Francisco Queirós
Acreditar na Ressurreição Hoje? Sim é possível!

Em mais uma Páscoa os Cristãos de todo o mundo voltam a contemplar a morte e Ressurreição de Cristo, o Pilar fundacional da sua Fé. Mas faz sentido, no nosso tempo, acreditar na Ressurreição factual de Jesus? E que dizer da Ressurreição dos fiéis, outro pilar do credo cristão?
Acreditar na Ressurreição hoje em dia é, acima de tudo, um Acto de Coragem… diria mesmo um “Acto Revolucionário”! No nosso tempo não é fácil de afirmar, no plano do discurso dominante da Racionalidade Simples e Linear, que se acredita que a vida que vivemos, que a experiência de entrega, de solidariedade e de amor, não é uma coisa que acaba. É uma coisa que deixa marcas, que permanece, que ganha Eternidade.
Acreditar na ressurreição de Cristo é um Acto de Fé, seguramente, tanto faz ser hoje em dia como há dois mil anos. Acredita-se na Ressurreição pela Fé, assente no mistério maior. Ser Cristão começa aí: é acreditar na Ressurreição! São Paulo diz claramente numa das suas cartas: se Cristo não ressuscitou, então a nossa fé é em vão. Se ressuscitou, então a ressurreição é para todos – é isso que ele nos prometeu e naturalmente se acreditamos na Ressurreição de Cristo então acreditamos na nossa.
Invertendo a lógica de pensamento e análise: Como não acreditar?
Que sentido teriam todas as lutas, todas as conquistas, todo o amor, todo o sofrimento, todos os ganhos, todos os revezes, todo o perdão, todas as promessas, todos os exemplos, todas as vidas, se não houvesse um “Além Promissor”, pelo qual vale a pena lutar e morrer? Um “depois disto” em que vamos rever quem amámos e quem sempre nos amou e ama, quem seguimos e a quem rezámos, a quem pedimos e com quem vamos repousar felizes, imersos num amor superior que tudo abarca, alegremente envolve e enfim justifica?
Um jornalista francês, Jacques Duquesne, que trabalhou muito a questão religiosa escreve: “A história não poderá dizer se Jesus está vivo, ou se, pelo contrário, morreu para sempre no dia 7 de Abril do ano 30. O que se pode dizer, porém, é que se passou alguma coisa naqueles dias. Um acontecimento que, abalando aqueles homens e aquelas mulheres, abalou o mundo.”
De facto, não sabendo exactamente o que se passou, sabemos que se passou alguma coisa de tão extraordinário que aquelas mulheres e aqueles homens, ficaram, de facto, abalados nos seus alicerces, na sua forma de estar, que era de resignação uns dias antes.
Obviamente não é fácil acreditar nisto, sendo algo de difícil aceitação à luz do que é a Racionalidade Simples. Obviamente há que dar um passo e esse passo só a Fé o pode dar. Mas o que é facto é que esse passo tem um alicerce nesses testemunhos, nessa gente que viu alguma coisa que as abalou e transformou.
Penso que esse testemunho – de adesão a uma palavra, a uma pessoa, a uma forma de viver – é o grande testemunho da Ressurreição. Se não é fácil acreditar na Ressurreição, também não é fácil aderir a esse testemunho, mas ele é sem dúvida a exigência maior do Cristianismo: a Fé em Jesus e na sua Ressurreição!
Há muita coisa em que acreditamos sem provas! Os Afectos não se demonstram no “tubo de ensaio”: Acreditamos amar e ser amados sem recorrer à simplista Racionalidade que nos envolve e pretende dominar. É profundamente humana esta capacidade de acreditar no outro e no seu testemunho.
No caso de Jesus, o que conduz à Ressurreição, é a profunda verdade na forma como Ele viveu. É também a forma como ele se relacionou com todas as pessoas, que se pode condensar naquilo que dizemos serem os valores do reino, a justiça, a verdade, o amor, a paz que continuam actualíssimos e são essenciais para as nossas relações humanas e também nas nossas relações sociais.
A ditadura financeira que nos tem sido imposta nos últimos anos repousa sobre a mentira e, por isso, os cristãos deviam lutar contra ela. Assenta na mentira e numa realidade em que as pessoas são espezinhadas, e é tudo feito ao contrário daquilo que Jesus durante a sua vida procurou fazer: promover uma relação de verdade e de justiça em relação aos que mais sofrem, os mais débeis, e toda a gente em geral. Ao imitá-lo estamos a verdadeiramente Crer na sua Ressurreição!Redação Gazeta da Beira
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