EDITORIAL 712

Com o presidente Trump os EUA entraram em convulsão política incerta e perigosa

• Redação

Já se tem escrito na Gazeta da Beira que o cada vez mais acelerado desenvolvimento científico e o decorrente desenvolvimento tecnológico estão a empurrar para o desemprego muitos trabalhadores e a impedir que muitos novos trabalhadores encontrem emprego. Em consequência os salários têm baixado e muita gente vive de subsídios de desemprego enquanto dura.

Por isso há desesperança por vida melhor, sentimento de revolta contra os políticos que governam os países e significativa redução do poder de compra com estagnação económica por falta de procura das mercadorias postas no mercado.

A isto acresce a concentração da riqueza em pequeno número de pessoas, estimando-se que um por cento da população mundial concentra tanta riqueza como 99 por cento restantes. Isso deve-se fundamentalmente às novas tecnologias levarem à concentração da produção em cada vez menor número de grandes empresas que tendem a dominar parte crescentemente mais significativa da produção mundial.

O mal estar social e económico sentido pela maior parte da população mundial que sofre progressiva redução das suas condições de vida está a fazer crescer a popularidade de políticos que, ao serviço consciente dos mais ricos do mundo, procuram desviar as populações prejudicadas das reais razões da redução das suas condições de vida, atribuindo essa redução aos imigrantes que deixaram os seus países à procura de melhorar as suas vidas, aos que têm outra religião, a outros países apontados como causadores do mal estar que sentem.

Na Inglaterra são acusados os trabalhadores da União Europeia de irem em grande número para o país e por isso serem os responsáveis do mal estar dos trabalhadores ingleses. Esse argumento convenceu muitos trabalhadores do país e a maioria da população a votar pelo abandono da União Europeia.

Na França o partido da extrema direita de Marie Lepen tem discurso semelhante, que ganha cada vez maior apoio nas regiões operários onde os partidos de esquerda têm tido boa votação.

Noutros países europeus a direita, por razões semelhantes, e os partidos de extrema direita estão a ganhar apoios, como na Polónia, na Hungria, na Áustria e em outros.

Esta evolução política para a direita dos que vivem do seu trabalho é consequência do referido, isto é do grande desenvolvimento científico e do tecnológico dele decorrente, que está a dispensar trabalhadores, e também do colapso da União Soviética em 1991.

Em consequência desse colapso resultante do apodrecimento ideológico do Partido Comunista Soviético os trabalhadores do mundo foram perdendo a esperança na possibilidade de construção de sociedade assente em princípios de solidariedade social e de reforço dos poderes políticos dos que vivem do seu trabalho.

A recente eleição do presidente Trump nos EUA é sinal preocupante de que à concentração da riqueza mundial em 1% da população do mundo tende a corresponder o monopólio do poder político nesse pequeno número de pessoas.

O presidente Trump nos EUA está a erguer essa bandeira política insultando quantos contrariam as suas declarações e decisões políticas, chamando ao poder os defensores mais reaccionários dos valores xenófobos, inventando factos para justificar as suas posições políticas, tomando decisões irreflectidas sobre graves questões politicas mundiais, como a da Palestina, afirmando um dia o que desdiz no dia seguinte, agindo de modo não ponderado e irresponsável.

Temos que prestar grande atenção à política do presidente Trump denunciando a sua aparente mas perigosa inconsequência, que pode levar à instalação de regimes de extrema direita em muitos países do mundo e, pior, de eventual conflito mundial com uso de armamento atómico.

Esperemos que, antes disso, o presidente Trump seja afastado do poder político nos EUA.

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