Mário Almeida
Um país curvado…!
Portugal vive uma enorme confusão política. Quem ganhou eleições pode não conseguir governar o país e quem perdeu, desdobra-se, curva a espinha e vende a alma para não perder a oportunidade de apanhar o comboio do poder.
Com a crise política regressou também algum palavreado que já estava esquecido nas gavetas do socialismo desde o PREC. A Esquerda não hesita em chamar fascistas e salazarentos àqueles que se opõem a esta estratégia de António Costa, acusando a Direita de ressuscitar os fantasmas do PREC!
E é esta extrema-esquerda que se associa a um PS, que acabou por ser uma espécie de asilo político das grandes figuras do antigo regime. Não esquecer neste capítulo Freitas do Amaral, Basílio Horta, entre outros.
O que conta nestes jogos de poder é que para António Costa vale tudo para salvar a pele. E para a Esquerda em geral vale tudo para chegar ao poder.
Quanto ao país logo se vê!
De substancial não há nada que una esta esquerda, a não ser a vontade de impedir que a coligação PSD/CDS governe o país. E também, claro está, na ambição desmedida e na vontade louca de chegar ao pote do poder.
Manuela Ferreira Leite, tão citada pela esquerda antes das eleições, falou agora em golpe de estado. E falou também que a esquerda é boa a governar enquanto há dinheiro. Mas agora já ninguém a quer ouvir.
Das negociações que tem vindo a público a única coisa que se conhece que tem havido consensos é em matéria de despesas, isto é, aumento do ordenado mínimo, aumento de pensões – nem pensar em congelamentos!- descida do IVA da Restauração, reposição dos rendimentos da Função Pública, devolução da TSU e por aí fora.
O problema é chegar à economia, as finanças, às políticas quanto ao sistema bancário e às políticas europeias. Aí é que a “porca torce o rabo!”
A vida e, sobretudo, a política é feita de sinais. E os sinais que vimos até agora são muito preocupantes. Um destes sinais é o que diz respeito à reposição dos salários da Função Pública. Para o atual governo, essa reposição estava prevista para os 4 anos de mandato. No caso do Partido Socialista, de acordo com o tal documento dos economistas, a previsão era para os próximos 2 anos. Agora, com este acordo da Esquerda, a previsão de reposição é já para janeiro!
Ainda ninguém nos explicou onde ir buscar o dinheiro. Vamos aguardar!
Com esta estratégia o Partido Socialista prescinde de uma posição dominante em relação à coligação PSD/CDS, onde teria sempre uma voz determinante caso chegassem a um acordo. Ao subscrever a solução de governo que está na calha será sempre subalternizado e, diria eu, dominado por uma Catarina Martins que tem como único objetivo derrotar a Direita. Nem mais!
Portanto, trata-se de uma coligação sustentada em estratégias pessoais. No caso de Catarina Martins, de afirmação de poder (recorde-se que ela é apenas porta voz de uma liderança a seis!). No caso de António Costa, de se manter no lugar e salvar a pele!
Uma coisa parece óbvia, o acordo à esquerda vai acabar assim que acabar o dinheiro. Depois voltamos ao mesmo. Mais ano menos ano…! mais Troika, mais aperto de cinto, mais corte de salários. Enfim, mais sacrifícios. E quando tal acontecer os responsáveis já estarão em França a complementar estudos em Ciência política. Regressando mais tarde para dar lições de moral.
Este filme não é novo e já o vimos em Portugal demasiadas vezes.
E tenderá a repetir-se.
Neste momento o país está curvado à vontade de um só homem. À sua ambição de ser primeiro-ministro. Custe o que custar!Redação Gazeta da Beira
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