“Com o Parque Natural queremos impulsionar o turismo e aumentar a riqueza no concelho”

Rui Ladeira, em entrevista

O ano 2014 em revista, o 2015 em perspetiva, os principais temas que marcam a atualidade em Vouzela, em destaque. As zonas industriais como potenciadoras de emprego e riqueza, o reforço da área social em tempos de crise, a luta pelos serviços públicos no concelho, a aposta na imagem de Vouzela enquanto destino turístico de natureza e o Parque Natural Vouga-Caramulo como motor dessa marca. Rui Ladeira responde a tudo, em entrevista exclusiva à Gazeta da Beira.

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Gazeta da Beira (GB) -Começamos com um balanço de 2014. O programa eleitoral apresentado pelo executivo dava prioridade à revitalização do sector económico. Neste pilar o que é que foi feito?

Rui Ladeira (RL) – O pilar do desenvolvimento económico tinha como grande objetivo potenciar as nossas zonas industriais: Campia, Vouzela-Monte Cavalo e Queirã. Nesse primeiro ano, conseguimos concluir a infraestruturação da Zona Industrial de Queirã. Em paralelo diversas empresas estão, também, a instalar-se nesta Zona Industrial. Aliás, considerando as três zonas industriais, neste primeiro ano e meio, conseguimos comprometer, sensivelmente, 200 postos de trabalho. A criação de emprego tem sido um polo fundamental deste executivo, isto porque, só podemos criar desenvolvimento, aumentar a riqueza e o bem-estar da população se tivermos empresas instaladas na nossa região.

GB-Uma aposta que continua para o futuro, com a Requalificação da Zona Industrial de Campia?

RL-Exatamente, atualmente estamos na fase final da entrega da obra que será realizada a curto prazo, estamos a falar de um investimento na ordem dos 146 mil euros que implica a requalificação do piso que está bastante deteriorado. Além disso, temos em perspetiva a ampliação da Zona Industrial, criando mais 20 lotes e por isso estamos a desenvolver uma candidatura ao novo quadro comunitário. Consideramos que esta é uma obra determinante para aquilo que é o desenvolvimento do concelho e em particular desta área tão dinâmica que é Campia.

GB-2014 foi ainda marcado pela criação do balcão de Apoio ao Empresário e ao Empreendedor. Que balanço pode ser feito?

RL-O Balcão de Apoio ao Empresário e ao Empreendedor foi resposta assertiva, porque efetivamente tivemos muitas consultas e atendimento. Jovens que querem criar a sua ideia de negócio; empresários que estão no território e que precisam de financiamento ou de orientações, Portanto, o balanço é francamente positivo, aliás, alguns dos comércios e negócios que têm surgido na vila e no concelho têm já uma forte chancela do apoio deste Gabinete.

GB-Para quando a Incubadora de Empresas?

RL-Estamos já numa fase final, à partida conseguiremos um entendimento com a tutela para instalar a Incubadora de Empresas ou Viveiro de Empresas nas antigas instalações da GNR. Este será um pilar fundamental para que possamos criar condições para que jovens possam criar as suas ideias de negócio e, consequentemente, criar novos postos de trabalho.

GB-Ainda dentro deste vetor importa ainda destacar a conclusão da primeira fase da requalificação urbanística da Vila…

RL-Estamos a falar de um investimento a rondar os 400 mil euros, foi já um primeiro passo mas que terá que ter continuação. Está prevista uma nova fase que prevê que toda a zona do centro da Vila seja requalificada, contudo, trata-se de um orçamento avultado superior a um milhão de euros e portanto só possível através de fundos comunitários no novo quadro comunitário. Ainda neste mandato vamos resolver definitivamente aquilo que é o problema de estacionamentos na Vila. Além daqueles que já conseguimos aumentar, nesta primeira fase de intervenção, é nosso objetivo criar mais 50 estacionamentos. GB-2014 foi um ano em que Vouzela ganhou novos serviços, concretamente através do Espaço do Cidadão, mas que também perdeu, com a “despromoção” do Tribunal de Vouzela a Serviço de Proximidade… RL-Vouzela recebeu um Espaço do Cidadão, o primeiro da Comunidade Intermunicipal Dão-Lafões o que é muito importante para as dinâmicas diárias, os Vouzelenses têm assim uma série de serviços digitais do Estado que estão, agora, à sua disposição. Por outro lado, a questão da diminuição na qualidade de atendimentos nos serviços judiciários, com a despromoção do Tribunal da Comarca de Vouzela para secção de proximidade é bastante negativo. Sempre contestámos e vamos continuar a contestar essa decisão. Compreendemos que os serviços têm que ser reformulados e não nos opomos a isso, agora, não podemos admitir ficar sem serviços. É importante que todos os serviços que estão no território se mantenham, o nosso objetivo passa por manter e recuperar aquilo que perdemos nos últimos anos. GB-Acredita que numa nova avaliação Vouzela possa vir a recuperar o Tribunal na sua plenitude? RL-Faz todo o sentido, nós temos, seguramente, na Região, as melhores instalações, o nosso edifício tem três pisos. Não foi justo, todos nós sabemos os critérios que foram utilizados para retirar serviços a Vouzela. Destaco, também, a questão da saúde, a forma como foi gerido o processo das urgências, gastando mais dinheiro e não servindo melhor os cidadãos da região, portanto foi por interesses unilaterais que essa decisão foi tomada. Como também a questão da agricultura, foram encerrados os serviços de agricultura no concelho e o município abriu um gabinete de desenvolvimento rural para poder complementar, aquilo que eram as necessidades dos nossos agricultores e do nosso mundo rural.

GB- Através do “Programa Aproximar” Vouzela irá receber uma Loja do Cidadão, que deverá ser instalada nas instalações do Tribunal. O concelho ganha assim mais serviços?

RL-É importante manter a proximidade. Tudo que seja manter ou aumentar serviços, estamos totalmente a favor. Temos a expectativa que, com as Lojas do Cidadão serão mantidos todos os serviços e eventualmente potenciados outros, o que é muito importante para que as pessoas não tenham que se deslocar, gastar, perder o seu tempo, ou muitas vezes ter dificuldades na aquisição de documentos e ter que se deslocar a Viseu, a Coimbra ou a Lisboa.

GB-Em 2014, Vouzela apostou muito nos produtos endógenos, sempre associados à cultura e à identidade do concelho. É esse o caminho?

RL-Temos um trabalho muito profundo e permanente com as nossas coletividades que nos permite ter uma oferta cultural muito diversificada: desde a área da música, da dança, de teatro, da pintura, de exposições, de fotografia… em suma, temos um leque muito diversificado de  atividades para os nossos munícipes, mas também para que vem de fora: Vouzela ArtFest; o Cinclus, Vouzela Vila Natal, encontros com os nossos grupos, Feira Social do Associativismo, encontro de bandas… Todos estes eventos permitem-nos promover a nossa cultura dentro e fora de portas. A questão da certificação dos produtos endógenos, como o Pastel de Vouzela, a doçaria, o artesanato… é para nós importantíssimo e com isso, no último ano, pudemos lançar alguns  vinhos de Lafões,  a Vitela de Lafões e o I Festival da Vitela de Lafões, a doçaria, são formas de promover os nossos produtos e ao mesmo tempo ajudar o nosso comércio local e as pequenas empresas.

GB-Agora na área da educação, quais são as prioridades?

RL-A educação para nós é determinante, temos infraestruturas que precisam de obras, como é o caso da Escola Secundária de Vouzela que não tem qualquer intervenção, desde os anos 80. As remodelações da escola a curto prazo são determinantes para nós, estamos a falar de uma intervenção de largos milhares de euros. Quando, hoje em dia, há dificuldade de alunos, não podemos aceitar que haja na região escolas com condições completamente distintas. Por outro lado, a Escola Profissional também precisa de obras de modo a capacitar as suas infraestruturas. Já no primeiro ciclo e no pré-escolar temos feitos vários investimentos na última década, portanto, estamos globalmente bem servidos.

GB-Recentemente foi aprovado um Regulamento de Apoio à Habitação. Em termos gerais em que consiste este projeto?

RL-Em tempos de crise, penso que esta é uma medida determinante. As pessoas que queiram residir em Vouzela vão poder ter apoios mensais às suas rendas, de acordo com determinados tetos de rendimentos “per capita” até mil euros. Estamos a falar de apoios que podem chegar até aos 40%. Por exemplo, se a renda for de 200€ o apoio do Município pode chegar até aos 80€.

GB-Há já interessados? Os objetivos passam por trazer mais vitalidade a Vouzela?

RL-Há já algumas candidaturas, vamos continuar a divulgar, o que queremos é atrair mais pessoas para o concelho de Vouzela e assim ajudar a economia local, trazer mais crianças para as escolas, potenciar os espaços e as infraestruturas municipais… Também nesta área Vouzela é um concelho apelativo, estamos a fazer um esforço significativo para aumentar as áreas habitacionais. Queremos renovar as nossas aldeias, torná-las mais povoadas e enriquecidas e é por isso, que no interior das aldeias, nas licenças e taxas municipais há uma redução de 50%. O mesmo acontece, com pedidos de jovens casais, até 35 anos.

GB-Em tempos de crise, a Ação Social tem que ser reforçada?

RL-Exatamente, e é o que temos feito, temos apostado muito na Ação Social, reformulado e apresentando regulamentos para tornar Vouzela mais solidária. Solidária para quem precisa, pronta para resolver os mais diversos problemas: desemprego, exclusão… Estamos atentos àquilo que são as políticas de proximidade e de dignidade, daquilo que as pessoas merecem e que nós não abdicamos de poder garantir esses apoios. O município tem articulado com as IPSS’s e com a Santa Casa da Misericórdia, estamos a fazer um trabalho incisivo junto dos jovens, das famílias com necessidades de proteção, no âmbito da rede social, no contexto escolar e familiar… O concelho de Vouzela procura estar à altura. Neste momento, qualquer caso que seja identificado, nas mais diversas áreas, Vouzela tem mecanismos para atuar de imediato.

GB-Juntamente com S. Pedro do Sul, recentemente, apresentaram uma candidatura para a requalificação da ETAR em Valgode. É este um programa estruturante para o concelho?

RL-Este é sem dúvida um programa estruturante para o concelho. Com este investimento, superior a 4 milhões de euros, queremos resolver de uma vez por todos os problemas de saneamento nestes dois municípios. Concretamente, em Vouzela, vamos integrar a Vila e as áreas periféricas, Paços de Vilharigues, Ventosa, Fataunços e o Parque de Campismo. Este último de extrema importância, estamos a falar de uma infraestrutura de enorme valor para a região, nomeadamente, na época de Verão. Paralelamente, estamos a proceder à substituição de tubagem de fibrocimento, nas freguesias com dificuldades de abastecimento de água.

GB-Uma obra que também será muito importante para os dois concelhos, Vouzela e S. Pedro do Sul é a requalificação da EN16 no troço que liga as Termas a Vouzela?

RL-Será sem dúvida muito importante quer para a interação de Vouzela com as Termas de S. Pedro do Sul, quer por questões de segurança e ligação com a A25. Neste orçamento de Estado, depois de várias reuniões com a tutela, nomeadamente com o Secretário de Estado das Estradas e das Infraestruturas, conseguimos alocar mais de meio milhão de euros para a requalificação desta estrada.  Sabemos que esta verba não chega, mas vamos continuar a pressionar a tutela para que o projeto seja dotado das verbas necessárias para a sua correção. Esperamos conseguir obter as restantes verbas a partir de fundos comunitários.

GB-Voltando ao Parque de Campismo, este vai ser requalificado em breve. Dentro da política do município assente no turismo da natureza é uma obra importante?

RL-A requalificação do Parque de Campismo precisa de uma intervenção muito forte, porque tem quase três décadas. Vamos fazer uma intervenção de fundo, estamos a falar do primeiro parque de 4 estrelas e certificado no país, nós vamos manter esta marca e esta visibilidade no nosso país. Estamos a falar de um investimento a rondar 350 mil euros.

GB-Que outros projetos, a este nível, pode salientar?

RL-O município tem feito um trabalho contínuo de promoção do turismo da natureza, patrimonial e gastronómico em particular. Temos outros exemplos, a Requalificação da Mata do Castelo que já foi aprovada, já no próximo dia 8 de março vamos inaugurar o Centro BTT, o primeiro homologado no distrito e o quarto no país. Um espaço que será de grande qualidade, que terá vários níveis de dificuldade e com certeza vai conseguir atrair milhares de atletas e família. Temos dois projetos intermunicipais: os Caminhos de Santiago que serão uma porta de entrada em Vouzela, e a Ecopista do Vouga, um projeto que é prioritário e estruturantes para este executivo. Estou convicto que no próximo quadro comunitário de apoio vai ser financiado, será um produto turístico diferenciador, queremos replicar o sucesso da ecopista do Dão. De acrescentar, ainda, o objetivo de procederemos à investigação e ao catalogamento do nosso património arquitetónico, mas também arqueológico. Vamos continuar o trabalho que tem que ser aprofundado e que potencialmente não está explorado…

GB-Neste contexto o Parque Natural Vouga-Caramulo será também muito importante?

RL-Sem dúvida… será o primeiro Parque Natural do país com gestão local, que será gerido pelo município. Mais de 11 mil hectares de área gerida numa vertente turística, de promoção dos valores ambientais e de rentabilizar o património florestal e agrícola das nossas famílias. Não podemos permitir a destruição das zonas mais sensíveis, nomeadamente as áreas envolventes aos rios, as matas emblemáticas do concelho. Queremos salvaguardar as captações de águas das pessoas (poços, minas, furos, linhas de água e terrenos agrícolas), obrigando que a plantação de espécies de crescimento rápido (exemplo: eucalipto) seja afastado destes tipo de infra estruturas (20 m). Ambicionamos que o Parque Natural Vouga Caramulo – Vouzela seja uma verdadeira alavanca de desenvolvimento do nosso concelho e do país.  Na prática com este Parque Natural queremos impulsionar o turismo e aumentar a riqueza do concelho. Este Parque Natural ambiciona agregar e organizar os investidores existentes em rede de promoção e dinamização: alojamento restauração, artesanato, os jovens agricultores que estão instalados no nosso concelho, ambicionamos ainda restaurar a tipicidade e a ruralidade das nossas aldeias e os produtos locais. A imagem promocional de Vouzela, em particular do Parque Natural Vouga Caramulo, será uma imagem de qualidade, diferenciadora, ou seja será muito forte no contexto do turismo em Portugal e até a nível internacional.

GB-O Parque Natural Vouga Caramulo vai ser sujeito a votação na próxima assembleia, a 28 de fevereiro. Neste momento qual é o ponto da situação? Há ainda muitas dúvidas por parte da população?

RL- Ao longo deste processo houve alguma contrainformação, muito localizada, criando nas pessoas dúvidas e medos! Mas como não há fundamentos válidos e sérios nos argumentos apresentados e difundidos pelos “detratores do progresso” conseguimos e procuramos esclarecer de diversas formas a nossa população. Todas as dúvidas que foram colocadas durante o período de discussão pública e depois deste período, foram esclarecidas. As pessoas contribuíram com as suas opiniões, foram esclarecidas de forma muito objetiva e aceitamos as sugestões que considerámos pertinentes. Toda a gente foi chamada e é chamada a este projeto. Fizemos diversas muitas reuniões setoriais e reuniões de esclarecimento. Integramos no regulamento do PNVC um conselho consultivo que tem representado todas as entidades importantes locais: juntas de freguesias; escolas, associações, intervenientes no setor ambiental, florestal e territorial. Agora, importa realçar que a gestão será integrada na esfera do município. Se estamos a pedir perante a legislação em vigor que seja um Parque de Gestão Local, naturalmente, o município fará a gestão do espaço.  Queremos assegurar o interesse público, queremos garantir e compatibilizar o interesse privado. Pretendemos contribuir para a diminuição do risco de incêndio. Ambicionamos a criação de mais riqueza para o nosso concelho.

 

 Redação Gazeta da Beira

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