Jovouga, 26 sempre em movimento
“Bem-vindos a Cedrim” estreia em dia de aniversário
No próximo sábado, dia 31 de Janeiro, a Jovouga está em festa. A coletividade comemora 26 anos e quis assinalar a data com a comunidade. As atrações são muitas, destaque para a estreia da peça “Bem-Vindos a Cedrim”, do grupo de Teatro da Jovouga. A Gazeta da Beira esteve à conversa com dois presidentes, em dois tempos diferentes: Edgar Jorge, o primeiro e Paulo Cruz, o atual, dois representantes de duas gerações distintas que em comum têm o amor à terra. O passado, o presente e o futuro em destaque, nas comemorações do vigésimo sexto aniversário da Jovouga.

“Estávamos no início de 1989 e, em conversas de fim de missa, alguns jovens comentavam que Cedrim era a única freguesia do município de Sever do Vouga que não tinha nenhuma organização cultural, desportiva ou recreativa”, explica Edgar Jorge. Pelas mãos de 15 jovens surge, assim, a Jovouga. Numa primeira direção que representava todos os lugares da freguesia e teve em conta a igualdade de géneros.
O primeiro desafio foi escolher o nome da associação. Como recorda o fundador, “tínhamos jovens, tínhamos vontade, só não tínhamos nome… Jovouga foi uma designação que acabou por ser aceite. Éramos jovens e o rio Vouga e o Castêlo eram “marcas” da freguesia. Direcionamos os nossos objetivos para 3 áreas: cultura, desporto e recreio. Todas as atividades que se enquadrassem nesses sectores tinham lugar na Jovouga”, salienta.
Dois capítulos da mesma história
A aventura começou logo desde a fundação e continua nos dias de hoje. “Logo nos primeiros meses ganhámos uma projeção que não contávamos. Fomos admitidos na FAJDA (Federação das Associações Juvenis do Distrito de Aveiro) e logo com direito a cargos diretivos. A nossa inscrição no RNAJ (Registo Nacional das Associações Juvenis) foi pioneira em Sever do Vouga. Os nossos contatos começaram a dar frutos e já erámos parceiros no IPJ (Instituto Português da Juventude) vistos com admiração. A Jovouga tornou-se, em pouco mais de um ano de existência, uma associação de referência. Os jovens de Cedrim participavam cada vez mais nas diversificadas atividades. A associação soube envolver o meio social”.
Uma dos primeiros grande objetivos foi conquistar uma sede própria, espaço que, acabou por ser cedido pela Junta de Freguesia e que ainda hoje é a casa da Jovouga. “Faltava-nos um local para sede. Nos primeiros tempos andámos com “a casa às costas” e gratos pela caridade da Paróquia de Cedrim e Junta de Freguesia que, timidamente nos primeiros tempos, começou aos poucos, a reconhecer a coletividade. Os contactos que íamos ampliando deram-nos a ajuda que necessitávamos para melhorarmos o nosso “cantinho”.
Dos primeiros tempos, Edgar Jorge destaca, ainda, a adesão à nova associação de Cedrim. “Conseguíamos casas cheias em muitas atividades, as ruas de Cedrim paravam para ver o atletismo e criámos a primeira equipa de futebol federado em Cedrim. Parcerias com outras coletividades alargaram os nossos horizontes. Tínhamos ideias e sabíamos como conjuga-las com os orçamentos que angariávamos e com os recursos humanos que dispúnhamos. Todos os anos havia mais jovens interessados em participar ativamente nas atividades da Jovouga e em 1993 resolvemos criar a Secção Juvenil (paralela à Direção, apenas com a diferença de ser constituída por jovens com menos de 18 anos).”
O virar do milénio, novos desafios
Depois de um período de algum esmorecimento que marcou a história da associação, no virar do milénio, uma nova geração de jovens agarrou o desafio. Até agora, não parou. Paulo Cruz foi um desses jovens. “Foi um grande desafio, sem dúvida, só igualável à sede que havia para revitalização da Jovouga, havia muito movimento juvenil na freguesia, muita vontade de dar vida a Cedrim e em pouco tempo conseguimos condições para reabrir a sede. Volvidos sete anos a Jovouga continua com a mesma vontade e é uma das associações mais dinâmicas do concelho, com uma média de 20 atividades por ano, que envolvem, no total mais de um milhar de participantes”.
O atual presidente destaca alguns momentos marcantes, nestes últimos anos. “A criação de um grupo de teatro, a participação na primeira Festa das Eiras, a revitalização de algumas tradições como por exemplo os Jogos Tradicionais, a medalha de prata atribuída à Jovouga, no ano passado pela autarquia que comprova que vamos no bom caminho”.
Mais Jovouga no futuro
“No futuro a Jovouga ainda tem muito para dar” a garantia vem do Presidente da Direção que revela alguns projetos para 2015: “Estamos a criar um festival que vai conciliar a música e o teatro, a tradição e a juventude, vai ser um festival que vai dinamizar e passar por todos os espaços de destaque na nossa freguesia… Este vai ser o ano do Grupo do Teatro da Jovouga, já temos vários convites, desde já, podemos confirmar a presença no Festival do Teatro Experimental de Arouca. Depois, temos algumas parcerias e candidaturas, ainda não confirmadas, que estamos confiantes na aprovação. Penso que 2015 vai ser um bom ano para a Jovouga”.
Edgar Jorge, o sócio número um da Jovouga, hoje, continua a olhar de perto para a Associação que viu nascer e também vê o futuro com confiança. “A Jovouga é um património cultural que ultrapassa as fronteiras da extinta freguesia de Cedrim, ou mesmo do município de Sever do Vouga. A Jovouga terá de prosseguir o seu caminho de reinvenção e adequar-se aos tempos. Tem a responsabilidade de saber cativar a juventude e transmitir-lhe valores. Os tempos de hoje são muito diferentes. Não tínhamos telemóvel nem internet em 1989. O acesso à cultura não estava tão generalizado. Mas há novos desafios. A recolha, promoção e divulgação da cultura local, e seus costumes, é um deles. O intercâmbio com outras culturas é um objetivo inicial que, a meu ver, deve prosseguir. A dinâmica da associação é inquestionável e por isso auguro futuro à “nossa” Jovouga”.
Jovouga em festa
Tudo a posto para as comemorações do vigésimo sexto aniversário da Jovouga, uma noite que promete surpreender. “Estamos a preparar uma noite muito especial, o objetivo passa por estimular o convívio pela comunidade, recordar o passado e preparar o futuro, queremos juntar a grande família Jovouga, por forma a agradecer a todos os que têm colaborado connosco, e se possível, juntar mais vozes à nossa, todos são bem-vindos!”, explica Paulo Cruz.
Das muitas atrações, destaque para a estreia da Peça de Teatro “Bem-Vindos a Cedrim”, uma peça original escrita pela direção da Jovouga e que promete surpreender. “Não podemos levantar muito o véu, mas posso garantir que vão ser momentos de muito boa disposição, acredito que as pessoas se vão identificar muito com a história que contamos. A ação passa-se em Cedrim, temos muitas referências à nossa terra, aos nossos costumes, às nossas tradições”, defende o dirigente. O último dia de janeiro traz muito mais a Cedrim, a festa começa com um momento de convívio, com um porco no espeto. Depois há espaço para uma sessão solene em que vão ser apresentados os principais projetos para 2015 e recordados alguns momentos. Depois da estreia da peça “Bem-Vindos a Cedrim”, segue-se o bolo de aniversário. A noite termina com grupo “Troika de Vozes.”
Paulo Cruz
“A Jovouga continua com a mesma vontade e é uma das associações mais dinâmicas do concelho, com uma média de 20 atividades por ano que envolvem, no total, mais de um milhar de pessoas.”
Edgar Jorge
“A história inicial da Jovouga e todos os seus momentos importantes não seriam nada sem todos as pessoas que passaram por esta “casa” nestes 26 anos. Todos tiveram o seu papel e ajudaram a engrandecer a instituição.”Redação Gazeta da Beira
Comentários recentes