Eu quero um Governo Patriótico e de Esquerda!

Mário Almeida

O título deste artigo nada tem de irónico. O modo como o governo tratou os contribuintes na última resolução de um banco, na circunstância o BANIF, leva-me a reclamar a urgência de um governo patriótico e de esquerda.

Mais uma vez um banco faliu em Portugal e mais uma vez o contribuinte foi chamado a pagar!

Durante anos e anos convivemos confortavelmente com uma banca a ganhar dinheiro de forma obscena, liderado por gente que era a Dona Disto Tudo, que levava uma vida faustosa e insultuosa em relação a outras áreas da economia e em relação sobretudo aos cidadãos.

Enquanto a banca ganhava dinheiro e distribuía algum pelo poder o povo trabalhava e lutava para construir uma vida de desafogo.

Como contribuinte mais uma vez sinto-me enganado porque acreditei que este governo de esquerda pensasse que um banco podia funcionar como qualquer empresa quando está mal. Fecha e pronto!

A famosa “geringonça” que era suposta funcionar durante algum tempo nem ao fim do ano chega. BE e PCP chumbaram a solução do PS.

Quando se esperava mais de um governo de esquerda, afinal comportou-se como qualquer outro governo, preocupado com a banca e o “sistema Bancário”!

O PCP em nome da sua coerência disse que não ajudaria a resgatar mais bancos! O BE por sua vez impos algumas condições sem, contudo, excluir completamente a hipótese de viabilizar no parlamento a solução, apesar de não ter sido necessário. Assim, o Partido Socialista conseguiu fazer passar a proposta de resolução do BANIF com a ajuda o PSD.

E os contribuintes mais uma vez ficaram, ou vão ficar, sem a massa!

Ficamos a saber também que um governo, tanto faz de esquerda ou de direita, não importa, uma coisa têm em comum, não deixam falir bancos!

As promessas do ministro das finanças, Mário Centeno, de que os contribuintes não voltarão a ser chamados para resgatar bancos não passam disso mesmo, de promessas. Ao próximo sinal de alarme lá estará o estado para proteger mais um banco.

O BANIF era um problema de há muito, com culpas quer do anterior governo, quer também de políticas bancárias sustentadas numa economia de consumo, a qual estamos, aliás, a regressar e que fizeram da banca organizações virtuais que geriam dinheiro que não existia nem existe. Vivendo num esquema de investimento em pirâmide estilo D. Branca.

O governo anterior, ao que parece, empurrou o problema com a barriga e o governo de António Costa, à boa maneira socialista, entregou o ouro ao bandido, vendeu o banco a preço de saldo (Banco Bom), nacionalizou os prejuízos e passou a fatura a dez Milhões de portugueses para pagar. Claro, sempre com o poderoso argumento que queriam proteger o “Sistema Bancário” e os trabalhadores.

Quanto ao “Sistema Bancário”, ao que se vê, não protege coisa nenhuma. Quanto aos trabalhadores é muito discutível!

E quando se trata de uma outra empresa qualquer que fecha portas? O estado vai a correr salvar a empresa e evitar o desemprego? Ou fará como tem sempre acontecido? Deixa fechar e paga subsídio de desemprego?Redação Gazeta da Beira

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