S. Pedro do Sul impedido de se recandidatar ao CLDS este ano

Para Teresa Sobrinho o motivo pode ser político

Este ano S. Pedro do Sul não vai receber nenhum Contrato Local de Desenvolvimento Social (CLDS). O concelho não está na lista divulgada pela Segurança Social para os novos programas. Em declarações à Gazeta da Beira, Teresa Sobrinho diz que a decisão é injusta e não é clara, podendo dar azo a outras interpretações. A vereadora pondera mesmo que a exclusão de S. Pedro do Sul possa ter razões políticas.

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S. Pedro do Sul, depois de ter terminado o CLDS+, em Manhouce, este ano, não vai ser complementado com nenhum novo CLDS. “Primeiro, o que nos foi dito é que a ideia deste ano seria atribuir os projetos de CLDS a Municípios que nunca tivessem tido esse projeto. Nós concordámos, uma vez que já tínhamos tido três, faria sentido, considerámos justo. Contudo, o que aconteceu entretanto, foi que quando tivemos acesso à lista estavam lá municípios que já tinham recebido outros projetos. A lista complementa municípios que já tiveram mais do que nós e outros, que nunca tinham sido apoiados, continuam a não ter oportunidade de os ter. Sentimo-nos triste e injustiçados”, defende a vereadora.

Como explica a autarca, o processo inicia-se com a divulgação de uma lista que divulga quais são os concelhos que podem concorrer. Sobrinho defende um processo mais objetivo. “Seria diferente se fossem candidaturas abertas a todos, onde concorria quem queria e ganhavam as melhores propostas, avaliadas por um conjunto de itens objetivos. Seria um processo mais isento em que toda a gente perceberia as regras do jogo e não daria azo a outras interpretações”.

A vereadora põe mesmo a hipótese que em causa possam estar motivações políticas. “Pode ter, peque na lista e veja se os executivos mencionados são de um partido ou de outro e faça a sua interpretação”. Recorde-se que em S. Pedro do Sul o executivo é socialista, ao contrário do Governo dirigido pelo Partido Social Democrata e o Partido Popular.

Teresa Sobrinho considera que “faria todo o sentido continuar a ter o CLDS no concelho, até porque, em termos sociais há ainda muito a fazer” até porque, como considera “um ano é muito pouco tempo”. A vereadora garante, ainda, que a “Câmara vai continuar com alguns projetos”. No desemprego ficam, agora, cerca de 5 pessoas. O CLDS recebia um apoio financeiro da Segurança Social a rondar os 300 mil euros.

Entretanto foram já entregues duas moções que protestam contra esta decisão do Governo. Uma deliberada e aprovada por unanimidade em Reunião de Câmara e outra apresentada pela Rede Social, um fórum em que estão representadas várias entidades.

CLDS+ com balanço muito positivo

Para Ângela Abreu, Coordenadora do CLDS+, em S. Pedro do Sul, a execução do programa tem um balanço muito positivo e destaca os principais projetos dentro dos três eixos fundamentais: emprego, família e auto-organização dos habitantes.

No primeiro pilar Ângela Abreu destaca a parceria realizada com o IEFP que “permitiu trabalhar muitos desempregados, com proximidade” e o trabalho realizado na agricultura. “Um dos nossos objetivos foi fomentar a agricultura em termos de emprego, para isso demos apoio a 10 jovens agricultores e 20 agricultores já instalados. Paralelamente, promovemos algumas iniciativas que visavam escoar os produtos. Nomeadamente, a “Feira de Vitela de Lafões”, o “Feijão.Come” a dinamização do próprio mercado tradicional entre muitas outras”. Ainda neste âmbito a coordenadora sublinha o trabalho desenvolvido com vários alunos do 12º ano que não queriam continuar os estudos e que o CLDS+ apoiou num contexto de inserção profissional.

Na questão das famílias problemáticas, Ângela Guimarães destaca o atelier “Começar de Pequenino” que veio dar apoio lúdico e pedagógico a crianças com mais dificuldades económicas”.

Finalmente, no terceiro eixo de desenvolvimento do trabalho feito pelo CLDS+ destaca-se a criação do Gabinete de Apoio ao Associativismo que procura contraria a tendência do declínio do associativismo no concelho e os três postos de turismo, designados de Aldeias Vivas ,que vêm prover turisticamente S. Pedro do Sul.

Em síntese, Ângela Abreu considera que o balanço é muito positivo, mas deixa a ressalva, “muito ficou por fazer”. O programa esteve no terreno cerca de 16 meses, deixou frutos.Redação Gazeta da Beira

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