Agrupamento dos Bombeiros volta a estar em cima da mesa

Bombeiros Voluntários de S. Pedro do Sul: presidente demite-se e comandante cessa funções

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No início do mês, Gil Almeida apresentou a demissão do cargo de Presidente da Direção dos Bombeiros Voluntários de S. Pedro do Sul. Agora foi a vez de o Comante Mário Pereira pedir a cessão de funções. Paula Carvalhas, vice-presidente, assume com naturalidade a presidência e diz que não há motivo para alarme. A direção procura um substituto para o lugar de comandante, entretanto, Mário Pereira deve continuar em funções. Isto numa altura em a opção de criar o tão falado “Agrupamento de Bombeiros” volta a estar em cima da mesa.

Mário Pereira vai cessar funções de Comandante dos Bombeiros Voluntários de S. Pedro do Sul já no final do mês, mas deve continuar em funções, até se encontrar um substituto, uma vez que é a pessoa mais graduada do quartel. Depois de dez anos no comando, em declarações à Gazeta da Beira, alega “cansaço”; algumas divergências com a direção e falta de apoio do Corpo Ativo. Já no início do mês Gil Almeida tinha apresentado a demissão. Ao nosso Jornal, “alegou questões pessoais e falta de tempo”. Paula Carvalhas, então vice- presidente, assume as funções.

Mário Pereira vai deixar o Comando dos Bombeiros Voluntários de S. Pedro do Sul, depois de cerca de 10 anos, os últimos como comandante. Diz que vai gostar de voltar “à condição de bombeiro” e que “não se importa nada de receber ordens”, mas deixa o aviso: “se quem der as ordens souber menos do que eu, não vou acatar essas ordens” e acrescenta: “sou dos comandantes que sai de S. Pedro do Sul com mais formações”.

Depois de quase 20 anos consecutivos como Bombeiro sai com “mágoa” por não ter o apoio do Corpo Ativo quando mais precisava. “Não posso agradecer ao Corpo Ativo… a maioria ficou contente com a minha saída”, refere. Sai, também, com o sentimento de dever cumprido, “dei sempre o meu melhor por esta casa.” Mário Pereira diz deixar o quartel em muitos melhores condições do que aquelas que herdou e dá alguns exemplos: “novo material de desencarceramento; mais intercomunicadores, melhor fardamento individual… mais formação”.

No futuro, poderá voltar ao cargo de comandante… mas noutro quartel: “Não me faltam propostas noutros quarteis para exercer funções, não digo como comandante, mas como segundo comandante, ou adjunto de comandante. Agora quero descansar um pouco, durante dez anos nunca soube o que eram férias, ou pelo menos praia. Se Deus me ajudar hei-de voltar de novo a ser comandante, mas nunca em S. Pedro do Sul.”

Paula Carvalhas diz que estas duas saídas não vão afetar o funcionamento normal da Corporação. “É preciso tranquilizar as populações, os Bombeiros têm uma estrutura hierárquica muito organizada, pelo que todo este processo decorre com normalidade. Relativamente à direção, os restantes elementos vão assegurar as funções. Quanto ao comandante, estamos a estabelecer contactos para a substituição, entretanto, será a pessoa mais graduada a assumir transitoriamente essas funções”.

Os quarteleiros o grande motivo da cisão

Mário Pereira considera que os quarteleiros eram essenciais para o bom funcionamento do quartel, principalmente durante a noite, “uma vez que o voluntariado era pouco.” Sempre insistiu nesse ponto, mas a direção não acedeu. Como explica Gil Almeida: “quisemos encontrar uma solução mais humana e contratamos um funcionário”. Para o comandante não era suficiente: “Houve inúmeras situações que aconteceram e o comandante é sempre responsável, estar a assumir uma responsabilidade tão grande, quando não sinto apoio por parte da direção, penso que a melhor solução é pedir o cessar de funções, vou ficar com outro cargo, mas não quero ficar com esta responsabilidade”.

Agrupamento de Bombeiros poder ser uma realidade

A situação atual nos Bombeiros Voluntários de S. Pedro do Sul trouxe novamente o assunto à ordem do dia. Para quando o Agrupamento das duas corporações de Bombeiros? Contactados pela Gazeta da Beira, António Casais, Presidente da Salvação Pública e Paula Carvalhas dizem ser a melhor opção para S. Pedro do Sul. Como defende Paula Carvalhas, “Penso que estão criadas as condições, a união faz a força era uma maneira de colmatar as nossas fragilidades”.

António Casais concorda. Como explica, “esta é, neste momento, a vontade das corporações e também do município. Penso que o concelho teria a ganhar. Nesta fase penso que seria uma mais-valia. Numa altura em que assistimos à desertificação, à emigração dos mais novos, seria uma forma de rentabilizar os nossos recursos humanos que são escassos, mas também os recursos materiais”.

As duas direções confirmam reuniões já executadas, quer com o Presidente da Câmara Vítor Figueiredo, quer com a CODIS (Comando Distrital de Operações de Viseu).

 Redação Gazeta da Beira