes das CGD que disseram não terem conversado uns com os outros sobre a gestão da Caixa.
Eu prefiro acreditar que isto é mentira, porque o mínimo que se poderá exigir ao Ministro das Finanças é que converse com o Presidente da Caixa, não sobre os empréstimos aos amigos, mas para falarem sobre todas as outras coisas que a gestão da Caixa deve ter para tratar.
Se o ministro das finanças e os presidentes da CGD não conversavam e se o Conselho de Ministros não discutia a situação dos bancos em crise será caso para além de espantados ficarmos muito preocupados.
Mário Pereira – Março 2017

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