João Pedro Coelho

World Press Photo

World Press Photo

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Entramos, ainda contagiados com o sol e a temperatura do exterior.

Acercamo-nos da primeira fotografia.

Olha-se, primeiro olhamos apenas… Vamos olhando, o silêncio invade-nos.

O sorriso trazido do exterior desaparece dos nossos rostos. Diante dos nossos olhos, vão “desfilando” várias fotografias.

Li e reli esta frase, vezes sem conta, em artigos, em blogues e em pequenos apontamentos sobre sobre a exposição:

“Fotografar, é colocar na nossa linha de mira, a cabeça, o olho e o coração”, Henri Cartier- Bresson.

Cedi à tentação da não originalidade, citando esta frase; porque ela descreve o que é o fotojornalismo e o que esta exposição nos apresenta.

A exposição “World Press Photo 15”, patente no Museu da Electricidade em Lisboa, até ao próximo dia 24 de Maio, mostra o que de melhor se faz no fotojornalismo mundial.

Ao concurso de 2015, concorreram cerca de 98.000 fotografias, enviadas por 5.692 fotógrafos de 131 países.

O concurso, que vai na sua 58ª edição, premiou este ano, uma fotografia de Mads Nissen, sobre a homossexualidade na Rússia.

Percorrer as várias salas da exposição é fazer uma viagem pelo nosso mundo. É viajar pelas diferentes zonas do planeta, é “sentir” a guerra, o medo, o ódio, a doença, as catástrofes; mas, também, a alegria, o sucesso, as conquistas, a glória…

Vimo-nos envolvidos pela selvajaria do Boko Haram, quando nos confrontamos com as fotografias dos bibes que as meninas raptadas usavam na escola; “assistimos” à execução de um homem no Irão, em plena praça pública, onde são os familiares que retiram a cadeira onde se encontra o homem, fazendo com que morra enforcado, chocamo-nos com o olhar tresloucado de um doente com ébola; presenciamos a guerra na Ucrânia; vivemos a tragédia dos imigrantes no Mediterrâneo, quando surge diante dos nossos olhos uma barcaça sobrelotado de homens, mulheres e crianças; e mais; e mais; e tanto mais…

Fotografias sem Photoshop…fotografias reais.

No final da exposição saímos “vergados” pela loucura, pela insanidade, pelos atropelos que nós, homens, cometemos em nome de “não sei o quê”.

A exposição mostra-nos, também, a coragem destes fotojornalistas, que arriscam a sua própria vida para nos trazerem as imagens daquilo que se passa. Um apreço especial e particular para os fotojornalistas das zonas de guerra, onde, muitas vezes, são mortos, aprisionados e torturados; quando não fazem mais do que o seu trabalho: fotografar com a cabeça, o olho e o coração.

Evoco, aqui, três fotos, também, elas premiadas em edições anteriores; e que temos presentes na nossa memória desde que foram tornadas públicas.

A primeira é “Crianças fogem de um ataque de Napalm no Vietname” (1973), onde se vê, ao centro, uma menina nua a fugir depois de a sua aldeia ter sido atacada com napalm pelas tropas Sul Vietnamitas.

A segunda, aparece o “Golpe de estado no Chile” (1973), onde se vê o Presidente Allende, de capacete na cabeça, no Palácio La Moneda, horas antes de morrer.

A terceira, “O homem na Praça Tianammen” (1989), onde um só homem enfrenta o poderio militar dos tanques governamentais chineses.

Visitar a exposição é entender melhor o mundo. É estar atento ao que nos rodeia.

É sentirmo-nos chocados, é sentirmo-nos incomodados, é obrigar-nos a tomar partido.

Se puder, não fique em casa. VáRedação Gazeta da Beira

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