Ministério Público pede pena máxima para um dos acusados de incendiar o Caramulo

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Leitura da sentença é hoje

Ministério Público pede pena máxima para um dos acusados de incendiar o Caramulo

O Ministério Público pediu pena máxima para Luís Patrick, um dos dois acusados dos Incêndios que fustigaram a Serra do Caramulo em 2013. Tudo indica que Fernando Marinho, o outro arguido, terá uma pena mais leve, mas nunca inferior a 5 anos de prisão. Isto, por ter colaborado com as autoridades nas investigações. As alegações finais decorreram no passado dia 2 de dezembro, na secção de proximidade de Vouzela. A leitura da sentença é hoje, sexta feira, dia 12 de dezembro.

ED657-p12_Tribunal-VouzelaO Ministério Público diz haver provas claras quanto ao local onde os incêndios se iniciaram; como evoluíram e, inclusive, as respetivas consequências. Um incêndio florestal doloso, quatro de homicídio qualificado e 12 de ofensa à integridade física qualificada. Para o conjunto destes crimes, o Ministério Público pediu pena máxima para Luís Patrick. Vinte e cinco anos que, contudo, podem ser reduzidos para uma pena que pode baixas até aos 17 anos. Para isso, é preciso que seja alterada a qualificação jurídica. Ou seja, se o juiz considerar que os crimes a imputar ao arguido devem ser, antes: incêndio florestal doloso agravado pelo resultado, de três homicídios, que em vez de qualificados seriam considerados negligentes e apenas oito de ofensa à integridade física, já que 4 bombeiros não apresentaram queixa.

 

A colaboração de Marinho abona a seu favor

Luís Patrick manteve a versão de que nada tinha que ver com os incêndios, posição diferente da do outro acusado. Fernando Marinho não só confessou, como ajudou as autoridades nas investigações. O Ministério Público considerou mesmo que o arguido foi uma peça fundamental para apurar os factos no desenrolar do projeto, o que deve abonar, agora, a seu favor. Deste modo, o arguido deve ter uma pena muito mais leve, mas nunca inferior a 5 anos.

Recorde-se que Fernando Marinho confessou em Tribunal ter ido com o amigo para a Serra, no dia 20 e 21 de agosto do ano de 2013, numa pequena mota branca. Segundo o seu testemunho o amigo terá incendiado dois dos três incêndios: o de Alcofra e de Meruge; e que ele próprio ateou o fogo de Silvares. Já Luís Patrick quis provar ao Tribunal um alibi, defendo que não estava como o amigo. Para o efeito, terá inclusive instigado testemunhas a, caso fossem contactadas pela polícia, confirmarem o seu alibi.

Para o Ministério Público, as declarações das testemunhas vão ao encontro do dito pelo arguido. Já as testemunhas que tentaram corroborar a versão de Patrick não mereceram credibilidade.

Alcofra o incêndio com mais consequências

Para o Procurador Carlos Guerra defendeu, ainda, que o incêndio de Alcofra foi o que teve consequências mais graves. Para além do registo da morte de quatro e ferimentos de 12 bombeiros, destaca-se um prejuízo superior a um milhão de euros e uma área consumida de 1.500 hectares que destruíram inúmeras espécies e habitats e pintaram a Serra do Caramulo de cinza.Redação Gazeta da Beira