II FESTIVAL GUITARRAS MÁGICAS

Ed658_André_Madeira_IgrejaMAlicerçada no pioneirismo do “I Curso de Verão de Guitarra” (2012) e no sucesso do “I Festival Guitarras Mágicas” (2013), as vilas de Couto de Esteves e Sever do Vouga foram palco, numa organização conjunta do arquiteto Miguel Lopes (direção executiva), do professor João Moita (direção artística), da Associação Cultural e Social de Couto de Esteves (ACSCE), do Centro das Artes do Espetáculo (CAE) e da Câmara Municipal de Sever do Vouga, da segunda edição do “Festival Guitarras Mágicas”.

Com uma programação rica e variada, o Festival apostou, quer na componente formativa, respeitando o ótimo trabalho de base desenvolvido nos anos anteriores, quer na componente performativa.

Assim, e no que toca à área formativa, que decorreu no Centro Escolar de Couto de Esteves, de 29 de junho a 6 de julho, tivemos o “III Curso de Verão de Guitarra”, ministrado pelo professor João Moita, e que, pela primeira vez, contou com a participação de duas alunas do concelho, uma “Masterclass” de Guitarra Portuguesa, com o mestre conimbricense Paulo Soares, e uma “Masterclass” de Guitarra Clássica, pelo cubano Marco Tamayo, um dos professores mais eminentes da atualidade e um dos guitarristas de maior prestígio na cena internacional.

No que respeita à componente performativa, coube a André Madeira, um dos mais proeminentes guitarristas portugueses da nova geração, tendo já uma carreira internacional de relevo, a abertura do Festival, na igreja matriz de Couto de Esteves (29 de junho). Enquadrado pela talha dourada do arco-cruzeiro, um magnífico exemplar do barroco regional, André Madeira deliciou as mais de 120 pessoas presentes com obras de Johann Sebastien Bach, Domenico Scarlatti, Augustin Barrios e Ástor Piazzolla.

Dias depois, a 4 de julho, a noite ficaria indelevelmente marcada pela atuação, na Eira Comunitária dos Amiais, “espaço comunitário mágico e pleno de força telúrica”, de Paulo Soares, grande mestre da Guitarra Portuguesa e um dos mais brilhantes e vibrantes guitarristas da atualidade, acompanhado à viola por Rui Poço Ferreira. Num concerto verdadeiramente memorável, Paulo Soares conduziu a numerosa plateia à descoberta das obras de Artur Paredes, Carlos Paredes, Octávio Sérgio e dele próprio, obras que se constituem como exemplos maiores da génese e evolução da guitarra portuguesa, tal como tem sido criada, tocada e transmitida em Coimbra.

No dia 5 de julho, o Centro das Artes do Espetáculo de Sever do Vouga foi palco de mais um momento inolvidável com a muito aguardada atuação de dois dos mais importantes e respeitados guitarristas da atualidade e um duo de excelência, com uma brilhante carreira internacional, Marco Tamayo e Anabel Montesinos. Em duo ou a solo, Marco e Anabel proporcionaram, há mais de centena e meia de melómanos presentes, uma interpretação ímpar de obras de autores anónimos e consagrados como Fernando Sor, Niccolo Paganini, Francisco Tárrega, Luigi Legnani, Manuel Maria Ponce, John Lennon, Paul Mccartney, Nikita Koshkin e Alan Menken. Mas, como sui dizer-se, a cereja no topo do bolo foi, sem margem para dúvidas, a fantástica execução, a quatro mãos, da obra “Rondo alla Turca”, de Wolfgang Amadeus Mozart.

Por fim, no dia seguinte, a sede da ACSCE foi o palco escolhido para o concerto de encerramento do “III Curso de Verão de Guitarra”. Perante uma sala repleta, os 10 jovens participantes (Raquel Coutinho, de Couto de Esteves, Salomé Santana, de Rocas do Vouga, Carolina Lemos, Teodora Ion, Catarina Oliveira, João Branco, João Freitas, Afonso Sobral, Paulo Valério e Daniel Lagarto) tiveram a oportunidade de apresentar publicamente – a solo, em quarteto e em ensemble (Ensemble Guitarras Mágicas 2014) – o trabalho desenvolvido durante o curso. Findo o concerto foram entregues a todos os participantes os respetivos diplomas e sorteadas as rifas vencedoras, a saber: 1.º prémio (uma guitarra Alhambra) – Carina Soares, de Parada; 2.º prémio (um fim de semana, para duas pessoas, na Quinta do Cabeço) – Adelino Teixeira, dos Amiais, que, num gesto de grande nobreza, decidiu colocar o prémio de novo a sorteio tendo sido contemplado José Franco; e 3.º prémio (um cabaz com fruta, compotas e licor de mirtilo) – Elsa.

Uma palavra final, para homenagear o arquiteto Miguel Lopes e o professor João Moita, mentores e impulsionadores de um Festival que nasceu da vontade de ambos em acrescentar vida musical às mágicas Terras de Santo Estêvão (Couto de Esteves), bem como para agradecer a todos os parceiros que, com o seu apoio financeiro ou logístico, possibilitaram a organização de tão notável Festival, a saber: Câmara Municipal de Sever do Vouga, Centro das Artes do Espetáculo, Junta de Freguesia de Couto de Esteves, Associação Cultural e Social de Couto de Esteves, Liga dos Amigos e dos Naturais de Couto de Esteves, Pró-Associação Terras de Santo Estevão, Associação Desportiva e Cultural de Lourizela, Associação Águias da Mouta, Quinta do Cabeço, Casa da Várzea, Foco Sonoro, Castanheira Sómusica (Aveiro), Reclacambra Publicidade e Serviços, Lda. e Fundação Bernardo Barbosa de Quadros.

• Mário Silva

Redação Gazeta da Beira

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