Manuel Silva
O OCIDENTE NÃO APRENDE (POLITICAMENTE) NADA
Lenine afirmava aos bolcheviques que “para combater o inimigo principal, aliamo-nos ao inimigo secundário. Liquidado que seja o inimigo principal, o inimigo secundário é erigido automaticamente em inimigo principal. Assim, um a um , liquidaremos os nossos inimigos até à vitória”.
As democracias ocidentais, especialmente os EUA, aprenderam este ensinamento leninista e levaram-no à prática.
Os EUA apoiaram Saddam Hussein na guerra contra o Irão no final dos anos 70 do século XX. Na década seguinte , sob a orientação da cabecinha pensadora que assentava nos ombros de Ronald Reagan, apoiaram uma coligação que incluía os talibans e Bin Laden contra os soviéticos no Afeganistão.
Mais tarde, estes “aliados” pagaram bem aos americanos o apoio concedido. Saddam invadiu o Kwait, país amigo dos EUA , provocando uma guerra entre antigos protector e protegido, e a Al Qaeda, liderada por Bin Laden, atacou as torres gémeas e o Pentágono, assassinando alguns milhares de pessoas, provocando ainda centenas de mortes em Espanha e no Reino Unido, países da NATO.
Bin Laden teve apoio militar e financeiro da América. Na guerra com o Irão, o Iraque, com gases , matou milhares de curdos. O país do Tio Sam calou e consentiu.
Nos últimos anos, numa atitude mista de ingenuidade e ignorância, os políticos que governam aquém e além Atlântico incentivaram as revoltas árabes, porque as mesmas “conduziriam à democracia”. Viu-se. No Egipto, as eleições foram ganhas pela Irmandade Muçulmana, acabando os militares por regressar ao poder. Na Líbia existia uma ditadura política, mas um estilo de vida ocidental. Hoje, neste país há um estado falhado, uma guerra civil que dilacera o povo e foi imposta a sharia. Afinal, a “democracia” descambou, de um modo geral, em fundamentalismo islâmico, por obra e graça do seu maior inimigo, o Ocidente.
Mesmo depois daquelas experiências, o “lixo ocidental”, a que se refere o brasileiro Milton Nascimento na canção “para Lennon e McCartney”, a pretexto de combater a ditadura síria, apoiou a guerrilha que se lhe opõe, sabendo, como toda a gente, ser a mesma conotada com o radicalismo islâmico.
Boa parte daquela guerrilha, derrotada pelo exército sírio, fugiu para o Iraque , aí se juntando ao EIIL (Estado Islâmico no Iraque e Levante), o qual tomou algumas das principais cidades iraquianas, podendo vir a exercer o poder.
No Afeganistão, os talibans, que tornaram este país no “Vietname dos soviéticos”, continuam indestrutíveis, falando-se em conversações secretas entre os mesmos e o governo.
O Iraque viu-se livre do ditador Saddam Hussein através de uma guerra desencadeada pela NATO, com base em mentiras. No entanto, de então para cá morreram centenas de milhares de habitantes deste país, o qual corre o risco de cair num regime bem pior que o baathismo saddamista.
No tempo de Saddam havia liberdade religiosa e também um estilo de vida ocidental.
Os EUA, com o apoio empenhado (mais uma vez) de Tony Blair, continuam a fomentar o seu maior inimigo. A propósito, recordamos terem os falecidos Kadafi e Bin Laden possuído importantes investimentos na América. Como dizia também Lenine, “o dinheiro não tem ideologia”. Afirmava ainda “o capitalismo vender-nos-á a corda com que o enforcaremos”.
Para futuro presidente da Comissão Europeia foi escolhido Jean Claude Juncker.
Democrata-cristão dos verdadeiros e pertencendo a uma direita de rosto humano e com consciência social, foi um óptimo primeiro-ministro para os luxemburgueses. No entanto, é ultra-federalista, ou seja representa muito do que é repudiado na UE e está na origem do avanço de partidos e movimentos extremistas, nacionalistas e xenófobos, como se viu nas últimas eleições para o Parlamento Europeu.
Os governantes americanos e europeus não aprendem nada e não param de dar tiros nos pés. É a esta gente que estamos entregues..Redação Gazeta da Beira
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