Recuperação do Centro Social é prioridade

Custódio Lima, Presidente da Junta de Pessegueiro do Vouga em entrevista

Continuamos a percorrer as freguesias de Sever do Vouga. Desta vez foi a vez de Pessegueiro do Vouga, onde estivemos à conversa com o Presidente da Junta. Custódio Almeida faz um balanço do mandato e fala dos principais temas da atualidade. A recuperação do Centro Social e a urgência da construção de uma nova ETAR (Estação de Tratamentos de Águas Resíduas) são alguns dos temas em destaque.

unnamed

Gazeta da Beira (GB) – Este é o seu primeiro mandato enquanto Presidente de Junta da Freguesia de Pessegueiro do Vouga. Porque é que se decidiu candidatar?

Custódio Lima (CL) – Eu já tive na Junta de Freguesia há quatro anos, como secretário e depois, incentivaram-me para eu vir novamente. Eu vim e ganhei as eleições e, agora, tenho que assumir o compromisso de quem me colocou aqui.

GB- O mandato vai sensivelmente a meio. Para já, que balanço pode ser feito?

CL-O mandato vai a meio, tem corrido bem. Não é fácil como aquilo que se esperava, com as novas leis que agora estão em vigor, mas, tudo se leva avante. Com alguma dificuldade e sacrifício, mas temos conseguido. Não estou arrependido, nós só nos arrependemos quando morremos. Não se podem fazer muitas obras, porque o dinheiro também não é muito. Nós temos uma despesa muita elevada com o pessoal. Neste momento, temos sete funcionários, recentemente, tivemos ainda que recorrer a um POC (Programa Ocupacional de Emprego), no Instituto de Emprego e Formação Profissional, devido a baixa de funcionários, o que é mais um custo. Obras têm-se feito algumas, não aquilo que eu esperava, porque esperava muito mais.

GB- Recentemente fez uma candidatura para a requalificação do Centro Social. É esta uma obra importante para a freguesia?

CL- É muito importante. Tomara muitas freguesias terem as instalações que nós temos, agora, estão muito abandalhadas, estão a ficar muito degradadas, chove lá dentro. E o meu gosto era, pelo menos, mudar o telhado. Esta é uma obra que vai custar entre 80 a 100 mil euros. Para além do telhado, é necessário colocar capoto por fora. Fizemos a candidatura recentemente, agora, espero que seja aprovada!

GB- Era uma obra que gostava de deixar concluída neste mandato?

CL-Sem dúvida, é uma mais-valia muito grande, não para mim, por que isto não é meu, mas para todos os pessegueirenses. Quanto mais obras nós fizermos melhor para os que vêm atrás de nós.

GB- Um dos problemas da freguesia é a ETAR de Sóligo que continua a dar problemas. Qual é a situação atual?

CL-É uma situação que se arrasta há longos anos. Só quem vem lá é que sabe. Aquilo é um cheiro insuportável, não se pode lá parar com tantos mosquitos e melgas, mesmo ao pé das habitações. A ETAR já tem cerca de 20 anos. Está completamente atrasada. Os esgotos saem todos diretos, não há tratamento. Estamos a poluir o nosso rio todo.

É preciso construir uma ETAR em condições, porque na situação atual, mais vale ter as fossas e não haver saneamento nenhum.

GB-Considera, portanto que esta é uma obra urgente para a freguesia?

CL- A construção de uma nova ETAR é urgente. Já há lá um placar que diz que vão construir uma nova ETAR, até já devia estar adjudicada, agora eu sei bem como é o funcionamento público. Demora-se mais tempo nas burocracias do que a fazer a obra.

Eu se for apanhado a queimar uns papéis nas obras, apanho uma multa que varia de 500 a 4 mil euros, então, e a ADRA pode fazer descarregamento diretos no rio?

GB- A freguesia de Pessegueiro do Vouga tem muito movimento associativo. É uma mais-valia? Sente que a crise pode prejudicar?

CL- É muito bom termos todas estas associações. O problema é que hoje há pouco quem queira trabalhar. Por outro lado, hoje, também é muito difícil angariar fundos, não há financiamentos. As empresas tomara elas conseguirem sobreviver, os particulares fecham-se e em casa e não têm dinheiro e acaba por ser muito difícil para as associações conseguirem sobreviver.

GB- No ano passado não fechou nenhuma Escola Primária na freguesia. Há ainda muitas crianças em Pessegueiro do Vouga?

CL– Sim, felizmente, ainda temos muitas crianças. Contudo, nós aqui em Pessegueiro temos pouca indústria, muitas pessoas vão trabalhar para Sever do Vouga e preferem levar os filhos. Nós fazemos o transporte de manhã e à noite, mas aquelas pessoas que não têm com quem deixar os filhos, muitos deles, vão para Sever do Vouga.

GB- Ao contrário de muitas juntas de freguesia no concelho, Pessegueiro do Vouga ainda tem o posto médico aberto todos os dias…

CL- É uma valia muito grande. Queremos ver se os mantemos sempre aqui. Estão nas instalações da junta e não pagam nem um tostão. Só as despesas. É muito importante para a freguesia de pessegueiro e para as freguesias vizinhas.

GB- Disse há pouco que tomara a muitas freguesias ter as instalações que Pessegueiro tem. Contudo, o que é que ainda faz falta?

CL-Só tenho pena de não termos aqui uma caixa multibanco e uma filial do Banco. Já tivemos, antes, um multibanco aqui, mas foi assaltadas duas vezes de seguida e o banco retirou-o-

GB-Finalmente, terminamos com a pergunta tradicional deste ciclo de entrevista… O que é que a freguesia de Pessegueiros do Vouga tem para oferecer?

CL-Pessegueiro tem muito para oferecer. Pelo menos Laranjas não falta (brinca) e as pessoas são simpáticas. Todos os anos fazemos a Rota das Laranjeiras. Portanto, no ano passado, foi a primeira vez que eu estive como presidente e já tivemos mais de 100 pessoas. Este ano tivemos cerca de 200 pessoas, muitas das quais, de fora do concelho e adoraram a freguesia. Temos aqui muito potencial turístico para explorar

 

Biografia

Custódio Tavares Pereira de Lima

Data de Nascimento: 3 de maio de 1954

Empreiteiro

Dirigente da Banda de Pessegueiro do Vouga

Presidente da Junta de Pessegueiro (2013- atualidade)

Secretário da Junta de PessegueiroRedação Gazeta da Beira