Projecto ACOLHER

“FRAGAS Aveloso”

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Dia 8 de Abril: Seminário, em hora de conclusão e balanço

No decurso de vários meses, “Gazeta da Beira” veio dando conta de algumas das facetas/actividades de que se revestiu o desenvolvimento do “Projecto Acolher”. Entretanto, no presente contexto, falar em “Projecto Acolher” significa, antes de mais e sobremaneira, aludir a “FRAGAS AVELOSO, Associação para a Interacção Ambiental, Científica, Comunitária e Cultural”, sediada na freguesia de Sul, concelho de S. Pedro do Sul. Esta Associação, criada em 2013, partiu da iniciativa de familiares e amigos/as da bióloga e investigadora no Instituto Superior Técnico, Paula Tavares, falecida num trágico acidente, em 2009. Doutorada em ecotoxicologia, desenvolveu actividade científica nesta área. De acordo com o exposto num desdobrável de ‘Fragas Aveloso’, «Como ecologista social, dedicou-se activamente às áreas do ambiente, agroecologia, soberania alimentar e comércio justo. Destacou-se na preservação dos valores culturais, valorização do associativismo e acção comunitária. Mulher de muitos sonhos, projectos e causas, esteve presente nas principais lutas pelos direitos das mulheres que a sua jovem idade permitia.» Em suma, o legado intelectual e de activista ambiental de Paula Tavares inspira a definição no delineamento do rumo a seguir por esta Associação.

Com efeito, assim é com o “Projecto Acolher” – materialização de uma dinâmica capaz de envolver a comunidade em torno de um objectivo comum, com a mobilização dos jovens e mulheres das aldeias, contribuindo deste modo para o desenvolvimento social, cultural e rural, na perspectiva de uma Cooperação Intergeracional para um Turismo Ético e Responsável (TER), com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, no âmbito do programa ‘Cidadania Ativa EeaGrants’.

O projecto iniciou o desenvolvimento das actividades no início de Maio de 2015, mediante acções de capacitação para jovens como mediadores/as em Turismo Ético e Responsável, bem como ainda mediante a aquisição de conhecimentos de Ambiente e Património (histórico e cultural), “que suportassem a criação de uma rede de itinerários de turismo inter-aldeias, com o envolvimento das comunidades locais.” Por outro lado, foi o projecto apresentado, publicamente, no Salão Nobre da Câmara Municipal de S. Pedro do Sul, em 27 de Maio, pela coordenadora do projecto (Drª Manuela Tavares) e pelas técnicas (Adriana Gomes, que exibiu ainda um apontamento musical e Cristina Bandeira).

O projecto incidiu também na promoção de sessões intergeracionais, tais como uma desfolhada “à antiga”, na aldeia Bondança (Manhouce) e o “ciclo do linho”, na aldeia Rompecilha (S.Martinho das Moitas).

Além disso, o projecto, no que respeita a actividades com mulheres de aldeias do concelho de S. Pedro do Sul, orientou-se “no sentido da sensibilização para o acolher de visitantes nas aldeias, de forma a organizar as populações autóctones em redes comunitárias e a dinamizar estas regiões que tanto padecem devido, sobretudo, à desertificação”.

Em consequência do “Projecto ACOLHER”, surge agora “uma Cooperativa de Animação Turística em meio Rural (Cooperativa AcolheRural) e terá a cargo o processo de organização comunitária em turismo de aldeia”, uma actividade “inovadora na região”.

 

SEMINÁRIO

Como corolário, em jeito de conclusão e balanço, o dia 8 de Abril foi reservado para seminário, com a presença de convidados diversos, bem como de representantes de estâncias tidas no âmbito do “Projecto ACOLHER”, com especial enfoque no que foi realizado e respectiva avaliação.

E foi com “casa cheia” que decorreu este seminário, na sede da Associação.

Pela Fundação Calouste Gulbenkian, Dr. Luís Madureira. Câmara Municipal de S. Pedro do Sul: Vice-Presidente, Dr. Pedro Mouro e Vereadora da Cultura, Dra Teresa Sobrinho. Em representação do Agrupamento de Escolas de S. Pedro do Sul, o seu Director (Dr. José Manuel Gonçalves). “Projecto Acolher”: coordenadora, Dra Manuela Tavares e técnicas, Adriana Gomes e Cristina Bandeira. Pessoas vindas de várias terras da vizinhança e não só: Aveloso, Lageosa, Sá, Rompecilha, Oliveira de Sul, Gestosinho de Manhouce. Dando corpo a esta plateia, (e com predominância das raparigas) os jovens, que deram vida a muitas das actividades, desde o início do projecto. Ainda, e mais uma vez, a colaboração do Prof. Paulo Quintela na gravação de som e imagem. Também a presença da “Gazeta da Beira” (Prof. Alexandrino e Mário Oliveira).

A coordenadora apresentou uma resenha com os pontos mais salientes no que concerne a uma avaliação criteriosa no desenrolar das actividades, ao longo destes meses. Agradeceu e enfatizou a importância da confiança conferida ao projecto pelas entidades que assim o entenderam, com destaque para a F. C. Gulbenkian e Câmara Municipal. Reiterou a oportunidade do projecto, cuja pertinência é bem patente na definição dos objectivos que lhe conferem sustentabilidade. Destacou a acção e o empenhamento das técnicas a quem se deve em boa parte o sucesso alcançado. Considera o IEFP e os Centros Paroquiais duas qualidades de bons aliados, sem esquecer os Formadores. No entanto, os jovens e as mulheres constituem como que o ‘núcleo duro’ que justifica um projecto deste teor.

A Vereadora da Cultura (Teresa Sobrinho) salientou a índole do projecto, ao qual aderiu logo desde início, no que tem de inovador – um “turismo novo”, a partir do que “já há”, com seus valores e vivências “in loco”, devendo-se contar com as mulheres e os jovens desempenhando o papel de ‘alavanca’. Entende que “Fragas Aveloso” lançou as sementes, sendo de esperar que os devidos apoios continuem.

O Vice-presidente da C. Municipal (Pedro Mouro) entende que o turismo terá de ser a “grande alavanca” da região, devendo o termalismo “contar com outras iniciativas”. Atribui às “Fragas” um carácter pioneiro na região, designadamente, na Região Centro, aliás, espaço geográfico e social sem uma definição com individualidade própria.

Para o Professor Luís Ribeiro, o “Projecto Acolher” constituiu “uma aventura, uma experiência notável”, face ao aspecto “chocante” de que se reveste a involução das coisas. Releva e louva o papel da Gulbenkian no apoio que dá a iniciativas como esta.

Adriana Gomes e Cristina Bandeira formaram a equipa técnica. Vivenciaram o desenrolar do “Acolher” por dentro e a par e passo. Assim, não sem uma ponta de emotividade, descrevem como o interesse, por parte das pessoas, se foi progressivamente pautando pela aceitação. Entendem que o turismo rural encerra imensas potencialidades, sentimento acrescido do conhecimento que têm do meio que tão bem conhecem. A Associação (as “Fragas”, como dizem) vai, dizemos nós, ocupar um lugar especial no seu íntimo (‘ab imo pectore’ – do fundo do coração).

O representante da Fundação Calouste Gulbenkian classifica o projecto de “único” em Portugal. Diz-se feliz, por constatar a eficácia do programa. Em suma: a Fundação fará o que está ao seu alcance para que iniciativas como esta prossigam.

Por sua vez, os jovens mediadores/as (capacitados, no âmbito do projecto), presentes neste seminário, destacaram os aspectos que o projecto evidenciou: capacidades da região; projecção para o futuro; experiências e vivências novas; a vida da agricultura; a opção pela vida na aldeia; o sentimento da inter-ajuda e o envelhecimento da população.

Por outro lado, a Cooperativa AcolheRural “deu a cara”, com a intervenção da Ana Rita Trindade (presidente da Direcção), a identificação da secretária da Assembleia Geral (Joana Martins), da tesoureira (Daniela Figueiredo), da secretária da Direcção (Tânia Rocha), da presidência da Assembleia Geral (Ekterina Malginova), da vice-presidente (Catarina Cardoso). Ficámos a saber que, neste novo organismo, as coisas já “mexem”.

Não podia faltar a música. Foi um gosto ouvir o grupo “Fragas en(Canto)” com as vozes da Adriana Gomes e da Ana Rita, acompanhadas à viola pelo Renato, nas canções: “Linho mourisco” (Gonçalo Sampaio), “Milho verde” (José Afonso), “Cantiga bailada” (Brigada Victor Jara) e “Para os braços da minha mãe” (Pedro Abrunhosa).

“Gazeta da Beira” pediu a alguns dos presentes uma definição sintética para o “Projecto Acolher”:

Manuela Tavares – «Valeu a pena»; Ana Rita – «Partilha»; Teresa Sobrinho – «Arrojado»; Adriana Gomes – «Sustentabilidade»; Cristina Bandeira – «Acolher»; Luís Ribeiro – «Criar raízes»; Pedro Mouro – «Uma persistência no sentido de trazer vida às aldeias e a quem as visita, de forma responsável e ética.»

A encerrar, um lanche diversificado e apetitoso esperava os participantes no seminário.

“Gazeta da Beira” cumprimenta a “Fragas Aveloso”, desejando que as suas actividades continuem a desenrolar-se, dentro do espírito que a inspira.Redação Gazeta da Beira

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