Mário Almeida

Convite à emigração!

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Quando em 2011, Passos Coelho indicou o mercado da língua portuguesa espalhada pelo mundo como uma oportunidade para os professores, que querendo continuar a exercer a profissão, mas que não encontravam lugar em Portugal por via da quebra da natalidade e o encerramento de escolas, ia caindo o “Carmo e a Trindade”. Apesar da evidência dos factos e realismo das suas palavras, ele e o seu governo foram acusados desde traidores à pátria a fascistas. Que estimulavam a emigração e a saída dos jovens.

António Costa, há dias atrás, em França, disse o mesmo utilizando quase as mesmas palavras e, ao contrário das palavras de Passos Coelho, que provocaram um estrondo colossal, o silêncio da comunicação social perante as palavras de Costa é denunciador.

A hipocrisia da comunicação social, predominantemente de esquerda, só reconhece o direito de mandar emigrar a alguém dos seus.

O argumento utilizado é de que o sentido das palavras de um e de outro não são iguais. Em boa verdade, Passos Coelho mandou emigrar porque não gosta dos professores e quere-os longe do país, apesar de haver alunos que cheguem para os ocupar(!?). António Costa, só mandou emigrar os professores porque já não há crianças em Portugal!

Esta ironia, assume forma de verdade e exterioriza a falta de seriedade e demagogia que existe na política.

Tanto Passos como Costa têm razão quando apelam aos professores, que não tendo lugar para exercer a sua profissão em Portugal, procurem no espaço da língua portuguesa espalhado pelo mundo um lugar para continuarem a ser professores.

É uma falácia pensar que é possível formar milhares de professores todos os anos e continuar a dar-lhes emprego (já agora, na escola pública!), com escolas a fechar quase todos os dias e o número de crianças a diminuir assustadoramente.

Os últimos dias ficaram também marcados por dois episódios reveladores dos tempos que vivemos.

Primeiro, a ex-ministra da cultura, Gabriela Canavilhas, sugeriu o despedimento de uma jornalista porque, a propósito da manifestação de professores pela escola pública em Lisboa, a jornalista em causa não noticiou apenas o número de manifestantes fornecido pela Fenprof (80.000 pessoas), mas também o número de pessoas fornecido pela PSP (15.000)!

O segundo episódio foi o chumbo dos partidos de esquerda na Assembleia da República, à proposta do PSD, para uma Comissão de Inquérito à Caixa Geral de Depósitos.

E isto não se percebe porquê!

Sendo a esquerda tão exigente quanto à transparência na banca privada, por maioria de razão, à banca pública o nível de exigência devia ser ainda maior. A recapitalização da CGD resulta, na sua maior parte, por créditos concedidos sem nenhuma garantia. Portanto, é importante esclarecer responsabilidades do passado e impedir que a culpa morra solteira.Redação Gazeta da Beira

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