Francisco Queirós
Autopsia de uma (Des)Governação… (parte 2)
Autopsia de uma (Des)Governação… (parte 2)
Sócrates, rei do deficit e do absurdo!
Para pagar a “festa socialista”, os dois consulados do PS que, em conjunto, governaram Portugal por 14 dos últimos 20 anos, foram simplesmente aumentando a dívida. Cobrar mais impostos, de forma a pagar as suas políticas, era uma medida impopular, visto que os socialistas queriam ser reeleitos. Logo, a lógica “gasta agora que outro pagará depois” dominou as duas décadas anteriores a 2011. Os gastos do Estado aumentaram exponencialmente e foram inventados subsídios para tudo e mais alguma coisa, incluindo o polémico “Rendimento Mínimo”, de que muitos abusaram. As sementes da bancarrota já estavam a ser lançadas à terra. Que fique claro que entendo o RSI como um instrumento importante para evitar situações de extrema miséria indignas de uma Sociedade do nosso tempo. Não pode é ser atribuído de forma leviana, nem permitir que muitos enganem o Estado para obter tal benefício em prejuízo de quem realmente precisa. Se queremos que quem passa fome possa viver dignamente primeiro há que lhe matar a fome, mas depois é de bem que o ensinemos a pescar e a caçar, pois de outro modo sempre dependerá de outrem! O RSI tem de ser visto como uma medida transitória de resposta uma carência grave e que permita aos seus beneficiários a reentrada no mercado de trabalho para uma Cidadania plena! Não pode servir para alimentar uma classe de Subsidio-Dependentes!
António Guterres, ainda assim, conseguiu ficar menos mal no retrato, pois beneficiou de uma fase de grande crescimento económico que suavizou o peso das enormes dívidas que contraiu, nomeadamente nas PPP’s. Mas elas voltaram para nos atormentar anos mais tarde, quando o crescimento económico estagnou!
Sócrates seguiu os passos do seu antecessor, mas sem o benefício de uma economia forte para sustentar os seus projectos megalómanos, como o TGV e o novo Aeroporto (nunca concretizados, mas que custaram na mesma uma fortuna em Estudos, Indemnizações, Rompimento de Contractos, etc. ao erário público: Vergonhoso!) e os computadores Magalhães. Os subsídios para tudo e mais alguma coisa continuaram, e ainda se inventou o esquema das “Novas Oportunidades”, para Portugal ficar bem nas estatísticas internacionais mesmo sem uma melhoria sustentável do sistema de ensino e muito menos do grau de Literacia nacional: acompanhei um processo de “Novas Oportunidades” que permitiu a um sujeito desta Freguesia, pouco mais que analfabeto obter equivalência ao 9.º Ano! Inacreditável a forma como facilmente conseguiu entregar e ver aceites uns “trabalhos”, que envergonhariam qualquer aluno da 2.ª classe! Para além disso as Formadoras ainda lhe ajudaram a concluir os ditos “exercícios escolares”! Outros só não aproveitaram porque não quiseram! Com isto eu e quem fez estudos de forma regular terá de se sentir irremediavelmente estúpido: precisamos de 12 anos de escola para obter o que alguns conseguem em escassos meses!
Sou formado em Psicologia do Trabalho e das Empresas pela FPCE da Universidade do Porto e, pela minha formação e experiência, vejo as “Novas Oportunidades” como algo de Aberrante! Assentou a minha especialização na Corrente Francófona chamada de “Ergonomia e Formação”. Em que consiste? Numa visão do Trabalho e do Trabalhador em que ninguém é maior “Expert” do seu Trabalho de quem o executa. Procura-se conhecer o Trabalho como é realmente executado pelo Operador no quadro de contingências que lhe são impostas para a sua execução. Só desta forma se podem Produzir Programas de Formação adequados e capazes de produzir resultados sérios. Não se aceita que alguém exterior ao Posto de Trabalho imponha ao Operador módulos de Formação que este não percebe e dos quais não tira proveito. É deste modo que em países mais evoluídos se trabalha a Formação de Adultos com Baixos Níveis de Qualificação e não colocando pessoas que saíram da escola há mais de 30 ou 40 anos a aprender como se fossem crianças e jovens! Os Adultos com Baixos Níveis de Qualificação aprendem e ensinam em função da sua experiência de vida e de trabalho porque compreendem o que se lhes pretende transmitir. “Oferecer Diplomas” não serve senão para fantasiar estatísticas e desbaratar dinheiro para satisfazer Clientelas Políticas!Redação Gazeta da Beira
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