Mário Almeida
UMA ESCOLHA DIFÍCIL?
As legislativas estão à porta e prevê-se que para outubro os portugueses sejam chamado às urnas para expressar a sua opinião e responder à pergunta “Quem deve governar o Portugal nos próximos 4 anos?”
Entre o PSD e CDS coligados e o PS sozinho, os portugueses vão ter de decidir.
Existem naturalmente outros partidos que concorrem também, mas esses serão sempre “cartas fora do baralho!” primeiro porque o nosso sistema eleitoral, ou melhor, a nossa cultura e prática democrática, têm sido construídas de modo a que a governação do país passe sempre pelos chamados partidos do “Arco da Governação”. O dramatismo que tem sido colocado nas campanhas eleitorais faz com que assim seja.
Por outro lado os próprios partidos com menor expressão eleitoral, tendem a fugir da governação como “gato de água fria”. Veja-se o caso do Bloco de Esquerda e do PCP, quando das negociações com a Troika, que se recusaram até em conversar com o grupo de missão enviados por Bruxelas que nos haveria de emprestar dinheiro para pagar salários e pensões (sabe-se hoje que a situação era ainda pior que a Grécia atualmente!).
E mais recentemente as declarações de vários partidos da Esquerda mais radical que não aceitam participar em qualquer governo liderado pelo PS, a não ser que os socialistas aceitem não ultrapassar uma linha vermelha que esses partidos definiram como não ultrapassável.
O Livre já disse que é ponto de Honra renegociar a dívida.
O PCP afirmou que não aceita o Tratado Orçamental votado na Europa e que vincula toda a União Europeia.
O Bloco de Esquerda põe como condição uma coisa e outra.
Qualquer destas medidas a serem adotadas pelo governo comprometem a manutenção do nosso país na União Europeia. Ora, sabendo que não irá encontrar apoios à sua esquerda, daqui resulta que não resta outra alternativa ao PS que não seja pedir uma maioria absoluta para poder governar sozinho.
Quanto ao PSD e CDS, não tendo mais ninguém à sua direita, também irá fazer o mesmo apelo.
E o povo português, ao contrário do que pensam muitos políticos, é um povo maduro democrática e politicamente falando e na hora de escolher a quem entregar a sua escolha e depositar o seu voto vai ter em conta os condicionalismos já referidos atrás.
Acredito que as próximas eleições legislativas vão trazer algo de novo e alterar o paradigma das campanhas eleitorais.
O que temos assistido até aqui são os partidos a prometerem tudo a todos sem nenhuma sustentação económica, muitas vezes até sem nenhuma vontade de cumprir. Com muita demagogia à mistura e com muita irresponsabilidade. Logo a seguir, em ganhando as eleições, tratam logo de encontrar não uma, mas várias desculpas para não cumprir o prometido e remeter para o passado as culpas. Normalmente falta de dinheiro e surpresas nas contas públicas são sempre desculpas que “colam como uma uva!”
A alteração de paradigma é que desta vez os portugueses vão ser chamados para decidir entre duas realidades que conhecem bem e ainda estão muito frescas e recentes nas suas mentes.
A primeira realidade é a do Partido Socialista que governou o país até há 4 anos atrás e que teve que chamar a Troika que nos impôs medidas políticas muito duras para nos emprestar dinheiro e pagar a quem devíamos.
A segunda realidade é a do PSD e CDS que governaram o país num período muito difícil e que, apesar de muita dor e sofrimento, Portugal já começa a ter algum crescimento e tudo leva a crer que o pior já passou.
A escolha na minha cabeça não parece difícil e já está feita. Quanto ao resto do país não sei!
Fiquem bem!Redação Gazeta da Beira
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