Mário Almeida

A saúde da “Geringonça”

698_MarioAlmeida-OpiniaoA Geringonça fez 6 meses de mandato e mereceu honras de um Conselho de Ministros especial.

A data merecia uma comemoração a altura e António Costa não deixou créditos por mãos alheias!

O objetivo não foi de olhar para os números que já começam a ser preocupantes em tão tenra idade ou, como dizem alguns, para os “sinais”, de que a economia e o país não estão bem.

O objetivo, dizia eu, era o de festejar 6 meses de mandato da “Geringonça”, que toda a gente não julgava ser possível.

A “Geringonça”, como disse o primeiro-ministro, não só existe, como funciona. Para surpresa até do próprio!

António Costa é um exímio negociador, mostrando a capacidade de, sem ganhar eleições, conseguir alcançar o poder e, honra lhe seja feita, mantê-lo!

Ainda não se sabe com que custos. Mas isso é outra conversa que só o tempo histórico poderá dar essa informação. Por enquanto ainda é cedo.

Aparentemente a parte mais fácil já está feita, a de reversão de tudo o que foi feito antes, devolvendo salários e pensões.

Só ainda não se sabe por quanto tempo. Mas isso é outra conversa!

Sempre pensei que esta solução não durasse muito tempo. Porque, parece-me, a natureza dos partidos da coligação são muito diferentes uns dos outros e que, mais dia, menos dia, as diferenças viriam à tona e seria a “morte do artista”.

O Partido Socialista de António Costa, está hoje muito mais próximo do marxismo/trotskismo do Bloco de Esquerda e do Partido Comunista, que do PSD.

Muita gente, modestamente também eu, desvalorizou a solidez desta coligação de governo, que tem como cimento o ódio pessoal a Passos Coelho e a ambição desmedida em ser primeiro-ministro de António Costa.

Hoje tendo muito mais a acreditar que a queda da coligação resultará muito mais de fatores externos, que fatores internos. Ou através da economia, com números que podem começar a piorar, ou através de sondagens que mostrem PCP a perder terreno para os seus parceiros da coligação!

Chegada até aqui a “Geringonça”, tudo o que vier daqui para a frente será lucro!

O melhor que podia acontecer a António Costa seria agora uma crise que provocasse eleições.

O Partido Socialista poderia dizer que tinha devolvido rendimento às pessoas (sem dizer por quanto tempo, claro!). Rendimento que tinha sido “roubado” pelo governo anterior!

O Bloco de Esquerda poderia dizer que devolveu dignidade às pessoas, com a aprovação do casamento gay, com a adoção por casais gay, com a lei das barrigas de aluguer.

E o PCP poderia dizer que devolveu força aos sindicatos, tanto no caso das escolas, como no caso dos estivadores.

Ainda assim, muita coisa ficaria por explicar. Como, por exemplo, a trapalhada das 35 horas. Porque apenas alguns trabalhadores da função pública cumprem 35 horas e outros têm de cumprir 40? Já agora, porque a lei não é universal e aplicada a todos os trabalhadores? Porque só à função pública?

Isso fica por explicar. Mas claro que António Costa já terá resposta também para isso!Redação Gazeta da Beira

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