Francisco Queirós

A Sacralização do Voto Popular; ou o “Dogma Infantil” do Mundo Ocidental… (parte 1)

Naquilo a que nos habituamos a conhecer por “Mundo Ocidental” vive-se numa Grosseira e Perniciosa Confusão entre a decisão política por meio do “Voto Popular Livre e Universal” e o próprio conceito de Democracia. De facto parece que um Regime Democrático existe sempre que o Povo Soberano decide os seus Destinos através do exercício de uma escolha livre por Voto Universal… nada mais parece contar ou é importante! Direitos fundamentais como a Saúde, a Educação, a real Liberdade de Pensamento e Expressão, a Aceitação e Respeito pelas Minorias (Culturais, Étnicas, etc.), uma Efectiva Igualdade de Género, etc. /etc. são aspectos menores perante o “Sagrado Direito ao Voto”! Vultos como Prof. José Hermano Saraiva ou o Dr. Cunhal, entre muitos outros políticos de antes e depois das Revolução, sempre mostraram muitas reservas sobre esta forma de Decisão Popular como sustentáculo de um Verdadeiro Regime Democrático; e este Cronista cada vez tem mais certezas que este caminho tem demasiadas irregularidades para ser visto como o único possível, imutável, inquestionável e não susceptível de correcção e melhoria! Respeito o regime instituído e costumo votar, mas sem grandes esperanças sobre os resultados de tais exercícios de suposta “Soberania Popular”…

Mal um País sai de uma Ditadura é forçado a realizar Eleições, ditas de “Democráticas”, num espaço de tempo irrazoavelmente breve e sem que se aguarde o tempo suficiente para que os Povos desenvolvam Consciência e Conhecimento das realidades Políticas e Socais que lhe permitam uma escolha esclarecida do seu futuro. Realizadas eleições, ditas de “Democráticas”, logo tal País passa ao “Respeitável Mundo” dos Países Democráticos! Na maioria dos casos não há sequer condições logísticas e organizativas para proceder a um acto eleitoral… consoante agrade ou não aos senhores do Poder Ocidental os “Isentíssimos Observadores”classificam tais escrutínios como aceitáveis ou não… Se isto não é um absoluto disparate já não sei o que lhe chamar!

Vamos analisar factos de exemplos concretos:

Angola e Moçambique. Findas as fratricidas guerras civis de imediato se promoveram actos Eleitorais, ditos de “Democráticos” com as consequências que todos conhecemos. Sabendo que durante o tempo de guerra civil as populações se concentravam maioritariamente nas zonas urbanas controladas pelo MPLA (Angola) e FRELIMO (Moçambique), portanto altamente condicionadas pela propaganda destes movimentos/partidos políticos, como poderíamos esperar que UNITA (Angola) e RENAMO (Moçambique) tivessem qualquer hipótese de vencer Eleições? Não tinham como se viu. E como se observa os movimentos ganhadores instituíram regimes, ditos de “Democráticos” porque há direito a Voto Popular, que os perpetuam até hoje no Poder. Na realidade são Regimes Autoritários e muito mal “Mascarados”! De facto de “Democráticos” têm muito pouco ou nada: mantêm o povo numa “ignorância e alienação controladas” por forma a sempre terem por garantido a sua permanência no Poder haja as Eleições que houver. Sonegam ao Povo os Direitos Humanos e Garantias fundamentais; mantêm-no na miséria, na ignorância e sob fortes medidas de repressão e desrespeito pelas mais elementares Liberdades Individuais e pela Dignidade de cada Ser Humano. Por seu turno vivem, com as suas Clientelas, em escandaloso e ostensivo fausto! Regimes mais perigosos que as Ditaduras de Partido Único que os precederam: é que agora são vistos como Respeitáveis e “Democráticos”!Redação Gazeta da Beira

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